Revisão do PIB do 4º trimestre de 2018 pode deixar Brasil em recessão
Recessão técnica é configurada sempre que um país atravessa dois trimestres seguidos de queda na produção de bens e serviços
Economia|Alexandre Garcia, do R7

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga na manhã desta quinta-feira (30) o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro do primeiro trimestre de 2019. O índice leva em conta a soma de todos os bens e serviços produzidos em território nacional.
Caso as expectativas de queda do indicador sejam confirmadas e também ocorra uma revisão para baixo do crescimento de 0,1% registrado nos últimos três meses de 2018, a economia brasileira entrará novamente em recessão técnica.
“Eu acredito que vai ter a revisão, mas não vejo isso como algo substantivo que vá tirar o sono dos brasileiros”, afirma o professor de economia do Ibmec Alexandre Espírito Santo. Ele analisa a possível recessão técnica apenas como um fator que tende a “acelerar ainda mais o desânimo” na retomada de crescimento do Brasil.
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A recessão técnica é configurada sempre que um país atravessa dois trimestres seguidos de queda no volume das riquezas produzidas, na comparação com o trimestre imediatamente anterior.
Apesar de existir a possibilidade, a pesquisadora Juliana Trece, do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), descarta a volta da economia nacional à recessão após as divulgações desta quinta-feira.
"Para isso acontecer, os dados do primeiro trimestre teriam que ser muito piores do que os projetados", observa Juliana, que deixa a hipótese da recessão técnica neste momento.
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A última vez em que a economia brasileira atravessou trimestres consecutivos de baixa no PIB foi no final de 2016, quando o indicador com a soma de todos os bens e serviços produzidos em território nacional acumulou oito trimestres seguidos de queda.
Expectativas
As previsões do mercado financeiros apostam que a divulgação do PIB do primeiro trimestre traga um resultado próximo à estabilidade.
Enquanto a FGV mostra a retração de 0,1% da economia no período, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) aposta na queda de 0,68% da atividade econômica nos três primeiros meses de 2019.
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De acordo com Juliana, do Ibre, o atual ambiente econômico nacional é fruto das várias incertezas que deixam os empresários cautelosos. “Os números apontam para um resultado pior do que o esperado no início do ano e ao final do ano passado”, afirma ela.
"Tudo está meio patinando agora. Às vezes até melhora um pouco, mas não dá seguimento. Até estabelecer uma maior certeza do que vai acontecer, eu acho que a economia vai continuar assim", avalia a pesquisadora.
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Espírito Santo classifica um resultado negativo neste momento como uma "ducha de água fria" para a economia nacional. "Nós temos realmente problemas de tração, com a economia muito desaquecida, capacidade ociosa e desemprego", destaca ele.
O professor do Ibre menciona ainda a aprovação das reformas estruturais como a melhor forma de interromper as expectativas ruins e fazer o Brasil voltar a crescer. "Sem reforma, eu acho muito difícil a gente reverter esse desconforto que tomou conta da economia, da indústria, dos serviços desaquecidos e do consumo das famílias que está fraco por conta do desemprego."















