EUA multa S&P em US$ 1,375 bilhão por inflacionar hipotecas lixo
Economia|Do R7
Alfonso Fernández. Washington, 3 fev (EFE).- O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira um acordo com a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) pelo qual receberá US$ 1,375 bilhão como resultado da investigação sobre seu papel na manipulação da qualidade de crédito de ativos financeiros respaldados por hipotecas lixo. "A S&P se envolveu em um esquema para fraudar os investidores conscientemente ao inflacionar as classsificações de crédito dos ativos que disfarçavam sua solvência e seus riscos", afirmou o procurador-geral americano, Eric Holder, ao anunciar o acordo. A atuação da agência fez com que esses investidores, "incluindo muitas instituições financeiras com garantias federais, perdessem bilhões de dólares", disse Holder. O procurador-geral ressaltou que, embora "esta estratégia possa ter ajudado a S&P a evitar incomodar seus clientes, provocou um prejuízo enorme à economia em geral e contribuiu para a pior crise financeira desde a Grande Depressão". Com o pacto alcançado, a agência abonará US$ 687,5 milhões ao Departamento de Justiça, e a mesma quantia será dividida entre 19 estados dos EUA e o Distrito de Columbia. Outros US$ 125 milhões serão destinados a uma agência que administra a previdência e serviços de saúde dos funcionários públicos da Califórnia. O número é pouco menor que o solicitado inicialmente pela Justiça americana, que havia pedido US$ 1 bilhão em compensações só para esse departamento. Holder afirmou que este tipo de comportamento "não será tolerado" pelo governo americano. O procurador-geral ressaltou que "as avaliações de risco da S&P foram afetadas por conflitos de interesse consideráveis, e suas ações foram motivadas pelo desejo de aumentar o lucro e a fração de mercado para favorecer os interesses de seus clientes em vez do dos investidores". Com este acordo, se encerra o litígio civil aberto pelo Departamento de Justiça em 2013. Trata-se da primeira grande sanção a uma das agências de classificação de risco pela crise de 2008, já que, até agora, as multas eram concentradas nos grandes bancos de Wall Street, que juntos pagaram mais de US$ 40 bilhões por seu papel na hora de empacotar e vender ativos de alto risco. A S&P divide, junto com as principais rivais Moody's e Fitch's, quase 95% do mercado de classificação de crédito mundial, por isso teve um papel fundamental na hora de garantir a qualidade financeira de alguns ativos, posteriormente analisados como sem valor. Após anunciar o acordo, a editora McGraw-Hill, matriz da S&P Financial Services, indicou que estas sanções serão incluídas na conta de resultados do quarto trimestre, que deve ser divulgada no dia 12 de fevereiro. Ambas as partes indicaram que o pacto tinha como "objetivo evitar o atraso, a incerteza, a inconveniência e as despesas de litígios adicionais". Após a divulgação da decisão, os títulos da McGraw-Hill registravam uma alta de 2,90% em Wall Street perto da metade do pregão, em um dia de lucro generalizado no mercado. EFE afs/vnm/id















