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Governo projeta primeiro superávit em 9 anos, e anuncia corte de verba em ministérios

Estimativa aponta resultado positivo de R$ 13,54 bilhões no ano, ante projeção de déficit de R$ 59,35 bilhões feita em julho

Economia|Do R7

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Ministério da Economia melhora projeção do resultado fiscal do governo em 2022
Ministério da Economia melhora projeção do resultado fiscal do governo em 2022

O Ministério da Economia melhorou substancialmente sua projeção para o resultado fiscal do governo central em 2022, em sua última revisão oficial dos números antes das eleições, passando a prever, pela primeira vez, um superávit, o que marcaria o retorno das contas ao azul após rombos consecutivos desde 2014, mas anunciou um corte adicional de R$ 2,635 bilhões em verbas de ministérios para respeitar o teto de gastos.

A estimativa oficial aponta para um superávit de R$ 13,548 bilhões no ano, ante projeção de déficit de R$ 59,354 bilhões feita em julho, conforme foi apresentado nesta quinta-feira (22) no relatório bimestral de receitas e despesas da pasta, que avalia o cumprimento da meta fiscal e da regra do teto. A projeção, portanto, veio R$ 72,902 bilhões melhor do que a que havia sido há dois meses.


O relatório anterior previa um déficit primário correspondente a 0,6% do PIB (Produto Interno Bruto). Agora, a previsão é de um superávit de 0,1% do PIB.

O saldo diz respeito ao governo central, que reúne as contas de Tesouro, Previdência e Banco Central e não contabiliza os gastos com o pagamento de juros da dívida pública.


De um lado, o governo aumentou a projeção de receitas líquidas em R$ 69,948 bilhões na comparação com a projeção anterior, a R$ 1,844 trilhão. As despesas totais estimadas foram reduzidas em R$ 2,954 bilhões no ano, a R$ 1,831 trilhão.

A forte aceleração nas receitas foi puxada por ganhos com dividendos e exploração de recursos naturais, além de aumento de arrecadação de tributos como Imposto de Renda, Contribuição Social sobre Lucro Líquido e Imposto de Importação.


Diante de recordes sucessivos de arrecadação, sob impulso da inflação e do nível elevado das cotações do petróleo e de commodities agrícolas em meio à guerra na Ucrânia, o ministério tem feito previsões mais positivas para o saldo fiscal no encerramento do ano.

Os números seguem melhorando, mesmo diante de uma série de ações do governo neste ano eleitoral que reduzem receitas e ampliam despesas, como cortes de tributos sobre combustíveis e produtos industrializados e repasses adicionais a programas sociais.


No início de agosto, cálculos internos do Ministério da Economia já apontavam para o alcance do primeiro superávit primário em nove anos, ajudado também pelo recebimento de polpudos dividendos da Petrobras.

O saldo positivo em 2022, se confirmado, será bem melhor do que a meta de déficit primário de R$ 170,5 bilhões estipulada para este ano.

Bloqueio

A última limitação de verbas para respeitar o teto, efetivada em julho, totalizou R$ 12,7 bilhões. Após o anúncio, o governo editou medidas provisórias para adiar novos gastos aprovados pelo Congresso e fez outros remanejamentos de despesas. Dados do Tesouro mostram que o bloqueio nas contas após esses ajustes, e antes da revisão divulgada na quinta, estava em R$ 7,9 bilhões.

O corte adicional de R$ 2,6 bilhões, atingindo um total de R$ 10,5 bilhões, será necessário, segundo a pasta, após um ajuste na estimativa de gastos obrigatórios do governo. As despesas ficarão mais altas na rubrica de Previdência.

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A necessidade de corte é explicada pela trava imposta pela regra do teto, que limita o crescimento das despesas públicas à variação da inflação e está sem margem para aumento de gastos, mesmo após flexibilizações da norma aprovadas pelo governo.

O detalhamento sobre quais ministérios e rubricas serão atingidos pelo bloqueio será formalizado até o fim do mês, ainda antes do primeiro turno das eleições, que tem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando as intenções de voto, e o presidente Jair Bolsonaro na segunda posição.

Até o fim do ano, o governo pode revisar as contas e reduzir ou aumentar o bloqueio, a depender da análise sobre o cumprimento das regras fiscais.

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