Poupança para pagar a dívida tem saldo negativo e é a menor para junho
O resultado foi influenciado pelo mau resultado da Previdência e dificulta a meta do governo
Economia|Do R7

O governo central (governo federal, Banco Central e Previdência Social) registrou déficit primário de R$ 1,946 bilhão em junho, o pior resultado para esses meses, influenciado pelo mau resultado da Previdência e que aumenta ainda mais a dificuldade para chegar à meta do ano.
No primeiro semestre de 2014, a economia feita para o pagamento de juros acumulou saldo positivo de R$ 17,238 bilhões, metade do valor visto em igual período do ano passado, informou nesta quarta-feira (30) o Tesouro Nacional.
Um dos fatores para o rombo de junho foi a conta negativa da Previdência Social, que no mês passado ficou em R$ 4,508 bilhões, 16,2% a mais do que o saldo negativo registrado no mês anterior.
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Em junho, as receitas líquidas do governo central somaram R$ 78,461 bilhões, quase 15% a mais frente a maio, somando no ano R$ 491,202 bilhões. Neste caso, o crescimento foi de 6,1% sobre o primeiro semestre de 2013.
No mês passado, as receitas foram ajudadas pelo recebimento de R$ 1,479 bilhão em dividendos de estatais, muito acima dos R$ 780 milhões vistos em maio. Só o BNDES arcou com R$ 932 milhões em junho.
O Tesouro informou ainda que as despesas somaram R$ 80,407 bilhões em junho, com alta de 2% em comparação ao mês anterior. Nos seis primeiros meses do ano, elas somaram R$ 473,964 bilhões, 10,6% a mais do que igual período de 2013.
O secretário do Tesouro, Arno Augustin, atribuiu o resultado ruim aos feriados da Copa do Mundo e aos fracos indicadores da atividade.
"Tivemos resultado menos dinâmico decorrente de receita menos forte e da menor temperatura da economia", disse ele a jornalistas.
A economia debilitada levou o governo a recorrer às receitas extraordinárias para tentar fechar suas contas. Neste ano, a projeção é de que elas somarão R$ 31,6 bilhões.
Augustin disse que conta com a entrada em caixa ainda este ano de R$ 8 bilhões com o leilão da frequência de 700 MHz de quarta geração (4G) e que não está no cenário do governo o adiamento da disputa.
Também têm pesado neste ano as fortes desonerações tributárias que, no semestre passado, somaram cerca de R$ 51 bilhões, quase 45% a mais do que em igual período de 2013.
Rombo consolidado
Diante desse cenário de maus resultados fiscais, especialistas reforçam a expectativa de que o setor público consolidado --governo central, Estados, municípios e estatais-- não cumpram a meta de superávit primário neste ano.
"Há duas conclusões: a primeira é o peso excessivo das desonerações mal planejadas do governo e levadas adiante este ano. O segundo é o desempenho da economia aquém do desejado. Esses dois elementos produziram trajetória muito negativa para a receita", o especialista em finanças públicas da consultoria Tendências, Felipe Salto, para quem o setor público deve divulgar déficit primário de R$ 1,5 bilhão em junho.
O BC divulga seu relatório de política fiscal nesta quinta-feira pela manhã. Pesquisa Reuters aponta que, pela mediana dos economistas consultados, o resultado será positivo em R$ 200 milhões.
A meta de superávit primário consolidado para este ano é de R$ 99 bilhões, equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Em recente entrevista à Reuters, uma fonte da equipe econômica disse que se a arrecadação não melhorar o governo pode ter que buscar "novas fontes" para fechar as contas e cumprir a meta de superávit primário. Economistas de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central na pesquisa Focus veem que o PIB do Brasil crescerá 0,9%, muito aquém dos 2,5% vistos em 2013.
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