Preço do etanol cai mais de 7% em SP e reforça competitividade frente à gasolina em meio à guerra
Recuo do biocombustível torna a gasolina vendida nos postos ‘mais barata’ no Brasil
Economia|Da Reuters
Os preços do etanol cotados nas usinas de cana-de-açúcar do Estado de São Paulo, maior produtor e consumidor do combustível no Brasil, tiveram queda de mais de 7% na semana passada — com o mercado citando o aumento da oferta na safra 2026/27 e os preços do açúcar pressionados no cenário internacional, apontou nesta segunda-feira (20) o centro de estudos Cepea.
A queda de preços tende a favorecer o uso do biocombustível em detrimento da gasolina, em momento em que os valores dos combustíveis fósseis estão mais altos no cenário internacional por conta da guerra no Irã, avaliou a Argus, empresa especializada em dados e preços do setor de commodities e energia.
Ao mesmo tempo, o recuo do biocombustível torna a gasolina vendida nos postos “mais barata” no Brasil, já que o combustível fóssil é comercializado nas bombas com uma mistura obrigatória de 30% de etanol anidro, acrescentou a Argus, em análise à Reuters nesta segunda-feira.
A Petrobras, que detém grande parte do mercado de gasolina, está mantendo seus preços às distribuidoras, mas a oferta brasileira também é complementada com o derivado de petróleo importado, que ficou mais caro pela guerra, dando ao etanol hidratado vantagem.
Além disso, o país é abastecido, em menor medida, por refinarias privadas.
“A queda [do etanol] reflete o início da safra 2026/27 de cana, para a qual se espera uma produção recorde de etanol no centro-sul”, afirmou Maria Lígia Barros, responsável por precificação de etanol da Argus.
Segundo ela, esse movimento do etanol, simultaneamente à sustentação dos preços dos derivados de petróleo em função da guerra no Oriente Médio, deixa mais competitivo o biocombustível.
“A valorização da gasolina promoveu uma queda na paridade nacional para abaixo de 70% em março, antes do início da safra em 1º de abril”, disse Barros, referindo-se à regra que aponta que é mais vantajoso usar etanol hidratado quando este custa menos de 70% do que a gasolina.
Entre 13 e 17 de abril, o indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou a R$2,5920/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), recuo de 7,01% em relação à semana anterior.
O dado está próximo de pesquisa da Argus, que apontou uma queda semanal de 6,2% na cotação da usina (equivalente Ribeirão Preto).
Para o etanol anidro, o indicador do Cepea foi de R$2,9575/litro (sem PIS/Cofins), retração de 7,43% na mesma base de comparação.
A última vez que o etanol anidro — usado na mistura de 30% da gasolina — havia ficado abaixo de R$ 3 por litro havia sido em 1º de agosto do ano passado, destacou o Cepea, em análise.
O Brasil está no início do processamento da safra 2026/27, que deverá contar com uma produção recorde de etanol, com aumento do volume do biocombustível de cana-de-açúcar, além do de milho.
“No front interno, com uma possível maior oferta, os valores dos etanóis hidratado e anidro tendem a ser pressionados no ciclo 2026/27, e os preços nas bombas tendem a acompanhar o movimento de queda do segmento produtor. Esse contexto, por sua vez, deve aquecer as vendas de etanol no varejo”, afirmou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Na última semana, na média Brasil, os preços do etanol hidratado e da gasolina nos postos revendedores foram cotados em R$ 4,69/litro e R$ 6,77/litro, com quase nenhuma oscilação em relação à semana anterior (R$4,70/l e R$6,78), segundo dados da agência reguladora ANP.
Nos postos do Estado de São Paulo, o movimento foi semelhante, com o etanol cotado em média a R$ 4,52/litro (estável ante a semana anterior) e a gasolina a R$ 6,98/litro, com alta de R$0,01, apesar da queda acentuada de preço na usina.
Segundo dados do Cepea, o etanol hidratado na usina paulista registrou a quarta semana de queda seguida, enquanto no caso do anidro foi a terceira.
Já a Argus observou que o preço final ao consumidor reflete ainda custos e margens da revenda, estabelecidos de acordo com o livre-mercado.
Com as cotações do açúcar nas bolsas internacionais acumulando quedas, para uma mínima de cinco anos no caso do açúcar bruto, “o cenário que pode levar usinas a aumentarem o mix de etanol”, lembrou o Cepea, comentando que os valores do etanol comparativamente aos do açúcar devem motivar maior produção do biocombustível.
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