O que o governo ouviu de empresários sobre tarifaço: ‘Não retaliar, nem ficar de joelhos’
Nos últimos dias, o MDIC fez uma série de reuniões com setores afetados; entenda as reivindicações apresentadas
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Nas últimas reuniões do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) feitas com setores afetados pelo novo tarifaço imposto por Donald Trump, o ministro Márcio Elias Rosa ouviu em consenso o pedido para que o governo não adote a Lei da Reciprocidade. Houve, porém, uma ressalva: “O Brasil não deve retaliar e nem ficar de joelhos”, resumiu Reinaldo Sampaio, presidente da Abirochas (Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais).
Com outras palavras, o mesmo pedido foi repetido por diversos setores, como o de equipamentos médicos e a indústria do tabaco. Sampaio contou ao R7 Planalto que os setores manifestaram “suas angústias e os pontos críticos em que as tarifas os afetaram” e receberam sinalização positiva do governo.
“Tem que ter prudência nesse diálogo. Não adianta nossa indignação prevalecer. Indignação não serve, só serve a ação e a ação precisa ser dentro deste critério, prudente, realista e ao mesmo tempo preservando os interesses de soberania nacional. O Brasil não pode ficar de joelhos porque os Estados Unidos é um país poderoso. O Brasil é um país importante, tem uma história, tem uma economia relevante no plano mundial. Nós somos a nona economia do planeta”, avaliou.
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Quais as reivindicações apresentadas?
Na conversa com o ministro, os setores pediram:
- Prazo de 120 dias para início do pagamento de tributos federais;
- Retorno do Reintegra, incentivo fiscal que devolve parcial ou totalmente os tributos pagos na cadeia de produção de bens exportados;
- Ampliação das linhas de financiamento para inovação e internacionalização;
- Queda dos encargos na folha de pagamento.
Para alguns setores, no entanto, que não recebem incentivos fiscais, como a indústria do tabaco, a solução precisa passar realmente por entrar na lista de exceções das tarifas e isso depende da negociação do governo com os Estados Unidos.
Uma preocupação dessa indústria é o crescimento do mercado africano, que pode comer a fatia de mercado ocupada hoje pelo Brasil.
O presidente do SindiTabaco (Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco), Valmor Thesing, detalhou que o mercado americano é o terceiro maior destino do tabaco brasileiro, com exportações históricas de US$ 250 milhões.
“Ano passado, com a tarifa de 20% no segundo semestre, exportamos 23% a menos. Este ano, mesmo com a tarifa de 10%, nós exportamos 31% a menos que o primeiro semestre do ano passado”, contou.
O setor tem 138 mil produtores integrados com 44 mil empregos diretos na indústria e exportações anuais em torno de US$ 3,4 bilhões de dólares.
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