Dólar cai mais de 1%, a R$ 5,21, e Ibovespa sobe com expectativas da eleição
A moeda teve a maior depreciação desde o tombo de 4,025% registrado no dia 3; Bolsa teve alta de 0,72%, a 117.114,84 pontos
Economia|Do R7

O dólar fechou em forte queda nesta quinta-feira (20), pressionado por algum otimismo externo na esteira de balanços empresariais fortes nos Estados Unidos e da renúncia da primeira-ministra do Reino Unido. Ao mesmo tempo, no Brasil, o acirramento da disputa eleitoral forneceu impulso adicional ao real.
A divisa americana à vista perdeu 1,11%, fechando a R$ 5,2168 na venda, a maior depreciação diária desde o tombo de 4,025% registrado no último dia 3 e a menor cotação para encerramento desde a segunda-feira da semana passada (R$ 5,1921).
Já o Ibovespa fechou em alta nesta quinta pelo quarto pregão seguido, descolado de Wall Street, em meio a expectativas relacionadas à corrida presidencial no país, com o Banco do Brasil e a Petrobras entre os maiores ganhos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,72%, indo a 117.114,84 pontos e contabilizando um avanço de 4,5% na semana, de acordo com dados preliminares. O volume financeiro somava R$ 31,5 bilhões.
Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, disse que o anúncio da saída da primeira-ministra britânica Liz Truss foi responsável, em parte, pelo enfraquecimento do dólar no Brasil e no mundo nesta sessão.
Truss, líder já sem credibilidade aos olhos dos mercados financeiros, renunciou nesta quinta-feira, depois de apenas seis semanas no poder. Ela foi derrubada por seu programa econômico de corte de impostos, que abalou os mercados e dividiu o Partido Conservador.
"Com o fim desse período turbulento, os mercados respiram um pouco aliviados, embora não seja possível definir ainda o que ocorrerá no Reino Unido. Assim, o real se beneficia desse movimento de otimismo", disse Mattos.
No noticiário externo, investidores também apontaram balanços melhores que o esperado de algumas empresas americanas como fator de sustentação para movimentos de procura por risco.
Já na cena doméstica, a pesquisa Datafolha publicada na quarta-feira (19) mostrou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 49% das intenções de voto, o mesmo patamar da sondagem anterior, e Jair Bolsonaro (PL) com 45% , uma variação positiva de 1 ponto. Como a margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o petista e o candidato à reeleição estão em empate técnico.
"Não apenas o Datafolha como a esmagadora maioria de outros institutos captaram um leve acréscimo nas intenções de voto de Jair Bolsonaro, indicando uma clara tendência de acirramento na disputa presidencial", avaliou a Levante Investimentos num relatório. "O clima deve trazer algum otimismo para os mercados no curto prazo, que descartam, a princípio, um descolamento de Lula frente ao seu adversário."
Investidores acreditam que uma eleição mais disputada poderia forçar tanto Lula quanto Bolsonaro a moderar seu discurso e a buscar alianças mais ao centro, o que é visto com bons olhos pela maioria dos mercados.
Ao mesmo tempo, o cenário econômico doméstico continua sendo citado como um grande suporte para o real.
"O Brasil está na contramão do mundo: tem uma inflação que está desacelerando, chegou no final do ciclo de alta de juros e tem uma atividade econômica que tem trazido bons resultados, surpreendido positivamente", disse à Reuters Rafael Perez, economista da Suno Research.
Ainda assim, ele alertou para a manutenção de receios internacionais, visto que a inflação elevada nas principais economias continua a forçar os bancos centrais a apertar suas respectivas políticas monetárias, mesmo em meio a temores de recessão.
Segundo o economista, frente aos cenários externo e interno conflitantes, a tendência é que os catalisadores do mercado de câmbio local se alternem entre a cautela global e o relativo otimismo em relação à economia brasileira, com o dólar devendo encerrar este ano não muito distante dos níveis atuais, entre R$ 5,20 e R$ 5,30.











