Favorecida pela alta do dólar, indústria brasileira de brinquedos cresce 11% em 2015
Associação dos fabricantes comemora diminuição de quase 5% das importações
Economia|Fernando Mellis, do R7

Enquanto alguns ramos da indústria brasileira amargam números negativos, o setor de brinquedos comemora crescimento de 11% em 2015. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (5), pela Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos).
O presidente da entidade, Synésio Batista da Costa, atribui parte desse crescimento à alta do dólar, que derrubou as importações de brinquedos em 4% no ano passado.
— A gente começa um fenômeno desde 2010/2011 de queda na importação. A queda na importação é injeção na fabricação local, mas na veia. O cara não compra lá, compra aqui. [...] O melhor foi que, em janeiro [de 2016], quando todo mundo [importadores] sai às compras internacionais, o dólar estava R$ 4 e com ameaça de ir para o céu. Então, os grandes players não foram às compras. A nossa estimativa é que a importação neste ano tenha queda de 20%.
Em 2011, as importações somente de brinquedos representaram US$ 325,2 milhões. No ano passado, ficaram na casa de US$ 270,4 milhões. O presidente da Abrinq afirma que o movimento de queda significa “US$ 70 milhões transferidos para a produção nacional”.
Ele acrescenta que a crise, que tem diminuído o consumo das famílias, não afeta tanto assim o mercado de brinquedos.
— O negócio de brinquedos está em um bom momento, porque a família não viajou, não trocou de carro, não comprou casa. Mas a criança brasileira é importante na família, quando ela diz “eu quero”, alguém vai atender.
A opinião é a mesma do diretor de marketing da Estrela, maior fabricante de brinquedos do País, que fechou 2015 com crescimento nominal de 9,7%. Para Aires Fernandes, pode até haver uma redução do consumo, mas os pais dificilmente deixarão as crianças sem presentes nas datas comemorativas.
— O nosso presidente tem uma frase que eu gosto muito: Uma indústria que acredita em Papai Noel... Nós somos otimistas inveterados. Em um ano difícil, chega nas datas especiais, Dia da Criança e Natal, normalmente, o pai recompensa essa criança dando um presente melhor para ela. Quando chega nessas datas, o pai pode adiar uma troca de roupa dele. O brinquedo se transforma em um artigo de primeira necessidade.
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Para conquistar mais consumidores, ele conta que a Estrela está apostando em produtos diferentes.
— Algo que tem crescido muito são coisas que as meninas fazem para elas mesmas e que isso dá um orgulho, porque ela produz a brincadeira final, e ela ostenta isso no grupo que a certa. Por exemplo, fábrica de pulseiras, gargantilhas, adornos. Também estamos entrando nos quebra-cabeças com licenciamentos mais adultos: Tarsila do Amaral, The Beatles...
A Abrinq vai organizar feiras regionais para atrair mais varejistas. Costa afirma que a expectativa para 2016 é de crescer 12%. O anúncio foi feito na abertura da 33ª Abrin - Feira Brasileira de Brinquedos, em São Paulo. O evento, restrito a comerciantes, traz 1.500 produtos novos.













