Para economistas, efeito da medida será pequeno
Possibilidade de usar parte da multa do FGTS para pagar crédito consignado não trará solução
Economia|Do R7

A intenção do governo de permitir que, em caso de demissão, parte da multa do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) recebida pelo trabalhador possa ser usada para pagar o crédito consignado, a fim de reativar a economia e reduzir a inadimplência, é vista pelos economistas como um medida positiva mas de impacto pouco relevante.
O diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira acredita que o trabalhador vai pensar duas vezes antes de pegar um crédito consignado, o que deve atenuar a inadimplência.
— A ideia não é ruim, mas inócua.
Mas o problema maior, na opinião do economista, é que a medida não resolve a crise de crédito. Não foi por acaso que o FMI (Fundo Monetário Internacional) reduziu esta semana de 1% para 3 5% a previsão de queda do PIB (Produto Interno Bruto) do País para este ano, lembra.
— As pessoas estão fugindo hoje de compromisso, elas não querem se endividar.
Por isso, ele não acredita que essa medida, se implantada, possa dar um impulso no consumo por meio da maior oferta de crédito, já que os bancos terão a garantia do pagamento em caso de demissão do trabalhador que contraiu o consignado. O economista prevê um aprofundamento da crise nos próximos seis meses com a desaceleração da economia da China.
Setor público
O presidente do Insper, o economista Marcos Lisboa explica que a maior parcela do crédito consignado está ligada aos trabalhadores do setor público e aos pensionistas da Previdência. Em ambos os casos, os rendimentos estão garantidos. Por isso, ele considera que a medida, se adotada, terá um impacto pequeno para reativar a economia. É que a fatia de trabalhadores do setor privado que usa o crédito consignado e que poderia estar deixando de tomar financiamentos para consumo por causa do risco de perder o emprego é bem menor comparada à parcela dos empregados do setor público que estão nessa condição e que têm estabilidade no emprego.
— A medida não é ruim, mas não me parece relevante.
Lisboa observa que o diferencial do crédito consignado, a grande alavanca do consumo nos últimos anos, é a taxa de juros menor comparada à cobrada nos empréstimos de uma linha de crédito comum.
Como o crédito consignado está vinculado ao salário do trabalhador da ativa ou ao benefício recebido pelos aposentados e pensionistas da Previdência, o risco de inadimplência era muito baixo quando a economia crescia e estava em pleno emprego. Isso permitiu que os bancos oferecessem linhas de crédito consignado aos trabalhadores com uma taxa de juros bem inferior à média do mercado. Mas, com a mudança de cenário e aumento da demissão, o quadro é outro e o risco de calote cresceu no setor privado.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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