Especialista destaca abordagem de temas atuais e questões interdisciplinares na Fuvest
Mais de 142 mil candidatos se inscreveram para a prova de 90 questões
Educação|Do R7*

A Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) realizou neste domingo (29) a primeira fase do vestibular 2016 da USP (Universidade de São Paulo). Para o diretor pedagógico da Oficina do Estudante de Campinas, Célio Tasinafo, o destaque foi a abordagem escolhida nas questões interdisciplinares.
Segundo ele, essas questões abordaram temas atuais e amplamente discutidos. Das 90 questões da primeira fase, nove são interdisciplinares.
— Na prova de linguagens, um texto sobre ditadura no Brasil que, com mais conhecimento de história, o candidato poderia mandar bem. Outra questão a se destacar foi a de inglês, falando sobre a dengue e o mosquito aedes aegypti. Mesmo com o texto em outra língua, o candidato que está antenado com o que está acontecendo poderia compreender melhor a questão.
Veja: mais de 140 mil candidatos fazem prova da Fuvest neste domingo
Segundo Tasinafo, os candidatos que querem disputar cursos mais concorridos, como o de medicina, por exemplo, precisam garantir essas questões.
— Como elas envolvem um conhecimento mais abrangente, certamente fazem diferença em um curso como o de medicina, que tem candidatos extremamente bem preparados.
Para Paulo Morais, diretor de ensino do Anglo Vestibulares, a prova foi bastante atual e cobrou que o candidato analisasse as questões, e não somente aplicasse o conteúdo aprendido.
— É uma prova mais moderna, que não cobra somente o conteúdo. É preciso uma análise, é uma questão mais complexa.
Também diz que a prova da Fuvest já é consolidada e dificilmente surpreende.
— Em todas as disciplinas há questões fáceis, médias e difíceis. É uma prova complicada e sempre esperamos uma exigência maior. A Fuvest sempre cobra um vocabulário menos usual, principalmente em história e geografia. Às vezes o contexto não é tão difícil, mas os termos da prova são mais complicados.
Para Morais, a área de exatas foi muito difícil, principalmente matemática e física.
— No geral, é uma prova difícil. Biologia e história tiveram questões mais fáceis, mas a parte de exatas exigiu muito conteúdo dos candidatos.
Tasinafo critica a parte de exatas do exame, pois acredita que poderia ser mais contextualizada, como as provas de história e geografia.
— Em matemática, a maioria das questões cobra conteúdo de maneira direta. Fica um pouco distante da tendência de contextualizar e aproximar os temas da realidade do estudante. Física e química mantiveram esse mesmo padrão, principalmente na parte de química orgânica.
Já em literatura, Tasinafo ressalta que todas as obras de leitura foram cobradas.
— Uma leitura superficial não garante a resposta das questões. É preciso uma análise um pouco melhor. Não são livros simples, mas quem leu e prestou atenção nas aulas de análises das obras consegue se decidir melhor entre as alternativas.
Outro destaque de Morais foi o tamanho das questões. Segundo ele, elas ficaram mais longas, com mais textos.
— Não é possível comparar com o Enem, que tem bastante compreensão de texto, mas houve muitos textos, o que pode ser um perigo para os candidatos, por causa do tempo da prova.
* Colaborou Brenno Souza, estagiário do R7














