Usar etanol em SP não é mais vantajoso, aponta estudo
Diferença entre álcool combustível e gasolina atingiu menor nível em cinco anos
Economia|Do R7

Abastecer o carro com etanol na cidade de São Paulo deixou de ser vantajoso no começo deste mês. Conforme dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), a relação entre o preço do álcool combustível e o da gasolina subiu para o nível de 71,42% na primeira semana de fevereiro — a maior marca dos últimos quatro anos para o período.
O número vem na contramão do verificado ao longo de janeiro, quando a equivalência entre os preços atingiram níveis históricos de baixa desde 2009.
Na quarta semana do mês passado, a relação estava em 68,10%. Naquela ocasião, o movimento ainda captava os efeitos dos reajustes dos combustíveis promovidos no final de 2013. Em nota, a Fipe comentou o resultado.
— É curioso que janeiro foi muito bom na comparação com o mesmo mês de anos anteriores.
Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do motor a etanol é de 70% do poder dos motores a gasolina. Entre 70% e 70,50%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque.
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De acordo com o coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), o economista Rafael Costa Lima, o fato de os preços do etanol não estarem competitivos na capital paulista pode refletir a sazonalidade desfavorável do período, por causa da entressafra da cana-de-açúcar. Normalmente, a relação entre o valor do álcool combustível e o da gasolina tende a ficar desfavorável em meados de dezembro e janeiro.
Na Fipe, no âmbito do IPC, que mede a inflação na cidade de São Paulo, os preços do etanol subiram 0,36% na primeira quadrissemana de fevereiro (últimos 30 dias terminados na sexta-feira), enquanto a gasolina teve alta de apenas 0,02%.
— Provavelmente, o aumento (do etanol) está vindo com mais força em fevereiro e deve continuar, pois na ponta (pesquisas mais recentes), está avançando na faixa de 1%.
Segundo Costa Lima, com a perspectiva de novas elevações do combustível derivado da cana, o grupo Transportes deve seguir pressionando o IPC ao longo do mês. Na primeira leitura de fevereiro, o grupo teve variação de 0,76%, após 0,60% no final de janeiro.
— É possível que volte a acelerar por causa do etanol.
O IPC-Fipe, por sua vez, teve inflação de 0,86% na primeira leitura de fevereiro, depois de alta de 0,94% no fechamento do mês passado.















