Fórum Econômico Mundial chega ao fim em Davos com moderado otimismo
Autoridades exaltaram a recuperação econômica europeia, mas alertaram para risco de deflação
Economia|Do R7

O Fórum Econômico Mundial encerrou neste sábado (25) sua reunião anual em Davos com otimismo moderado e muito focado nos desequilíbrios que abalam algumas economias emergentes.
Em um painel realizado este sábado, a diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, deu o tom ao afirmar que "a recuperação está em processo de consolidação neste momento".
O presidente do banco central do Japão, Haruhiko Kuroda, também demonstrou otimismo.
— Acredito que podemos ser prudentemente otimistas sobre as perspectivas da economia mundial. A economia dos Estados Unidos pode crescer 3% ou mais este ano e no próximo. A Europa está, enfim, se recuperando, crescendo, e o Japão está avançando de forma significativa.
"Em economias emergentes como Índia, China, Indonésia e outros, é provável que o crescimento econômico continue sendo alto ou se acelere", acrescentou Kuroda.
Na terça-feira, o FMI elevou sua previsão de crescimento mundial em 2014, de 3,6% a 3,7%, pouco antes do começo das reuniões do Fórum Econômico Mundial em Davos, com 40 chefes de Estado e de governo e mais de 2.500 participantes.
A grande dúvida dos trabalhos de Davos veio este ano dos países emergentes, que estão crescendo menos e sofrendo fugas de capital, provocados por uma política monetária norte-americana mais restritiva que torna os investidores muito mais seletivos.
Segundo Lagarde, esta volatilidade "é claramente um novo risco e tem que ser vigiada".
A sexta-feira foi marcada pela queda do peso argentino na véspera, a maior em um só dia desde 2002, e da libra turca.
Por razões como esta, Larry Fink, presidente do BlackRock, o maior fundo de investimento do planeta com mais de US$ 4 trilhões em carteira, pediu prudência.
— Vamos viver em um mundo com muito mais volatilidade.
Segundo ele, a recuperação econômica dependerá muito da iniciativa pública, algo que não gera otimismo, "porque os políticos tendem muito a ser preguiçosos" na hora de fazer reformas, disse Flink.
— Vamos depender da execução de reformas na China (...), teremos que observar [o primeiro-ministro japonês Shinzo] Abe, e as reformas no Japão, Estados Unidos e outros lugares.
Já o diretor geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, pontuou que "é muito cedo para saber qual vai ser o impacto deste fenômeno (volatilidade monetária) no comércio, que a maioria das vezes responde a tendências a longo prazo".
Europa
Nos trabalhos de Davos houve certo consenso sobre a recuperação da economia europeia, frágil e incerta.
O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, comemorou este sábado que "a zona do euro em seu conjunto não seja mais o centro de todas as preocupações da economia mundial".
Defendendo a política de rigor fiscal e reformas preconizadas pela Alemanha, Schäuble disse que "os países membros mais bem sucedidos são os que foram colocados sob o programa" de assistência.
O ministro citou a Irlanda, Portugal, Espanha (cujo setor bancário foi resgatado), além de Chipre e Grécia, que, segundo ele, "estão fazendo melhor que o esperado há dois anos".
Christine Lagarde voltou a falar no risco de deflação na zona do euro, onde os preços subiram apenas 0,8% em dezembro.
O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, reduziu a importância do risco de uma queda sustentável e generalizada de preços prejudicial para o consumo, o investimento e o crescimento.
Draghi afirmou que a inflação se aproximará do objetivo de 2% a médio prazo e que sua instituição "está pronta para atuar".
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