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Nova regra limita rotativo e puxa queda dos juros do cartão de crédito

Porém, consumidores reclamam da dificuldade para se adaptar à mudança

Economia|Juca Guimarães, do R7

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Taxas de juros do cartão podem cair ainda mais em 2017
Taxas de juros do cartão podem cair ainda mais em 2017

Desde abril, os bancos foram proibidos de rolar por mais de um mês consecutivo o saldo do rotativo do cartão de crédito. A medida, para evitar o endividamento e o efeíto "bola de neve", mudou o cenário do comportamento das taxas de juros do mercado.

Pela nova regra, quem já está no rotativo do cartão de crédito não pode mais pagar menos que o valor da fatura. A opção é pagar à vista toda a dívida ou fazer o parcelamento com o banco, que tem a vantagem da taxa um pouco menor e parcelas fixas.


"Inicialmente é uma boa mudança [a regra que limita o uso do rotativo], pois evita o efeito bola de neve no endividamento, entretanto devemos lembrar que os juros continuam altos e utilizar desse mecanismos pode ficar mais caro que um empréstimo bancário, ou no melhor cenário a utilização do cartão com cautela", disse Alexandre Miserani, Coordenador do curso de Administração da Faculdade Arnaldo, de Belo Horizonte (MG).

De acordo com a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito), um dos efeitos perceptíveis da mudança é a queda na taxa de juros. "A taxa média do rotativo já caiu mais de 60% desde a mudança na regra e, segundo dado mais atualizado da Abecs, chegou a 9,3% ao mês. Como [a mudança da regra] foi um movimento inédito no mercado, ainda é cedo para projetarmos em qual patamar as taxas devem se consolidar, mas certamente permanecerão na casa de um dígito, sendo a do parcelamento sempre menor que a do rotativo. A consolidação vai depender do comportamento do consumidor, de indicadores como a inadimplência e da estratégia comercial dos emissores", disse Ricardo Vieira, diretor-executivo da Abecs.


Clientes

A novidade nas regras do rotativo trouxe, por outro lado, um pouco de dor de cabeça para os clientes. A enfermeira Amanda Paz tem dois cartões de crédito que ela só usa para compras pela internet. "O vencimento era no dia 8, tentei pagar pelo aplicativo do banco desde o dia 4, mas dizia que não era possível porque já estava no rotativo, o que não era. Liguei na central e me orientaram para fazer um pagamento eletrônico com código de barra. Também não funcionou. Só consegui pagar no dia 26. Na fatura seguinte veio um juros exorbitante. Voltei a reclamar e foi uma maratona até estornarem. Então decidi cancelar os cartões", disse.


A analista de RH Mislene Leite teve problemas com a taxa de juros do parcelamento do cartão de crédito de uma loja. "Fiz o parcelamento do cartão e tentei antecipar o pagamento, tiraram quase nada de juros. Liguei para a ouvidoria, que refez a conta com um valor ok, porém, só responderam muito tempo depois. Quando a fatura nova chegou o valor era alto de novo. Não adiantou nada, somaram o valor passado pela ouvidoria e mais uma parcela", disse a analista. 

Dicas 


O cartão de crédito é um aliado nas finanças domésticas, mas é preciso tomar muito cuidado, mesmo com a regra nova. "Quando começamos a não ter liquidez para pagar a fatura em sua totalidade e entramos no credito rotativo ou no parcelado do cartão que possui juros exorbitantes é um sinal de descontrole", disse o professor Miserani.

"A melhor maneira de utilizar o cartão de crédito a seu favor, tornando-o um verdadeiro aliado é não extrapolar seu poder de pagamento. Outra forma é, desde que tenha disciplina, é utilizar o dinheiro que se pagaria pelas compras à vista, aplicando-o no mercado financeiro, e postergando o pagamento de suas compras para o vencimento da fatura do cartão", comentou.

Inadimplência

A maioria dos clientes de cartão de crédito, cerca de 70,5% deles, paga a fatura no prazo e escapa dos juros. Entre as operações que têm incidência de juros, o rotativo tem diminuído e o parcelado, aumentado. 

É um cenário que, segundo a Abecs, impacta também no índice de inadimplência. "Hoje, segundo dados do Banco Central, a inadimplência do cartão de crédito está em 7,4%, menor patamar em dois anos. A nova regra certamente contribui para essa queda, uma vez que as pessoas estão substituindo a dívida do rotativo por um financiamento com parcelas fixas e juros mais baixos, o que garante maior previsibilidade e organização financeira", afirmou Ricardo Vieira, diretor-executivo da Abecs.

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