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Dólar recua e fecha abaixo de R$ 5,15 com ajustes e ‘casadão’ do Banco Central

Mercado reagiu com negociações entre EUA e Irã e expectativa pela divulgação da ata do Copom

Economia|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O dólar fechou em baixa, cotado a R$ 5,1415, após intervenções do Banco Central e negociações entre EUA e Irã.
  • O Banco Central realizou uma operação "casadão", vendendo e comprando dólares para ajustar o mercado.
  • O mercado aguarda a ata do Copom, que pode esclarecer a recente decisão de cortar a taxa básica de juros.
  • Especialistas não veem espaço para grande valorização do real, com o dólar oscilando entre R$ 5,15 e R$ 5,20.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Notas de 100 dólares americanos espalhadas em leque
Dólar fechou a segunda-feira cotado a R$ 5,14 Reprodução/Record News

O dólar abriu a semana em baixa moderada no mercado local, devolvendo parte da alta de mais de 2% registrada na semana passada, com ajustes e realização de lucros. Além da redução do risco geopolítico, com as negociações entre Estados Unidos e Irã, há expectativa de que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) traga nesta terça-feira (23) um tom mais duro, desfazendo o desconforto provocado pelo comunicado da decisão da semana passada.

A intervenção dupla do Banco Central, com operação casada de venda de US$ 1 bilhão de moeda à vista e compra de US$ 1 bilhão de dólar futuro, por meio de swaps cambiais reversos, pode ter contribuído para a recuperação do real na sessão desta segunda-feira (22). Operadores não notaram, contudo, pressão na taxa de juros em dólar (cupom cambial) ou sinais de disfuncionalidade no mercado cambial doméstico.


Em baixa desde a abertura dos negócios e com mínima de R$ 5,1241 no início da tarde, o dólar à vista terminou o dia em queda de 0,45%, cotado a R$ 5,1415. A moeda americana avança 1,96% frente ao real em junho, após valorização de 1,82% no mês passado. No ano, as perdas, que chegaram a superar dois dígitos no início de maio, quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90, agora são de 6,33%.

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Para o diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, o BC pode ter realizado o “casadão” para atender a uma demanda pontual no segmento à vista e, ao mesmo tempo, dar continuidade à redução do estoque de swaps cambiais. Ele observa que não havia pressão relevante no chamado cupom cambial, que se mantém em níveis “tranquilos” nas últimas semanas.


O tesoureiro destaca que, desde o início de maio, “o real mudou de patamar frente a outras divisas emergentes”, com desvalorização na comparação com pares como o rand sul-africano (6%), o peso mexicano (5%) e o peso chileno (4,60%).

“Acredito que esse movimento se deve à melhora do presidente Lula nas pesquisas eleitorais e à pressão sobre os juros longos nos Estados Unidos”, afirma Weigt, que não vê grande espaço para recuperação da moeda brasileira em relação aos pares. “Mas, com a taxa de câmbio entre R$ 5,15 e R$ 5,20, acho melhor ficar vendido em dólar frente ao real do que ao contrário. Nossa taxa de juros ainda é muito alta.”


Além do tom duro do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, que levou a uma valorização global da moeda americana, parte do tropeço do real na semana passada foi atribuída aos ruídos provocados pela comunicação do Copom. Apesar do aumento dos riscos altistas para a inflação e da deterioração das expectativas, o comitê cortou a taxa básica na semana passada em 0,25 ponto porcentual, para 14,25%, e teceu considerações sobre o cumprimento da meta considerando o primeiro trimestre de 2028, que passa a ser o horizonte relevante da política monetária apenas a partir do encontro do colegiado em agosto.

“Após o comunicado da semana passada, houve um questionamento sobre a credibilidade do BC que provocou certo estresse no mercado doméstico. A expectativa é que a ata possa desfazer esse desconforto”, afirma o head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, que não vê espaço para um retorno do dólar ao nível de R$ 5,00. “O real ainda é uma das estrelas do ano, mas não parece haver espaço para uma apreciação no curto prazo. A perspectiva é de um dólar mais próximo de R$ 5,20.”


Com base em modelo econométrico, o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, vê o dólar oscilando nesta semana entre R$ 5,15 e R$ 5,16, “podendo variar entre R$ 5,06 e R$ 5 25”. Ele observa que o “casadão” realizado pelo BC pode aliviar um pouco a pressão sobre o real.

“Pelas nossas estimativas, o fair value se mantém abaixo do spot desde a última semana, revelando prêmio na moeda brasileira”, afirma Tavares, acrescentando que o real é favorecido pelo carry elevado, mas sofre com o fortalecimento global do dólar. “A volatilidade mais elevada traz mais risco ao ‘trade’ na moeda brasileira.”

Termômetro do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY subia 0,18% no fim da tarde, pouco acima dos 101,000 pontos, perto da máxima da sessão aos 101,076 pontos. O Dollar Index sobe mais de 2% em junho.

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