Dólar sobe a R$ 5,06, e Ibovespa cai, com exterior e Campos Neto no Senado
Moeda americana fechou em alta de 0,47%, enquanto a bolsa registrou queda de 0,81%, a 103.106,77 pontos
Economia|Do R7

Após duas sessões em queda, o dólar à vista subiu nesta terça-feira ante o real, influenciado pelo pessimismo dos investidores no exterior, onde a moeda norte-americana também avançava ante outras divisas, e com o mercado atento a declarações do presidente do Banco Central no Senado.
A divulgação de alguns balanços corporativos ruins e de dados econômicos fracos nos EUA deu o tom dos negócios, com investidores buscando ativos mais seguros, como o dólar, em detrimento de outras moedas.
No Brasil, os participantes do mercado também acompanharam com atenção as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Para alguns analistas, a pressão dos parlamentares para que o BC corte juros acabou ajudando a sustentar o dólar.
O dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 5,0638 na venda, em alta de 0,47%.
Na B3, às 17:12 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,54%, a 5,0675 reais.
Já o Ibovespa encerrou em queda nesta terça-feira, novamente pressionado por Vale e diante de um cenário de maior aversão ao risco em Wall Street.
A Vale e a Gerdau foram as principais influências negativas ao índice, enquanto Bradesco e Itaú Unibanco ficaram na ponta oposta, em dia positivo para bancos após balanço do Santander Brasil.
O Ibovespa caiu 0,81%, a 103.106,77 pontos segundo dados preliminares. O volume financeiro somava R$ 18,7 bilhões.
Nos EUA, o setor bancário era um dos destaques negativos. O First Republic – uma das instituições envolvidas na turbulência bancária mais recente – relatou fuga de mais de US$ 100 bilhões em depósitos no primeiro trimestre e viu suas ações desabarem. Papéis de outros bancos regionais também eram penalizados.
Além disso, o Conference Board dos EUA informou que seu índice de confiança do consumidor caiu para 101,3 em abril, de 104,0 em março. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o indicador permanecesse em 104,0.
“As ações de bancos estão caindo muito lá fora. O cenário está ruim e isso nos contamina também”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria de câmbio FB Capital. “A alta global do dólar é pelo receio com uma recessão nos EUA”, acrescentou.
No Brasil, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no Senado que cortar juros “na canetada” geraria mais inflação no Brasil, impulsionando o dólar. Além disso, afirmou que há um “trabalho grande” a se fazer para reverter as expectativas de inflação.
Para o economista-chefe da Órama, Alexandre Espirito Santo, a pressão para que o BC reduza os juros gera ruídos no mercado e contribui para que o dólar à vista se mantenha em alta ante o real.
Um operador ouvido pela Reuters ponderou que, embora as declarações de Campos Neto ao Senado sejam repetitivas, o mercado inevitavelmente quer ouvi-lo sobre inflação, juros e câmbio. Em alguns momentos do dia, isso deixou os negócios mais engessados que o habitual.















