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Alunos do interior do RN usam lixo reciclado para melhorar a vida de deficientes físicos

Cadeira de rodas controlada por joystick de videogame está entre invenções premiadas 

Educação|Por Filipe Siqueira, do R7

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Na inauguração da sala, o aluno Bruno Henrique (à esq.), Mario Laffiti, da Samsung (sem óculos); Ivanês (à dir) e Elba
Na inauguração da sala, o aluno Bruno Henrique (à esq.), Mario Laffiti, da Samsung (sem óculos); Ivanês (à dir) e Elba

No sertão nordestino, a iniciativa de um grupo de alunos com espírito empreendedor tem apontado respostas para alguns dos problemas educacionais do Brasil. São 33 estudantes da Escola Tristão de Barros, em Currais Novos, uma cidade de 42 mil habitantes a 172 km de Natal, capital do Rio Grande do Norte.

Os alunos são integrantes do Projeto Equilíbrio, idealizado pelo professor de Física Ivanês Reis, e criam dispositivos tecnológicos para deficientes com produtos reciclados da comunidade local.


Todo o esforço foi reconhecido com a seleção do projeto para o concurso Respostas para o Amanhã, promovido pela Samsung. O concurso reuniu 364 iniciativas que envolveram 8.600 alunos em todo o Brasil. A escola e a cidade estavam em clima de festa com a entrega do prêmio e a inauguração da chamada Smart School no último dia 2: uma sala interativa com 50 tablets, uma smart TV de 60 polegadas, conexão banda larga e mesas modulares que permitem aos professores reunir os alunos de formas personalizadas.

Invenções para deficientes


O projeto foi vencedor com três invenções bastante inovadoras. A primeira é uma bengala que ajuda cegos a detectarem obstáculos. O item utiliza um sensor de proximidade de veículos, um emissor bluetooth e um vibracall. Em funcionamento, vibra quando um obstáculo surge à frente.

Na mão do professor Ivanês, a bengala desenvolvida pelos alunos
Na mão do professor Ivanês, a bengala desenvolvida pelos alunos

Outra invenção acoplou uma câmera na parte de baixo do mouse, o que permite que letras de livros sejam ampliada em até 20 vezes, o que ajuda bastante deficientes que perderam parte da visão.


A terceira invenção é uma cadeira de rodas elétrica facilmente controlada por um joystick de videogame, e que ainda se mostra sustentável ao alimentar parte da bateria com o próprio movimento da cadeira.

Durante uma entrevista, o professor Ivanês ressaltou a importância do envolvimento dos alunos em atividades práticas durante o ensino. Quando questionado sobre possíveis patentes para as invenções, ele rechaçou a ideia.


— Nosso objetivo é ajudar deficientes e envolver alunos em atividades práticas da Física e não a produção industrial.

O aluno Bruno Henrique Oliveira, um dos líderes do Projeto, concordou.

— Gostamos de trabalhar com a cultura do "faça você mesmo" e nossa meta é espalhar nossas invenções e não retê-las através de uma patente.

Ivanês afirma também existir uma clara preocupação com a responsabilidade do equipamento e aprendizado dos alunos. Segundo ele, as invenções são eternos protótipos pois serão sempre aperfeiçoadas por novas turmas.

Reconhecimento nacional

A diretora Elba Alves dá um panorama mais amplo do projeto e da consequente premiação da iniciativa. Elba lembra que a Escola Tristão de Barros é adepta do Atendimento Educacional Especializado, focado em incluir alunos com deficiência física e mental entre todos os programas de ensino.

Na sala interativa estão 50 tablets, uma TV e conexão banda larga
Na sala interativa estão 50 tablets, uma TV e conexão banda larga

A iniciativa foi remodelar completamente o laboratório de Física, que passou a focar em atividades práticas e não apenas em experiências descritas em livros. Segundo Ivanês, foi essa necessidade de envolver os alunos com deficiência — a escola possui 30 alunos deficientes apenas entre os três terceiros anos de ensino médio — que iniciou as práticas no laboratório de física.

A metodologia da Tristão de Barros, bem como as invenções, resultaram em convites de todo o Brasil para expor a pedagogia da escola. A diretora espera que o reconhecimento na forma de prêmios importantes seja fundamental para que outras escolas evoluam seus métodos de ensino.

O resultado, na prática, também é bastante promissor: em 2014, 41 alunos da escola foram aprovados em universidades, nove deles integrantes do grupo do Projeto Equilíbrio.

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