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Imobiliárias miram em clientes interessados em imóveis mais baratos

Imóveis de médio e alto padrão estão pressionados pala baixa confiança do consumidor

Economia|Do R7

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Venda de imóveis com preço médio acima de R$ 500 mil em São Paulo caiu de 45% entre 2014 e 2015
Venda de imóveis com preço médio acima de R$ 500 mil em São Paulo caiu de 45% entre 2014 e 2015

O segmento econômico de imóveis tem se mostrado a melhor alternativa para corretores e imobiliárias, uma vez que deve continuar em 2016 com vendas e lançamentos melhores que os imóveis voltados para os médio e alto padrões.

"Eu diria que em 2015 [o segmento econômico] representou pelo menos uns 25% do volume vendido por nós e acho que este ano este volume deve subir. Este ano deve passar de 30%", afirmou o vice-presidente comercial da Abyara Brokers, imobiliária paulistana do grupo Brasil Brokers, Bruno Vivanco.


Segundo ele, o número de corretores imobiliários da Abyara voltados para o setor cresceu 20% de 2015 para 2016, principalmente devido ao recuo do segmento de médio e alto padrão, que segue pressionado pela alta dos juros e baixa confiança do consumidor. Hoje, cerca de 800 profissionais atendem o segmento econômico na Abyara.

Dados da imobiliária mostram que do total de imóveis lançado na cidade de São Paulo em 2015, cerca de 29% foram imóveis econômicos (até R$ 250 mil), ante 14% um ano antes. Já a parcela de imóveis com preço médio acima de R$ 500 mil caiu de 45% em 2014 para 24% no ano passado.


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"O segmento econômico tem um conjunto de lançamentos para 2016 e 2017 bastante intenso em toda a região metropolitana de São Paulo, e até no interior", afirmou Vivanco.


Segundo ele, as incorporadoras podem lançar cerca de 10 mil unidades na região este ano, um número ligeiramente superior a 2015.

No Estado do Rio de Janeiro são 45 mil corretores imobiliários ativos e a fatia que passou a trabalhar com o segmento econômico passou para 25% a 30%, de acordo com o diretor do Creci-RJ (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro), Laudimiro Cavalcanti. A proporção praticamente dobrou em relação a 2014, quando era de 15%.


"O corretor vai procurar o mercado que está mais aquecido, e para esta área [econômica] ele está aquecido. O corretor não está conseguindo comercializar o luxo, a classe média", disse Cavalcanti.

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Esta proporção não deve mudar ao longo do ano, na visão do diretor, que acredita que a crise econômica e política vai durar mais quatro ou cinco meses. "Eu acredito que vamos retomar o mercado para a classe média, alta", afirmou.

Um dos pilares da venda de imóveis econômicos são os empreendimentos do Minha Casa Minha Vida. No ano passado, a faixa 1 do programa habitacional — cuja maior parte era subsidiada pelo governo federal — não teve contratações e algumas empresas migraram para as faixas 2 e 3, que com as novas regras passaram a ter limites de renda de R$ 3.600 e R$ 6.500, respectivamente.

"No segmento de incorporação, nosso foco (em 2016) será em intensificar os esforços de venda e acelerar o lançamento de empreendimentos MCMV 2 e 3, em que a demanda continua forte e podemos aproveitar nosso modelo industrializado de construção com baixo custo", disse a Direcional Engenharia, em seu relatório de resultados divulgado em meados de março.

No ano passado, a empresa teve aumento de 95% nos lançamentos de empreendimentos para o programa habitacional Minha Casa Minha Vida, e queda de 39% para a média e alta renda.

Mesmo em uma situação melhor do que segmentos de perfil mais alto, a venda de imóveis econômicos também encontra entraves, com maior restrição de concessão de crédito pela Caixa Econômica Federal e um comprador um pouco mais indeciso para efetivar a compra, de acordo com a arquiteta Mariliza Fontes Pereira, do escritório especializado no segmento popular MD.Oito, que atua em São Paulo e Rio de Janeiro.

"Não deixou de ter visitas nos stands (de vendas de imóveis). Mas antes, de 10 visitas, a gente fechava, sete ou oito compras. Hoje, são quatro ou cinco. As pessoas estão com medo [de comprar] ou o crédito delas não atende as exigências da Caixa", disse.

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