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Embraer e Boeing aprovam termos de aliança de US$5,3 bi em aviação comercial, esperam aval do governo

Economia|Do R7

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SÃO PAULO (Reuters) - A Embraer aprovou com a Boeing os termos da venda do controle de sua divisão de aviação comercial para o grupo norte-americano, em uma operação em que espera obter cerca de 3 bilhões de dólares como resultado.

O acordo foi acertado após um memorando de entendimento assinado em julho entre as empresas, que já estabelecia que a Boeing terá 80 por cento da companhia a ser criada com a divisão de aviação comercial da Embraer. A empresa brasileira ficará com o restante e terá poder de decisão sobre "alguns" temas estratégicos, afirmou a Embraer em comunicado ao mercado nesta segunda-feira.


As empresas informaram que ainda aguardam aprovação do governo brasileiro para dar andamento ao negócio. O acordo foi divulgado uma semana depois de o Tribunal Regional Federal da 3ª região (TRF3) ter revogado liminar que impedia as empresas de seguirem com as negociações.

As ações da Embraer exibiam alta de mais de 4 por cento por volta das 11h, enquanto o Ibovespa tinha queda de 0,15 por cento, com analistas destacando a melhora no valor atribuído para toda a divisão de jatos comerciais da fabricante brasileira em relação ao memorando de entendimento, que passou de 4,75 bilhões de dólares para 5,26 bilhões.


"Nossa visão é que o valor final a ser recebido pela Embraer, líquido de impostos, tem chances de ser mais alto", disseram analistas do BTG Pactual em relatório a clientes. "O anúncio é um marco positivo e melhora os riscos quanto ao preço (valuation) líquido da (divisão de) aviação comercial, tanto em termos dos resultados finais que a Embraer deve receber quanto de uma opção de venda mais valiosa", afirmaram os analistas Renato Mimica e Samuel Alves, do BTG Pactual.

Entre os temas estratégicos em que a Embraer poderia ter poder decisório estaria uma eventual transferência das operações da joint-venture do Brasil.


Segundo os termos do acordo divulgado nesta segunda-feira, Boeing e Embraer também concordaram em criar uma segunda joint-venture para promover a venda do cargueiro KC-390, a maior aeronave já desenvolvida no Brasil. Nesta joint-venture, a Embraer terá 51 por cento de participação e a Boeing o restante.

O acordo na divisão comercial permite que a Embraer tenha uma opção de venda de sua participação a qualquer momento. Porém, foi definido um período de "lock up" de 10 anos e caso a empresa brasileira execute a opção antes disso, o preço por ação a ser pago será igual ao da data de fechamento do negócio ajustado pela inflação nos Estados Unidos. Após o período, o preço será igual ao valor justo no momento do exercício.


As empresas mantiveram acerto anterior que previa que a joint-venture na aviação comercial será sediada no Brasil e reportará diretamente ao presidente-executivo da Boeing, hoje sob comando de Dennis Muilenburg.

As empresas estimam que as sinergias anuais com a joint-venture de aviação comercial devem chegar a cerca de 150 milhões de dólares por ano, excluídos impostos, até o terceiro ano de operação. A nova empresa somente deverá contribuir para os resultados da Boeing a partir de 2021.

Na semana passada, deputados petistas que moveram a ação que resultou na liminar, posteriormente cassada, afirmaram que o negócio "significa o fim da Embraer no Brasil". Segundo o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), "a tendência é a empresa deixar de funcionar no Brasil, talvez se transformar em um mero departamento de manutenção aqui". O parlamentar avaliou ainda que o negócio "implica prejuízo ao sistema de defesa brasileiro".

O presidente-executivo da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou no comunicado desta segunda-feira, no entanto, que a operação "será de grande valor para o Brasil e para a indústria aeroespacial brasileira como um todo. Esta aliança fortalecerá ambas as empresas no mercado global e está alinhada à nossa estratégia de crescimento sustentável de longo prazo".

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(Por Alberto Alerigi Jr.)

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