Dólar salta 1,5% e encosta em R$ 3,35 após Comissão rejeitar reforma trabalhista
Mercado financeiro avalia que a derrota do governo na CAS expõe menor força de Temer
Economia|Do R7

O dólar ampliou a alta a cerca de 1,5%, encostando em R$ 3,35, após a CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado rejeitar o texto principal da reforma trabalhista nesta terça-feira (20), sinalizando que o governo do presidente Michel Temer está com menos força política dentro do Congresso Nacional.
Às 13h55, o dólar avançava 1,48%, a R$ 3,3336 na venda, depois de atingir a máxima de R$ 3,3426, maior patamar intradia desde 19 de maio (R$ 3,3471). O dólar futuro tinha alta de cerca de 1,6%.
"O sinal é muito ruim... de perda de força de Temer", afirmou o economista da gestora Infinity, Jason Vieira, em comentário.
A CAS rejeitou o parecer da reforma trabalhista redigido pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), imprimindo ao governo uma importante e surpreendente derrota. Por 10 votos a 9, os senadores não aprovaram a proposta, que vinha sendo utilizada pelo governo para demonstrar que ainda tem força no Congresso.
A crise política que acertou em cheio o governo após delações de executivos do grupo J&F soou o alarme entre os investidores sobre o rumo das reformas, em especial da Previdência, no Congresso. Por isso, a cautela tem sido a tônica dos mercados financeiros nas últimas semanas.
Os investidores trabalhavam ainda atentos aos rumos das investigações envolvendo Temer no STF (Supremo Tribunal Federal). A Polícia Federal concluiu que há indícios de prática de corrupção passiva de Temer e de seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, segundo uma fonte.
Ainda na agenda política, há o julgamento do pedido de prisão contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), formulado pela Procuradoria-Geral da República, também no STF.
"O apoio da bancada do PSDB é tido como frágil visto que o desembarque da sigla pode acontecer a qualquer momento", comentou a Correparti Corretora em relatório.
Pela manhã, a alta do dólar também foi influenciada pelo avanço da moeda norte-americana no exterior, onde tinha elevação ante uma cesta de moedas e divisas de países emergentes, como o peso chileno e o rand sul-africano.
O Banco Central brasileiro vendeu integralmente a oferta de até 8.200 swaps cambiais tradicionais — equivalente à venda futura de dólares — para rolagem dos contratos que vencem julho. Com isso, já rolou US$ 4,100 bilhões do total de US$ 6,939 bilhões que vence no mês que vem.













