Novo dia de feriado bancário não causa tensão, mas já afeta à população grega
Economia|Do R7
Gérard De Josep. Atenas, 30 jun (EFE).- A Grécia viveu nesta terça-feira seu segundo dia de feriado bancário, que começa a ser notado entre a população, mas ainda não causa grandes cenas de tensão e nem violência. Nas ruas de Atenas ainda reina a calma e nos caixas é possível ver filas não tão grandes, mas a medida de restrição de capitais começou a gerar incômodos no dia a dia das pessoas. Marina, de 35 anos e ex-funcionária de uma empresa de segurança, saiu na noite de domingo com o objetivo de sacar 160 euros para pagar o aluguel nesta semana, mas os caixas já tinham deixado de funcionar. O proprietário do imóvel, que Marina esclarece que é advogado, exige o dinheiro. O controle de capitais que entrou em vigor na segunda-feira contempla uma retirada máxima de 60 euros diários nos caixas automáticos até o próximo dia 7 de julho, quando está previsto que os bancos reabram. Grupos de dois e três policiais começaram a percorrer as ruas da cidade para evitar e prevenir possíveis roubos às pessoas que acabam de sacar dinheiro. Para Melina, de 50 anos, o importante é que não sejam bloqueados os depósitos e, embora 60 euros pareça pouco, acredita que "alguma coisa é alguma coisa". Várvara vai ainda mais longe. Desempregada e com 47 anos, ela não vê tanta diferença com a situação vivida anteriormente. "Não vejo muita diferença com a situação anterior. Se os chefes não têm dinheiro para pagar e te dão apenas entre 100 e 150 euros por mês, qual é a diferença de podermos tirar ou não mais dinheiro?", se pergunta. Considerações que não são corroboradas por Nikos, um funcionário aposentado de 83 anos, que voltou hoje pela segunda vez à sede do Banco Nacional para reivindicar o dinheiro de sua pensão, mas deu de cara com outra negativa. "Não tenho dinheiro, só moedas", diz à Efe mostrando as poucas moedas que restam no bolso. Nikos acrescentou que a Grécia não deveria ter entrado nunca na zona do euro. "Estávamos bem com o dracma, mas os que têm a culpa disto não pagarão nunca", sentenciou. Os aposentados gregos que unicamente têm cartões da previdência e não dispõem de cartões de crédito ou débito não poderão ter acesso a seus fundos até quarta-feira, quando serão abertas, por três dias consecutivos, mil filiais em todo o país, e nas quais os aposentados poderão retirar um máximo de 120 euros de uma só vez. Nikos, acompanhado de sua mulher, explica que ontem quiseram comprar algo para fazer um pouco de estoque de provisões, uma opção para muitos gregos desde este fim de semana, mas assegura que nem sequer havia arroz no supermercado. "Fui buscar um pouco de arroz e não havia nada, tudo tinha sido vendido", conta. A visão pessimista de Nikos contrasta com a de outro aposentado, Kosmás, de 79 anos, que dispõe de cartão de crédito e nem sequer teve que enfrentar filas porque já tinha tirado dinheiro dias antes. Kosmás também foi ao supermercado, mas não por medo pela incerteza, mas para passar alguns dias em uma cidade onde tem uma segunda residência e onde além disso, garante, não há nem um só caixa. "Para mim no supermercado havia mais gente do que o normal, mas também não era algo extraordinário. Vejo isso como lógico, o povo está inquieto", argumenta. Em qualquer caso, os aposentados foram os principais afetados por esta situação, e a imprensa dedicava hoje manchetes dramáticas, inclusive comparando-os com os heróis de uma "antiga tragédia grega". EFE gdj/ff/rsd














