Ipea reduz de 2,8% para 1% previsão de crescimento do PIB Agropecuário em 2022
Revisão leva em conta a projeção de queda de 8,8% da produção de soja e os impactos dos conflitos entre Rússia e Ucrânia
Economia|Do R7

Esperança para alavancar o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro neste ano, o agronegócio deve amargar um crescimento menor do que o esperado, conforme revisão do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgada nesta terça-feira (22).
O instituto cortou de 2,8% para 1% a previsão de alta do PIB Agropecuário em 2022. O principal motivo citado para o ajuste foi a nova estimativa do LSPA (Levantamento Sistemático de Produção Agrícola), que prevê queda de 8,8% da produção de soja neste ano.
"No caso da soja, lavoura de maior peso na produção vegetal, os estados do Sul do país, além de São Paulo e Mato Grosso do Sul, sofreram com forte estiagem no início do ano durante o período crítico de desenvolvimento reprodutivo das plantas", analisa o Ipea.
Ainda assim, estima-se crescimento de 23,9% na produção de milho e de 20,6% na colheita de cana-de-açúcar. No caso do café, por se tratar do ano positivo de sua bienalidade, a alta de 13,4% não é vista como surpreendente. Por outro lado, o trigo é outro segmento que pode ter uma reversão de sua estimativa atual negativa.
"Dois dos maiores produtores mundiais de trigo são Rússia e Ucrânia e, por conta do atual conflito entre os países, há a chance de uma redução na oferta mundial desse grão, elevando o preço e incentivando o plantio que, com boa produtividade, poderia contribuir positivamente para o valor adicionado", destaca o relatório.
A nova estimativa do Ipea destaca ainda que a projeção de produção vegetal passou de um crescimento de 2,6% para uma queda de 0,3%. Já para a produção animal, a estimativa de crescimento, que era de 3,6%, foi revista para 3%.
Já para a produção animal, o instituto aposta em uma contribuição positiva dos segmentos de bovinos, suínos e aves após dois anos de queda. A expectativa é de que, com uma oferta maior de animais prontos para o abate, a produção de bovinos apresente cresça 3,8%.
No mesmo sentido, as produções de suínos e aves devem crescer 4,5% e 3%, respectivamente. Essas taxas representam uma desaceleração do crescimento em relação ao ano passado, quando esses segmentos cresceram 9,1% e 6%, respectivamente.
"Um dos motivos que devem contribuir para essa desaceleração do crescimento entre 2021 e 2022 é a redução da demanda chinesa, com a normalização de seu rebanho suíno após a ocorrência da Peste Suína Africana", explica o documento.















