Greve dos bancários aumentou uso do cheque especial, que tem juros mais altos
Nessa modalidade, as taxas atingem 143,3% ao ano; paralisação durou 23 dias
Economia|Da Agência Brasil

Com a greve dos bancários, os clientes usaram mais o cheque especial, mesmo com taxa de juros mais alta em relação a outras modalidades para pessoas físicas, disse nesta terça-feira (29) o chefe do Departamento Econômico do BC (Banco Central), Tulio Maciel.
A greve dos bancários começou no último dia 19 de setembro e acabou no dia 11 deste mês, após 23 dias.
De acordo com Maciel, com a greve, os clientes deixaram de fazer depósitos para cobrir a conta e não tiveram acesso a modalidades de crédito com taxas mais baixas.
— O cheque especial, quer seja pela restrição ao acesso para depósito ou por ser crédito prontamente disponível, pode ter crescido nesse período por causa da paralisação.
A taxa de juros do cheque especial subiu 4,4 pontos percentuais de agosto para setembro, chegando a alcançar 143,3% ao ano. O saldo dessa modalidade subiu 4,3%, em setembro, atingindo R$ 22,032 bilhões.
Maciel acrescentou que, no caso de crédito imobiliário, modalidade em que é preciso ter acesso às agências para fechar os contratos, houve redução nas concessões. De agosto para setembro, a queda nas concessões do crédito imobiliário ficou em 9,5%. As concessões desse tipo de crédito totalizaram R$ 10,234 bilhões para pessoas físicas.
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No total, as concessões de crédito com recursos livres para pessoas físicas caíram 8,8%, no mês, e ficaram em R$ 18,280 bilhões. O saldo total das operações de crédito (R$ 2,598 bilhões) teve expansão de 0,8%, em setembro. Em agosto o crescimento foi maior: 1,3%.
Segundo Maciel, a valorização da taxa de câmbio também levou a essa moderação no saldo das operações de crédito. Isso porque parte do crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) está vinculado à variação da taxa de câmbio.
— Quando o dólar varia, esse estoque aferido em reais também varia. E esse foi um aspecto que diferenciou este resultado de resultados anteriores.
A moderação no saldo das operações de crédito foi acompanhada por taxas de juros mais caras. A taxa de juros cobrada das famílias subiu 0,7 ponto percentual,de agosto para setembro. No mês passado, a taxa ficou em 37,2% ao ano para o crédito com recursos livres. Para as empresas, houve alta de 0,1 ponto percentual, ao registrar 20,7% ao ano, em setembro.
No crédito com recursos direcionados (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura), a taxa para as empresas ficou estável em 7,4% ao ano e subiu 0,1 ponto percentual para as famílias (7% ao ano).
Segundo Maciel, o aumento dos juros é consequência das elevações da taxa básica de juros da economia (Selic). Os juros básicos, definidos pelo Banco Central, servem de referência para as demais taxas do mercado. Atualmente, a Selic está em 9,5% ao ano.















