Economia 'Vemos recuperação lenta, mas aparentemente sólida', diz BB

'Vemos recuperação lenta, mas aparentemente sólida', diz BB

Rubem Novaes avalia que a agricultura brasileira não sentiu os efeitos da crise, enquanto a indústria e o comércio se adaptaram bem à nova realidade

Agência Estado - Economia
'Nenhum banco terá prejuízo', afirma presidente do BB

'Nenhum banco terá prejuízo', afirma presidente do BB

Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O presidente do BB (Banco do Brasil), Rubem Novaes, avaliou nesta sexta-feira (17)  que já é possível perceber uma recuperação lenta, mas aparentemente sólida, da economia.

"Claramente já há uma tendência de recuperação na economia. Tivemos uma queda brusca, e vamos para uma recuperação de forma alongada. Os resultados têm surpreendido positivamente, diversos economistas estão revendo suas projeções e próprio governo já prevê uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo de 5% em 2020", afirmou Novaes, em teleconferência organizada pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

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Segundo o executivo, a agricultura brasileira não sentiu os efeitos da crise causada pela pandemia, enquanto a indústria e o comércio se adaptaram bem à nova realidade de vendas remotas.

"O setor de serviços ainda sofre bastante, porque requer presença do consumidor. Além disso, a proposta de reforma tributária patrocinada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) penaliza o setor de serviços", acrescentou.

Perdas

O executivo afirmou que os programas emergenciais de crédito executados durante a crise não impõem perdas aos bancos públicos e nem aos privados. Ele lembrou que o Tesouro Nacional assumiu 85% do risco do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte).

"Nenhum banco terá prejuízo, ao contrário do que aconteceu em outros governos passados que usaram o BB e a Caixa em programas que geraram perdas. Não nos foi imposto nenhum ônus. Programas são vantajosos para o banco e seus acionistas", afirmou.

Novaes repetiu que o sistema bancário tem expandido o crédito em grande velocidade, mas voltou a admitir que a demanda por financiamentos cresceu muito mais na crise. Embora muitas regiões continuem determinando medidas de isolamento social para conter o novo coronavírus, o presidente do BB defendeu a retomada da atividade.

"Já passado o pico da demanda por UTIs e respiradores em muitas cidades, precisamos deixar a população trabalhar. É preciso ter equilíbrio correto entre epidemia e economia. É preciso seguir protocolos de segurança no retorno, mas não podemos impedir as pessoas de lutarem por sua sobrevivência", completou.

Inflação

Novaes avaliou que a inflação deve voltar a subir após a crise decorrente da pandemia de covid-19. "Quando o montante de moeda empoçada voltar a circular, a inflação pode subir um pouco", afirmou.

Novaes evitou, no entanto, fazer qualquer comentário sobre taxas de juros no horizonte à frente. "O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fica bravo com a gente quando comentamos sobre política monetária", brincou.

No último Relatório Focus, os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - em 2020 de alta de 1,63% para 1,72%. A projeção para o índice em 2021 seguiu em 3,00%.

No mês passado, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic (a taxa básica da economia) em 0,75 ponto porcentual, de 3% para 2,25% ao ano.

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