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Produtividade da construção brasileira melhora, mas ainda é quatro vezes menor que a dos EUA

Desempenho do setor no Brasil é “muito menor” do que o observado em países desenvolvidos

Economia|Alexandre Garcia, do R7

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Evolução dos dados mostra que o Brasil tende a cair para a última colocação do ranking nos próximos anos
Evolução dos dados mostra que o Brasil tende a cair para a última colocação do ranking nos próximos anos

A construção civil brasileira segue entre as menos produtivas em relação aos principias países do mundo. Entre 2003 e 2013, os dados nacionais melhoraram, mais ainda seguem a frente apenas da China e são quatro vezes menores do que os apresentados pelos Estados Unidos — país utilizado como base para o cálculo.

Segundo o levantamento divulgado pelo SindusCon-SP (Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo), em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas), que comparou a produtividade da construção em 17 países, o desempenho do setor no Brasil é “muito menor” do que o observada nos países desenvolvidos.


O vice-presidente do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, afirma que aumentar a produtividade é a tarefa mais urgente a ser tomada para que o setor, que deve finalizar 2015 com 557 mil vagas com carteira assinada a menos, é essencial para a retomada do crescimento da construção no País.

— Para a construção civil, não basta que o pedreiro faça uma parede mais depressa. [...] Não adianta você ter uma empresa extremamente produtiva em um ambiente improdutivo. O investimento interno em produtividade vai ser mais eficaz se ele for acompanhado de um ambiente externo do aumento de produtividade.


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No período usado para a análise dos dados, a produtividade nacional evoluiu 20,6%, mas deve cair para a última colocação, tendo em vista a evolução de 108% obtida pela China no mesmo intervalo. A coordenadora de projetos da FGV, Ana Maria Castelo, avalia o resultado como “decepcionante”.

— A gente vê que é questão de tempo a China nos ultrapassar. [...] O crescimento da produtividade da construção brasileira, sem dúvidas, está relacionado ao fato da própria dinâmica do crescimento.


De acordo com Ana, o intervalo usado para a realização do levantamento é exatamente o período em que o setor mais cresceu. No entanto, ela avalia que, o desenvolvimento das empresas não acompanhou o mesmo ritmo.

— De 2007 a 2013, o setor cresceu mais de 80%. Com certeza, isso ajudou a melhorar a produtividade, mas menos do que seria esperado pelo tamanho dessa evolução. Isso aconteceu porque a própria produtividade das empresas não melhorou nesse período.

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A coordenadora lembra que os principais desafios para melhorar a produtividade do setor podem ser solucionados com fatores externos (estrutura tributária, burocracia, custo do capital e previsibilidade) e internos (gestão, mão-de-obra qualificada, processo produtivo e fornecedores).

Veja o ranking completo e a evolução observada entre 2003 e 2013:

Espanha: 105,6% (+ 66,5%)

França: 104,7% (+ 12,1%)

Estados Unidos: 100% (+7,8%)

Holanda: 98,3% (+ 10%)

Reino Unido: 95,7% (+ 6,8%)

Suécia: 94,7% (+ 16,8%)

Canadá: 78,9% (+ 4,9%)

Alemanha: 78,7% (+ 17,2%)

Austrália: 75,2% (+ 5,9%)

Itália: 74,5% (- 0,6%)

Coreia do Sul: 67,7% (+ 17,9%)

Japão: 57,8% (+ 7,7%)

Índia: 42,1% (+ 62,3%)

Portugal: 37,2% (+ 8,9%)

Rússia: 26,3% (+ 7,9%)

México: 22,9% (- 2,9%)

Brasil: 20,3% (+ 20,6%)

China: 15,1% (+ 108,4%)

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