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Supermercados lideram compras por impulso dos brasileiros, revela pesquisa

Especialistas alertam que esse tipo de comportamento pode comprometer finanças pessoais

Economia|Do R7

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Promoções estimulam compras não planejadas e podem ser vilãs
Promoções estimulam compras não planejadas e podem ser vilãs

É difícil conhecer alguém que entra no supermercado para comprar apenas o necessário e não sai com mais produtos do que deveria. É algo que muita gente trata como natural, mas esse hábito pode comprometer as finanças pessoais.

Segundo pesquisa do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), feita em parceria com a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), é justamente nos supermercados que os brasileiros mais compram por impulso.


Feito com 605 pessoas, o estudo foi divulgado nesta quarta-feira (26). Os entrevistados revelaram que um terço das compras que fazem por impulso acontece nos supermercados. Em seguida, aparecem as compras de roupas (19,2%) e de eletrônicos (13,2%).

Quem lidera esse tipo de comportamento são as mulheres, jovens e pessoas das classes C, D e E. A principal justificativa é o fato de não deixar passar o que julgam ser uma boa oportunidade.


Para 30% dos entrevistados, a tentação é visual. Eles argumentam que, ao ver algo na vitrine, entram na loja. Mas a vontade de consumir é ainda maior na internet.

As redes sociais foram responsáveis por compras sem planejamento de quatro em cada dez entrevistados. Outros 49,3% disseram ter adquirido algo por impulso após ouvirem familiares.


Se já é difícil se segurar com um item custando o preço normal, em promoção, então, é ainda pior. Isso também foi evidenciado pela pesquisa. Oito em cada dez consumidores garantem que compram por impulso ao ver algo em oferta.

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, lembra que a promoção nem sempre é algo bom, principalmente para quem não tem controle das finanças.


— Nesse caso, as promoções podem ser as vilãs dos consumidores que não têm planejamento financeiro e dos que, ainda que tenham, não conseguem resistir aos apelos promocionais no ponto de venda.

O comportamento impulsivo se agrava no atual momento da economia brasileira. Isso porque a inflação oficial medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) já acumula alta de 9,57% nos últimos 12 meses.

Parcelamento

No mês de julho, os juros do rotativo do cartão de crédito chegaram a 395,3% ao ano. Isso significa que se as contas apertarem e não sobrar dinheiro para pagar o cartão na íntegra, o risco de a dívida virar uma bola de neve é muito alto.

A pesquisa do SPC Brasil mostrou que três em cada dez compras parceladas foram feitas por impulso. A boa notícia é que a maioria dos entrevistados garante que paga à vista.

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Contendo o impulso

José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil, diz que um simples momento para refletir antes de comprar pode ser o suficiente.

— Neste intervalo, a pessoa pode pensar duas vezes e reavaliar se realmente precisa ou pode comprar o produto.

Essa estratégia funciona para 57% dos entrevistados, destacando-se consumidores das classes A e B e os mais escolarizados. Quem insiste na compra pode se sentir angustiado depois. Segundo a pesquisa, 28,7% afirmaram que ficam estressados ao perceber que vão ter que trabalhar muito para pagar o produto. Outros 28,3% admitiram preocupação por não saber se sobrará dinheiro para quitar as parcelas.

A economista-chefe do SPC alerta para o risco de as compras por impulso levarem a pessoa a ficar com o nome sujo.

— É sempre bom ter em mente que a satisfação gerada pelo consumo impulsivo pode, rapidamente, trazer consequências negativas para a vida financeira das pessoas, transformando-se em grandes transtornos a longo prazo, por meio de dívidas para pagar e até mesmo uma possível inadimplência.

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