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Volume de financiamentos imobiliários cai 38% em 2016 e atinge menor nível desde 2009

Queda nos financiamentos com recursos da poupança é reflexo de desemprego e juros altos

Economia|Do R7

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Financiamento, imóvel, corretor, aluguel Getty Images

O financiamento imobiliário com recursos da poupança no Brasil voltou a cair forte em 2016, refletindo a demanda debilitada por desemprego e juros altos, mas a expectativa do setor para este ano é de lenta recuperação.

Os empréstimos concedidos pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) no ano passado para compra e construção de imóveis totalizou R$ 46,6 bilhões, queda de 38,3% ante 2015 e o menor nível desde 2009, afirmou nesta terça-feira (24) a Abecip (Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).


O mercado imobiliário como um todo só não teve desempenho pior porque o financiamento ao setor com recursos do FGTS cresceu 18,5% no ano passado, a R$ 64 bilhões, superando o SBPE, o que não acontecia desde pelo menos 2005.

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Os dados vêm na esteira dos saques na caderneta de poupança, a principal fonte de financiamento imobiliário no País nos últimos dois anos. Em 2016, os resgates líquidos na aplicação somaram R$ 40,7 bilhões, isso após saída de R$ 53,6 bilhões no ano anterior.

Segundo o presidente da Abecip, Gilberto de Abreu Filho, com o cenário de queda da inflação e consequentemente dos juros, a tendência é que o mercado deve se estabilizar neste ano, com o financiamento pelo SBPE podendo até crescer 5%.


— Não vai ser um ano de grandes rompantes no mercado, mas podemos começar a ver uma reação moderada.

Segundo ele, em média, o juro cobrado pelos bancos para financiar a compra de imóveis já está ao redor de 10,5%, ante 11,5%em 2016, o que deve estimular a tomada de empréstimos pelas famílias.


Além disso, pontuou Abreu Filho, a queda nos preços dos imóveis deve contribuir para aumentar a demanda. O índice da Abecip IGMI-R apontou queda de 2,47% nos preços de imóveis residenciais no País em 12 meses até novembro.

Recuperação Judicial

Para construtoras e incorporadoras, no entanto, 2017 promete ser um ano tão ou mais difícil do que os anteriores, dado os elevados volumes de dívida bancária acumulados.

De acordo com Abreu Filho, o volume de lançamentos deve ficar estável em relação ao ano passado, com as construtoras ainda se concentrando em se livrar do excesso de estoques.

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E apesar dos sinais de lenta recuperação da economia, isso não virá a tempo de livrar algumas empresas do setor de pedir recuperação judicial. "Esperava-se que as construtoras conseguissem resolver dívida bancária gerando caixa, o que, em alguns casos, não aconteceu", disse. No primeiro semestre, algumas poderão ir para recuperação [judicial]", adicionou Abreu Filho, sem citar nomes.

Em setembro, a construtora Viver pediu recuperação judicial, num processo envolvendo dívidas de cerca de R$ 1 bilhão.

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