Dólar salta quase 6% no 2º trimestre e se firma em R$ 3,30
Alta de 2,36% em junho fez a moeda dos EUA ter a maior valorização trimestral desde 2015
Economia|Do R7

O dólar fechou esta sexta-feira (30) com leve alta ante o real, com cautela dos investidores, mas a crise política que atingiu em cheio o presidente Michel Temer no mês passado levou a moeda norte-americana a acumular valorização de quase 6% no segundo trimestre, maior salto em três meses desde o final de 2015.
Na sessão desta sexta-feira, a moeda norte-americana avançou 0,15%, a R$ 3,3128 na venda, terminando a semana com queda de 0,79% e junho com elevação de 2,36%, segunda alta mensal seguida. O dólar futuro tinha leve alta de 0,05% no final da tarde.
No segundo trimestre, a moeda norte-americana acumulou ganhos de 5,8%, maior valorização trimestral desde o período entre julho e setembro de 2015 (+ 26,77%). Em 2017 até junho, o dólar ficou 1,94% mais caro.
"O dólar já incorpora a aprovação da reforma trabalhista. Se não for aprovada antes do recesso parlamentar (em 18 de julho), pode ir a R$ 3,45", afirmou o CEO do correspondente cambial BeeCâmbio, Fernando Pavani.
O mercado foi atropelado pela delação de executivos do grupo J&F contra Temer, que acabou sendo denunciado por corrupção passiva e ainda é investigado pelos crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça. Com isso, aumentou o temor de que as reformas trabalhistas e da Previdência possa não andar no Congresso Nacional.
Na próxima semana, está prevista a votação da reforma trabalhista no plenário do Senado. Também haverá os desdobramentos da tramitação da denúncia contra Temer na Câmara dos Deputados.
Com isso, a cautela deve continuar sendo a tônica dos mercados no curto prazo, bem como a atuação do Banco Central que, na véspera, concluiu a rolagem integral dos swaps cambiais tradicionais — equivalentes à venda futura de dólares — de julho. Em agosto, vencem outros US$ 6,181 bilhões e, pelo menos por enquanto, o BC não anunciou novas intervenções.
Nesta manhã, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que a autoridade monetária tem mais espaço para atuação no mercado de câmbio diante do baixo estoque de swaps, equivalente a cerca de US$ 28 bilhões.
"Ele deve manter a atuação que vem fazendo com os swaps. É uma carta na manga que ele tem e é muito boa", afirmou Pavani.














