"A educação mudou a minha vida", diz jovem que viveu em garagem
Programa de capacitação resgata a autoestima de meninos e meninas em situação de alta vulnerabilidade e ajuda a ingressar no mercado de trabalho
Educação|Karla Dunder, do R7

Cledson Carrilho dos Santos estuda marketing em uma universidade, mora com a mãe e mais três irmãos. “Eu vivi na rua, mas a educação mudou minha vida”, diz. “Só minha mãe trabalhava em casa, eu tentava ajudar como camelô vendendo coisas na rua ou fazendo bicos em buffet”.
Para não ficar ao relento, a família conseguiu abrigo na garagem de um pastor, mas a vida era muito precária. “Um amigo me indicou um curso, que foi um divisor de águas. Descobri muitas qualidades em mim e passei a usá-las, sei que tenho capacidade para executar as coisas que gosto de fazer”.
Após o processo de capacitação, Cledson ingressou no Programa de Aprendizagem em uma rede de farmácias e com a melhora na renda, conseguiu mudar com a família para uma casa. “Atualmente eu trabalho como aprendiz em uma agência publicitária, além de cursar uma faculdade”, diz. “Uma grande conquista foi ajudar a minha mãe a montar o salão de beleza dela”.

Aos 15 anos, Ana Carolina Pereira Oliveira perdeu a mãe. Assumiu muito cedo a responsabilidade de cuidar das irmãs mais novas e da casa. A situação financeira também se deteriorou. “Depois que minha mãe morreu, meu pai ficou muito abalado e parou de trabalhar”, conta.
Ana se tornou uma menina tímida, reservada, fechada em casa e com mania de limpeza. “Foi uma fase muito difícil, não tinha um bom relacionamento com meu pai e não acreditava que poderia ser alguma coisa na vida quando soube de um curso de capacitação”.
Como estudava à noite, Ana Carolina começou a participar dos cursos do Instituo Ser +. “Eu participei de muitas atividades de autoconhecimento e percebi o quanto sentia falta da minha mãe, o quanto sofria e, ao mesmo tempo, descobri em mim uma série de habilidades, percebi que era possível seguir em frente, a vida continua”.
Além de trabalhar com a autoestima, Ana participou de aulas de reforço de matemática e português, informática e de como se comportar em uma entrevista de emprego. Os laços com a família e o relacionamento com o pai também foram resgatados.
“Participei do programa jovem aprendiz de uma grande empresa e hoje trabalho como auxiliar de escritório”. Ana também cursa uma faculdade e trabalha como voluntária no Instituto. “Eu sou uma pessoa muito mais feliz. Meu sonho? É poder dar uma vida mais estável para a minhas irmãs”.
O Instituto Ser + nasceu em 2007 e tem como objetivo “dar aquele empurrãozinho” na vida de meninos e meninas entre 15 anos e 24 anos. “Atendemos jovens em situação de vulnerabilidade social, trabalhamos o autoconhecimento, o resgate da autoestima e a capacitação, ingressar no mercado de trabalho é apenas uma consequência”, explica Wandreza Ferreira, diretora executiva do Instituto.













