Economia Dólar reverte queda, sobe mais de 1% e passa a valer R$ 5,48

Dólar reverte queda, sobe mais de 1% e passa a valer R$ 5,48

Avanço de 1,15% da moeda norte-americana ocorreu com receios de continuidade de gastos relacionados à pandemia no Brasil em 2021

Reuters
Dólar fechou perto da máxima do dia após cair a R$ 5,35

Dólar fechou perto da máxima do dia após cair a R$ 5,35

Nicky Loh/Reuters

O dólar fechou em firme alta contra o real nesta quinta-feira (12), revertendo queda expressiva de mais cedo, conforme investidores reagiram à piora de sinal nos mercados externos e a receios de continuidade de gastos relacionados à pandemia no Brasil em 2021.

Na sessão, a moeda norte-americana à vista subiu 1,15%, a R$ 5,4792 na venda, perto das máximas da sessão, depois de pela manhã cair 1,18%, para R$ 5,3529.

O real teve o pior desempenho entre as principais divisas nesta sessão, mas de forma geral o dia foi de fraqueza para moedas emergentes, conforme outros ativos de risco, como ações, recuavam em meio à disparada de casos de covid-19 no mundo e aos potenciais efeitos sobre a economia global decorrentes de novas restrições na Europa e nos Estados Unidos.

Além do fator externo, Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital, chama atenção para o retorno do foco para os problemas fiscais no Brasil. "O que desanima é que não se vê concretamente nenhum movimento claro na direção de resolução dos problemas das contas públicas. Guedes perdeu credibilidade", disse, citando o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Em evento mais cedo, o líder da equipe econômica disse que o plano do governo para o auxílio emergencial é encerrá-lo ao fim deste ano, com retorno ao Bolsa Família como programa de transferência de renda, mas alertou que, caso haja uma segunda onda de covid-19 no país — possibilidade que classificou como baixa —, o auxílio deverá ser mantido e um novo estado de calamidade pública deverá ser decretado.

O mercado já anda às voltas com riscos de manutenção de gastos relacionados à pandemia para 2021, temendo que a extensão dessas despesas provoque o descumprimento do teto de gastos — que limita os gastos do governo à inflação do ano anterior. Esse dispositivo é considerado a âncora fiscal do Brasil neste momento e seu rompimento poderia deflagrar uma nova rodada de piora nos preços dos ativos financeiros domésticos.

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