Preço de alimentos deve cair nos próximos dez anos, diz FAO
Projeção leva em conta estimativas de crescimento da produção e aumento da produtividade
Economia|Da Agência Brasil

Os preços de todos os produtos agrícolas devem declinar na próxima década, segundo estudo da FAO (Food and Agriculture Organization), das Nações Unidas, e da OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development), em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas) Projetos.
A queda, no entanto, não deve prejudicar os agricultores brasileiros porque os investimentos em produtividade compensarão as perdas.
A projeção foi divulgada nesta quinta-feira (16) na capital paulista, e leva em consideração estimativas de crescimento da produção e a tendência de aumento da produtividade agrícola.
O chefe da divisão de comércio Agroalimentar e Mercados da OECD, Jonathan Brooks, estima que os preços dos alimentos no mundo devem cair para patamares superiores ao de períodos anteriores a 2008, quando houve forte expansão em razão da crise mundial.
— No início da década dos anos 2000, os preços estavam muito abaixo da tendência. Acreditamos que [a projeção] vai cair [no futuro], mas não a esses níveis de 2000.
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Segundo Brooks, o consumo dos alimentos de primeira necessidade em países emergentes vem apresentando crescimento fraco de demanda.
— Vemos demanda maior de proteína nos países em desenvolvimento, por isso temos aumento no preço de carnes e lacticínios. Os grãos e as oleaginosas tiveram aumento maior em relação aos preços dos alimentos básicos.
As perspectivas para a agricultura são positivas para o Brasil, segundo Brooks, pois o país enxergará mais oportunidades movidas pelo crescimento da produtividade, embora não tão grandes quanto as observadas nos últimos dez anos.
— A produtividade da carne e cereais vai aumentar no Brasil. A produção de biocombustíveis também tem crescido substancialmente.
Segundo o estudo, a projeção para a área das principais safras no país indica crescimento de 20% até 2024, chegando a 69,4 milhões de hectares, com crescimento anual de 1,5%. A estimativa leva em conta o uso da terra para oleaginosas, grãos brutos, arroz, trigo, cana de açúcar e algodão.
As oleaginosas, especialmente a soja, continuarão a predominar no uso da terra no país, respondendo por quase metade da área de colheita em 2024. Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor de soja no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. O relatório da FGV aponta que o Brasil tem o maior potencial para expandir ainda mais a produção, entre todos os países produtores.
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O preço da soja deverá permanecer relativamente alto na próxima década, aumentando em 6,9% ao ano. A produção da oleaginosa deve aumentar em 2,5% ao ano, alcançando 108 milhões de toneladas. Espera-se crescimento na área cultivada de soja em 23%, chegando a 34,3 milhões de hectares em 2024. O consumo deverá aumentar 2,3% ao ano.
André Nassar, secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, defende que, para expandir a produção, o Brasil precisa enfrentar o problema da logística, sobretudo no escoamento de milho e soja.
— Há probabilidade de isso [a solução para a falta de logística] acontecer no horizonte de 10 anos. Mas num prazo mais curto, talvez seja arriscado prever.
O secretário destacou que um departamento de logística está sendo estruturando no Ministério.
— Vemos que as exportações dos portos da região Norte do país já cresceram 20% em relação ao ano passado. A situação está melhorando, mas não transferiu ainda o ganho para o produtor.















