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Refinaria da Petrobras no Nordeste pode ter aval para capacidade máxima ainda neste ano

Economia|Do R7

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Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Refinaria do Nordeste (Rnest), da Petrobras, em Pernambuco, poderá conseguir uma licença para atingir a sua capacidade máxima de produção ainda neste ano, mais de 12 meses após iniciar a operação, caso a empresa concorde em processar um petróleo mais oneroso, com menor teor de enxofre, dentre outras exigências.

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A afirmação foi feita à Reuters pela presidente da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), Simone Souza.

Caso se confirme a nova licença, a Petrobras ampliaria sua capacidade de produção especialmente de diesel, o que resultaria eventualmente em redução de importações do combustível.

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A atual licença de operação, concedida pela agência de Pernambuco, permite que a empresa refine na unidade, também conhecida como Abreu e Lima, apenas 74 mil barris por dia (bpd), apesar de a refinaria ter capacidade para 115 mil bpd.

A licença para o uso da capacidade integral seria dada com alguns condicionantes, enquanto a Petrobras ainda não concluiu a construção de uma Unidade de Abatimento de Emissões (SNOX) obrigatória na Rnest, em meio a atrasos nas obras da refinaria, cujo orçamento total estourou em bilhões de reais, resultando em perdas para a estatal escancaradas pelas investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal.

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"No pedido de renovação da licença, eles pediram para atingir 115 mil barris (por dia), podemos autorizar... mas eles terão que cumprir a resolução 0390 do Conama (que estabelece regras para a emissão de gases na atmosfera)", afirmou Simone.

Para isso, a presidente da CPRH explicou que a petroleira estatal terá que processar um petróleo com menor teor de enxofre, que reduz as emissões de gases, mas que é mais caro, além de outras medidas, como substituir óleo por gás como combustível para a geração de energia elétrica dentro da planta de refino.

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"Nós fizemos exigências, agora a bola está com a Petrobras", afirmou Simone, explicando que a expectativa é que a renovação da licença, que venceu em novembro, ocorra até o fim deste ano.

Como a Petrobras está cumprindo as regras da agência e fez o pedido de renovação no tempo correto, ela poderá permanecer operando normalmente até que a licença seja renovada, eventualmente já com uma capacidade ampliada.

Segundo a presidente do órgão, há hoje três equipamentos medindo a emissão de gases da Rnest, que apontam para o cumprimento das regras.

Simone frisou, no entanto, que a agência não abrirá mão da construção do equipamento de abatimento de gases (SNOX).

Dessa forma, a licença deverá ser renovada por apenas mais um ano, dando tempo para que a companhia conclua as obras do equipamento, cuja construção já ultrapassou os 70 por cento e deverá inclusive reduzir o custo da unidade para a Petrobras.

"Quanto menos teor de enxofre, mais caro o óleo é... Quanto mais tempo para eles implantarem o equipamento, pior é financeiramente para a Petrobras", afirmou.

Simone evitou dar informações sobre quais os motivos para a Petrobras não ter concluído as obras do equipamento.

As obras foram interrompidas depois que o contrato com o consórcio EBE-ALUSA foi descontinuado, sob o impacto da operação Lava Jato.

Procurada, a Petrobras não fez comentários imediatamente sobre o assunto.

Segundo os últimos dados disponíveis no site da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Rnest processou cerca de 73 mil bpd em outubro. O projeto da refinaria prevê ainda a construção de uma nova unidade de refino (trem, no jargão do setor) de 115 mil bpd.

Localizada em Ipojuca, no Complexo Industrial Portuário de Suape, a 45 km do Recife, a Rnest entrou em operação no fim do ano passado, 34 anos depois da petroleira estatal ter construído sua última refinaria.

O principal produto da Rnest é o diesel S-10, cerca de 70 por cento, mas também produz outros derivados, como nafta, óleo combustível, coque, e gás liquefeito de petróleo (GLP).

O início da operação da Rnest reforçou a produção de derivados em 2015 no Brasil, reduzindo a necessidade de importações, principalmente de diesel.

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