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Montadoras no Brasil reduzem ritmo de produção em janeiro por férias coletivas e restrições da Argentina

Enquanto isso, as vendas ficaram praticamente estáveis, consumindo estoques com IPI reduzido

Economia|Do R7

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As montadoras no Brasil produziram 237,5 mil veículos em janeiro, queda de 18,7% sobre o mesmo mês em 2013
As montadoras no Brasil produziram 237,5 mil veículos em janeiro, queda de 18,7% sobre o mesmo mês em 2013

A indústria brasileira de veículos começou 2014 com freios puxados por férias coletivas, atrasos em financiamentos para a venda de caminhões e entraves para exportações à Argentina, principal destino das exportações do setor.

As montadoras instaladas no Brasil produziram 237,5 mil veículos em janeiro, queda de 18,7% sobre o recorde para o mês estabelecido em 2013. Enquanto isso, as vendas ficaram praticamente estáveis, consumindo estoques de modelos produzidos com incidência menor do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados).


O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan, afirmou que o desempenho das vendas em janeiro foi bom, apesar da performance dos licenciamentos de caminhões e ônibus, que recuaram 10,9% e 19,6% sobre um ano antes, respectivamente.

Segundo Moan, atraso do governo na definição das regras do PSI — programa que concede financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a juros reduzidos para compra de bens de capital — desestimulou vendas entre o final de 2013 e início deste ano e montadoras aproveitaram para conceder férias coletivas, com algumas se estendendo até 20 de janeiro.


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"Só não foi melhor porque o PSI (Programa de Sustentação do Investimento) somente foi colocado em operação em 27 de janeiro, o que prejudicou sobremaneira a comercialização de caminhões e ônibus", disse Moan a jornalistas, nesta quinta-feira.


Para este mês, ele espera um "desempenho muito bom" das vendas ante fevereiro de 2013, uma vez que o Carnaval cairá em março. Ele, porém, evitou fazer estimativas e acrescentou que o setor somente terá uma visão clara sobre o ano em meados de julho.

A Anfavea manteve projeção de vendas em 2014 de 3,810 milhões de veículos, alta de 1,1% sobre 2013. Para a produção, o volume esperado segue sendo de 3,765 milhões de veículos. Porém, como a entidade reviu para baixo parte dos números de produção de 2013, o crescimento percentual passou de 0,7% para 1,4%.


No total, as vendas de veículos novos no país em janeiro tiveram alta anual de 0,4%, para 312,62 mil unidades, com carros e comerciais leves registrando avanço de 1%.

Além das férias coletivas, restrições impostas pela Argentina à importação de veículos levaram as exportações brasileiras em janeiro despencarem 29% na comparação anual, disse Moan. A Argentina, que vive uma crise cambial, é destino de três quartos das exportações de veículos brasileiros, Em 2013, o país importou cerca de 475,3 mil veículos do Brasil, de acordo com dados da Anfavea.

Negociação

O presidente da Anfavea afirmou que o setor está "bastante preocupado" com restrições impostas pela Argentina às importações. Em dezembro, o país vizinho baixou regra para reduzir em até 27,5% as importações de veículos no primeiro trimestre, como forma de proteger suas reservas cambiais.

Moan afirmou que a Anfavea reuniu-se com representes do governo brasileiro na quarta-feira para discutir as restrições argentinas e tentar soluções para destravar as exportações do setor.

"Temos que entender a conjuntura de cada país. Em várias ocasiões se buscou um acordo e se conseguiu (...) A expectativa é que possamos solucionar este problema o mais rápido possível", disse Moan, esperando uma revisão das restrições argentinas até o início de março.

Janeiro

A indústria automotiva terminou o mês passado com estoques de 320,8 mil veículos, queda de 9,2% ante o mês de dezembro, que já tinha registrado recuo no número de veículos em pátios de montadoras e concessionárias, após as montadoras desacelerarem a produção no segundo semestre do ano passado.

Um dos destaques do mês foi o queda na participação do segmento de automóveis com motores 1.0 no total das vendas, que recuou para 37,8% em janeiro, um dos níveis mais baixos desde que a categoria foi lançada na década de 1990. Enquanto isso, os carros com motores acima de mil cilindradas atingiram fatia de 61,4%, algo que Moan atribuiu ao aumento da renda da população.

A Fiat encerrou janeiro com vendas de 63.049 automóveis e comerciais leves, ante 70.618 unidades vendidas um ano antes. A Volkswagen apurou licenciamentos de 56.133 unidades em janeiro, ante 61.359 no mesmo mês de 2013, enquanto a General Motors registrou 53.892 emplacamentos, ante 53.033 em janeiro do ano passado 2013.

Em caminhões, a MAN, do grupo Volkswagen, teve licenciamentos de 2.847 unidades, após 3.507 em janeiro do ano passado. Mercedes-Benz teve emplacamentos de 2.632 unidades e foi seguida por Volvo, com 1.495 caminhões emplacados em janeiro.

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