Dólar encosta em R$ 3,25 com cautela antes do julgamento de Lula
Moeda norte-americana registrou alta de 0,9% nesta terça-feira, maior avanço desde o dia 12 de dezembro
Economia|Do R7

A cautela antes do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância, que pode afetar a corrida eleitoral deste ano, fez o dólar fechar em alta e se aproximar do patamar de R$ 3,25 nesta terça-feira (23).
Na sessão, o dólar avançou 0,9%, a R$ 3,2381 na venda, maior alta desde 12 de dezembro, quando subiu 0,93%. Na máxima do dia, a moeda norte-americana foi a R$ 3,2451. O dólar futuro tinha alta de cerca de 1% no final do dia.
"O evento de amanhã pode ser um catalisador para algum desempenho melhor ou pior [do que o exterior], mas achamos que a diferença, em caso de um desfecho positivo não será dramática, e teremos tempo de voltar ao risco", disse o diretor de Tesouraria de um grande banco em nota.
O mercado aguardava o resultado do julgamento, na quarta-feira, em segunda instância de Lula em ação do tríplex no Guarujá, pela qual recebeu pena de nove anos e meio de prisão. Se negado seu recurso, o ex-presidente — considerado pelo mercado como menos comprometido com ajuste fiscal — pode ficar fora da corrida eleitoral.
Até a decisão final, no entanto, a defesa de Lula tem vários recursos para adiar o processo e tentar evitar que, no dia dos registros das candidaturas, em 15 de agosto, ele possa ser considerado inelegível.
"Caso ocorra a absolvição, e este é um cenário possível, deveremos ter movimentos muito fortes [no mercado de câmbio] contra as tendências", trouxe a Wagner investimentos, em relatório, ao citar o cenário considerado menos provável pelo mercado.
Especialistas entendem que os mercados financeiros já precificaram uma derrota de Lula agora, e o suficiente para o tornar inelegível agora. Haverá ajustes nos preços dos ativos caso a decisão da segunda instância defina algo que permita ao ex-presidente leque maior de recursos jurídicos ou mesmo o absolva, mas o cenário externo mais benigno ajudaria a absorver eventuais solavancos.
No exterior, o dólar também subia frente ao algumas divisas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano.















