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Previsão é de que 30 mil podem ficar sem trabalho em Cubatão

Queda de arrecadação no ICMS seria de aproximadamente R$ 40 milhões por ano

Economia|Do R7

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Sindicato já homologou 1,1 mil demissões de associados que eram funcionários da Usiminas
Sindicato já homologou 1,1 mil demissões de associados que eram funcionários da Usiminas

Os impactos das demissões anunciadas no ano passado pela Usiminas (Ternium/Nippon Steel) no litoral de São Paulo ainda não atingiram a região com força total, mas serão fortemente sentidos nos próximos meses, avalia o vice-presidente do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista, Claudinei Rodrigues Gato. Desde outubro de 2015, o sindicato já homologou 1,1 mil demissões de associados que eram funcionários da Usiminas.

"A previsão é de que, com a desativação da produção de aço na fábrica, o número de pessoas que ficarão sem emprego possa chegar a 30 mil, somando os funcionários diretos, terceirizados e aqueles que trabalham em empresas que prestam serviços exclusivamente para a Usiminas", diz Gato.


Em Cubatão, onde o pátio da usina está instalado há décadas, a expectativa é ainda mais pessimista. A prefeitura já prevê quedas substanciais na arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto Sobre Serviços (ISS).

"Em um pior cenário, onde a Usiminas ficaria com apenas 30% de sua atividade, a queda de arrecadação no ICMS seria de aproximadamente R$ 40 milhões por ano (14% do total de arrecadação do tributo). A perda anual com o ISS seria de R$ 37 milhões (16% do total)", estima a administração.


Famílias

A desativação da produção de aço na Usiminas afetou diretamente a rotina de famílias como a do operador de máquinas Sérgio Claudio Araújo, de 55 anos, demitido no dia 1º de fevereiro de uma empresa de reciclagem de materiais pesados que mantinha 122 funcionários em Cubatão, todos a serviço da usina.


"Não sobrou ninguém em Cubatão, do gerente-geral ao faxineiro. Ainda estou assimilando a pancada, porque meu salário era a única renda da minha família, e avaliando qual rumo tomar", diz Araújo. "Nós já soubemos de 12 colegas que conseguiram emprego no Ceará e foram embora, mas eu não posso fazer isso porque preciso pensar nos meus filhos (de 20 e 12 anos) e na minha esposa, saber como uma mudança desse tipo afeta a vida deles", afirma o operador.

No comércio, a expectativa de retração nas vendas é geral. Para Nery Ambrozio, de 69 anos, dono de um estacionamento no centro, 2016 será um ano de estagnação. "Nós já percebemos uma redução de aproximadamente 20% no movimento e a tendência é piorar porque tem muita gente indo embora da cidade", diz.


Reações

Desde o anúncio de cortes feito pela Usiminas, o único contato exclusivo entre a prefeitura de Cubatão e a direção da empresa ocorreu no dia 18 de novembro do ano passado. "Depois disso, os encontros ocorreram na CPI do BNDES, em Brasília, em que a Usiminas foi ouvida, e nas rodadas de negociações no Ministério Público do Trabalho (MPT), onde também estavam representantes das entidades sindicais que representam os trabalhadores", informa a administração municipal.

Para tentar diminuir o impacto causado pelo fim da produção de aço, a prefeitura reformulou contratos e priorizou os serviços públicos. "Também buscamos novas fontes de arrecadação, porque infelizmente a cidade é muito dependente da produção industrial", diz Fábio Inácio, secretário de governo da Prefeitura de Cubatão. "Em médio prazo, queremos atrair novos empreendimentos e empresas para o município, principalmente os ligados à economia limpa e ao setor de tecnologia. Não está sendo uma tarefa fácil", ressalta o secretário.

Em nota enviada à reportagem, a Usiminas disse que "a diretoria executiva está trabalhando para aumentar a competitividade da empresa", destacando que manteve a área de laminação em operação na cidade. Também declarou que "a desativação das áreas primárias de Cubatão foi necessária porque o mercado siderúrgico vive a maior crise de sua história". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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