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Moody's dá 6 meses para País evitar perda de grau de investimento, diz ex-presidente do BC

Para Gustavo Loyola, probabilidade de manter o grau de investimento é de 50%

Economia|Do R7

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Na avaliação de Loyola, mercados devem repercutir rebaixamento
Na avaliação de Loyola, mercados devem repercutir rebaixamento

O ex-presidente do BC (Banco Central) Gustavo Loyola afirmou nesta terça-feira (11) que, apesar do já esperado rebaixamento do rating do Brasil, especialmente devido à redução da meta de superávit primário — economia para pagar os juros da dívida — para este ano e os próximos anos

Segundo Loyola, a perspectiva estável da nota soberana "dá mais ou menos seis meses" para o País evitar a perda do grau de investimento perante esta agência internacional.


— Hoje a probabilidade está dividida em 50% para que o governo consiga manter ou não evitar a perda do grau de investimento no ano que vem. [...] Se melhorar a ação do Poder Executivo junto ao Legislativo, com a aprovação de medidas para reforçar as contas públicas, junto com o cenário mais favorável de crescimento do PIB, isso será mito importante para um desfecho favorável.

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Na avaliação de Loyola, os mercados devem ter uma pequena repercussão nesta quarta-feira (12) em relação à decisão da Moody's.


— Pode ocorrer alguma volatilidade em dólar ou em bolsa, mas logo passará, pois ativos financeiros já vinham precificando a redução da nota soberana do Brasil.

Perigo


Na visão do economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, a decisão da Moody's de rebaixar o rating do Brasil para Baa3, último nível do grau de investimento, e atribuir uma perspectiva estável para a nota, é positiva, mas isso não significa que o Brasil está fora de perigo.

— A notícia é relativamente positiva, dadas as expectativas que se criaram. O rebaixamento já era antecipado em função da deterioração recente do quadro econômico. A perspectiva estável significa que há pouca chance de alteração da nota no curto prazo"

Ele aponta que a Moody's já incorpora uma trajetória negativa para a relação dívida/PIB ((Produto Interno Bruto) — soma de todas as riquezas do País — até o fim do atual mandato da presidente Dilma Rousseff.

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Mesmo assim, a perspectiva estável não significa que não há riscos para o rating brasileiro. Para Serrano, é preciso avançar com medidas estruturantes e também para atenuar a crise política. A recente reaproximação entre o governo e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), é um passo nesse caminho, segundo o economista.

— É preciso reduzir o nível de incertezas na economia e aumentar a capacidade de crescimento. Precisamos quebrar o ciclo de confiança muito baixo que se instalou entre os agentes econômicos.

Serrano afirma que a precificação, na estrutura a termo da curva de juros, de uma alta de 0,25 ponto porcentual na Selic, que estava em torno de 50%, deve diminuir. Já o dólar poderia recuar para algo perto de R$ 3,40, mas a crise política interfere.

— Eu esperaria alguma correção no câmbio, mas o cenário político é bastante incerto e parte disso continua nos preços dos ativos.

O economista do Besi aponta ainda que, com o rebaixamento, a Moody's se alinhou com a nota da Standard & Poor's e o mesmo deve ocorrer com a Fitch, que agora é a única cuja nota ainda está dois graus acima do nível especulativo.

Sobrevida

A decisão da agência de classificação de risco Moody's de rebaixar a nota de crédito do Brasil para Baa3, de Baa2, já era esperada pelo economista-chefe da Saga Capital, Marcelo Castello Branco. Segundo ele, o anúncio dá "sobrevida" para que o País continue com as políticas de ajuste que estão sendo implementadas. No entanto, acredita que a perda do grau de investimento é "inexorável".

Segundo Castello Branco, a relevância da notícia é que o anúncio da Moody's de ter revisado a perspectiva para "estável", de "negativa", dá tempo para que, se houver perda do rating, ele aconteça mais à frente.

— Como a perspectiva foi revisada para estável, entre seis e 12 meses pode ter um corte.

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Na visão do economista, a decisão causou piora nos mercados, em um primeiro momento. Na sequência, disse, como a perspectiva foi alterada para "estável", os mercados parecem ter dado mais importância a essa informação.

— Deram mais relevância ao fato de o 'outlook' ter ficado estável do que para o rebaixamento.

Se a agência tivesse anunciado a perda de investimento do Brasil, Castello Branco disse que o prêmio de risco e o dólar ficariam ainda mais pressionados, tornando ainda mais difícil a promessa do governo de cumprir as metas fiscal e para a inflação.

— Neste sentido, dá uma sobrevida. Dá algum alento ao câmbio.

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