Dólar sobe mais de 1% e abre o ano cotado a R$ 2,69
Moeda norte-americana chegou a bater a casa dos R$ 2,70 no primeiro pregão do ano
Economia|Do R7

O dólar subiu mais de 1% ante o real nesta sexta-feira (2), primeiro pregão de 2015, após o BC (Banco Central) reduzir pela metade suas intervenções diárias no câmbio e acompanhando a valorização da divisa dos Estados Unidos no exterior.
A moeda norte-americana fechou em alta de 1,27%, a R$ 2,6925 na venda, após registrar em 2014 valorização de quase 13%, no quarto avanço anual consecutivo. Na máxima desta sessão, a divisa chegou a R$ 2,709.
Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,5 bilhão.
"A mudança no programa do BC deixa claro que, com o câmbio nesses níveis, ele não vai brigar para fazer o dólar cair", disse o superintendente de câmbio da corretora TOV, Reginaldo Siaca.
Na terça-feira, o BC anunciou que continuará intervindo no câmbio pelo menos até 31 de março, mas reduziu pela metade a oferta diária de swaps cambiais para 2.000 contratos, equivalentes a US$ 100 milhões, ante oferta de 4.000 contratos no ano passado. A autoridade monetária também ressaltou que poderá "realizar operações adicionais de venda de dólares através dos instrumentos ao seu alcance".
Analistas do JPMorgan esperam que o dólar suba a R$ 3 até dezembro deste ano, dado a redução da oferta diária de swaps e o compromisso firme do BC de manter as intervenções até o fim do primeiro trimestre, e não até o fim do primeiro semestre.
"Tomamos isso como um sinal sugerindo a intenção de eventualmente cessar a oferta diária de swaps", escreveram os analistas Diego Pereira, Cassiana Fernandes e Vinicius Moreira em relatório.
Nesta manhã, o BC vendeu a oferta diária de swaps no novo modelo de rações diárias. Foram vendidos 1.100 contratos para 1º de setembro e 900 para 1º de dezembro, com volume correspondente a US$ 98 milhões.
O BC também vendeu a oferta integral de até 10 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 2 de fevereiro, equivalentes a US$ 10,405 bilhões. Com isso, a autoridade monetária rolou cerca de 5% do lote total.
A apreciação do dólar ante o real nesta sessão veio também em sintonia com o fortalecimento da moeda norte-americana em outros mercados.
A perspectiva de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, eleve os juros ainda neste ano tem elevado as cotações do dólar globalmente, embora o banco central norte-americano tenha prometido ser "paciente" ao fazê-lo. Nesta sexta-feira, a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, afirmou que poderia imaginar um aumento dos juros já no primeiro semestre.
"De um jeito ou de outro, todo mundo sabe que o caminho do dólar é para cima. A dúvida é quão rapidamente isso vai acontecer", disse o estrategista de uma corretora internacional.
Na Europa, a ansiedade com a política norte-americana somou-se à crescente expectativa de que o BCE (Banco Central Europeu) irá adotar novas medidas de estímulo, o que levou o euro à mínima em quatro anos e meio em relação à moeda norte-americana.















