Sem novo "Levy" na gestão da Petrobras as ações da companhia despencaram
O mercado financeiro reagiu negativamente à nomeação de Aldemir Bendine ao cargo de CEO
Economia|Do R7

O mercado reagiu negativamente à nomeação de Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil, ao cargo de CEO da Petrobras. A escolha foi anunciada pelo Conselho de Administração da companhia nesta sexta-feira (6). As ações ordinárias da companhia terminaram o dia valendo R$ 9,03, resultado alcançado após uma queda de 6,52%. Já a ação preferencial ficou em R$ 9,12, em queda de 6,94%.
Analistas consultados pelo R7 foram enfáticos ao afirmar que a indicação de um executivo ligado ao governo desagradou os investidores, fato que fez a empresa se desvalorizar na Bolsa.
"O mercado esperava um sinal semelhante ao dado pela presidente Dilma Rousseff ao escolher Joaquim Levy para gerenciar o Ministério da Fazenda. Eles queriam um ortodoxo, ou seja, um novo 'Levy' na Petrobras. A escolha de um nome ligado ao governo decepcionou", disse Silvio Campos Neto, economista da consultoria Tendências.
— A indicação de Bendine como CEO passou a impressão de que o governo pode continuar interferindo na gestão da Petrobras para fazer política. No ano passado, a empresa foi usada para garantir o controle da inflação e teve que bancar o congelamento dos preços dos combustíveis. Essas decisão foi muito negativa.
Raphael Figueredo analista da Clear Consultoria aponta que a movimentação de hoje das ações da petrolífera reflete o que já vem acontecendo com a empresa nas últimas semanas.
— O papel andou à mercê de todas as especulações da mídia sobre os escândalos de corrupção da Lava-Jato e da nomeação do substituto da ex-presidente da Petrobras Maria da Graça Foster. Nesta semana, a volatividade foi alta. Tivemos uma grande alta em dois dias, com ações ganhando quase 20% e hoje uma queda acentuada de mais de 7%.
Petrobras desaba com escolha de novo presidente e derruba Bovespa
De estagiário a presidente do Banco do Brasil: conheça Aldemir Bendine
Montanha russa
Os especialistas apontam que as especulação do mercado com a Petrobras deve continuar nos próximos meses. Para confirmar sua tese, eles relembram que desde o ano passado os investidores estão "jogando contra o governo" e tentando recolocar a bola nas mãos do setor privado.
Para Neto, o sobe e desce das ações só deve ser atenuado quando a companhia apresentar um balanço auditado das perdas com os esquemas de corrupção que estão sendo investigados.
Já Figueredo comenta que este movimento tende a continuar nos próximos meses porque os resultados financeiros e de gestão da companhia estão muito negativos.
— A Petrobras está altamente endividada, com caixa limitado e precisa buscar financiamento no mercado. Hoje ela não inspira confiança. A nova gestão precisa garantir que haverá uma melhora no desempenho financeiro e na gestão para estabilizar o preço das ações no mercado.














