Economia Dólar fica mais caro pelo 3º dia seguido e vale R$ 3,87

Dólar fica mais caro pelo 3º dia seguido e vale R$ 3,87

Valorização de 0,18% da moeda foi puxada pela prisão de executiva chinesa, mas expectativa de menos juros nos EUA aliviou a pressão de alta

Dólar

Dólar variou entre R$ 3,87 e R$ 3,94 na sessão

Dólar variou entre R$ 3,87 e R$ 3,94 na sessão

Pixabay

O dólar terminou a quinta-feira (6) em alta pela terceira sessão seguida, negociado a R$ 3,8761. A valorização de 0,18% deixou a moeda longe das máximas do dia, quando encostou em R$ 3,95. Nos últimos três pregões, a divisa acumula ganho de 0,85%.

A nova alta do dólar foi ocasionada pela aversão ao risco global após a prisão de uma executiva da gigante chinesa Huawei, intensificando os temores de guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Na máxima do dia, a moeda norte-americana era vendida por R$ 3,9440 e, na mínima, a R$ 3,8772. O dólar futuro tinha avanço de cerca de 1,5%.

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Meng Wanzhou, vice-presidente financeira da Huawei e filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei, foi presa em Vancouver e enfrenta uma possível extradição para os EUA por supostas violações de sanções dos EUA.

A notícia afetou as esperanças de que fossem amenizadas as tensões comerciais entre Estados Unidos e China depois da trégua de 90 dias acertada entre as partes no último sábado.

"[A prisão da executiva] é negativo para a China. E, se é negativo para a China, é também para os países emergentes. É dólar mais forte e sugere menos exportações do Brasil", avaliou a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

Emergentes

No exterior, o dólar subia ante as divisas emergentes, como o peso chileno e o rublo. Mas passou a cair ante a cesta de moedas após dados mais fracos de abertura de vagas no mercado privado norte-americano, entre outros.

O viés de baixa foi reforçado lá fora — e aliviou a alta doméstica — com a fala do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, que disse que o banco central dos Estados Unidos está bem perto da taxa de juros neutra, o que o mercado entendeu como um sinal de menos apertos monetários à frente.

As declarações elevaram as expectativas para os dados do mercado de trabalho dos EUA no dia seguinte, com expectativa de abertura de 200 mil vagas, e também para a reunião de dezembro do Fed, para a qual se espera a quarta alta de juros deste ano.

Cenário doméstico

Internamente, os investidores mantinham a cautela com o novo governo e as indefinições sobre reforma da Previdência e a cessão onerosa.

"Acho que é cedo para sabermos como será a articulação do governo, vamos ter condição de avaliar em janeiro ou fevereiro. Mas o mercado está ansioso. É mais um ponto negativo a pressionar o câmbio", acrescentou Fernanda.

O BC vendeu nesta sessão 13.830 contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 2,766 bilhões do total de US$ 10,373 bilhões que vence em janeiro.

Se mantiver essa oferta diária até dia 21 e vendê-la integralmente, terá concluído a rolagem total.

"Se a situação de fato se agravar para emergentes, o BC pode reforçar a oferta de swap", comentou a especialista do Ourinvest.

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