Festa alvo de denúncias, Show Medicina tem estande oficial durante matrícula de alunos da USP
Em audiência na Assembleia, alunos disseram que humilhações e prostituição marcam evento
Educação|Mariana Queen, do R7

Alvo de denúncias à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo, a festa “Show Medicina” montou uma espécie de estande dentro das dependências da Faculdade de Medicina da USP na quarta-feira, primeiro dia de matrícula dos calouros.
Um grupo de veteranos vestia camisetas pretas e reunia-se em torno de uma mesa ao lado de um estandarte com a inscrição “72º Show Medicina” bordada com lantejoulas.
Antes, o evento já havia chamado a atenção por uma peça publicitária chamando estudantes para a festa ter sido pintada sobre um grafite que havia em um túnel que liga a avenida Paulista à avenida Rebouças.
A Faculdade de Medicina afirmou que não poderia se pronunciar porque o porão — nome dado ao local onde foi feita a recepção — é um espaço de circulação de estudantes e, de acordo com a entidade, o Show Medicina não tem um espaço demarcado oficialmente.
Outras organizações de alunos também montaram estandes — entre elas, o grupo feminista que ajudou a denunciar os supostos abusos.
Durante a apresentação dos grupos de extensão, o clima foi tranquilo. Nem mesmo trotes como pintura e corte de cabelo foram registrados pela reportagem. Os calouros estavam com os familiares conhecendo as propostas de cada grupo estudantil da unidade.
Representantes do “Show Medicina” não quiseram falar com a reportagem sem a presença do assessor de imprensa, que não estava no momento.
Posteriormente, por telefone, Lucas Severo Pecorino, 21, disse que é aluno do 3ª ano de medicina na USP e já participou de duas edições do “Show Medicina”, que existe desde 1994. Atualmente como diretor-secretário do evento, o estudante justifica por que a instituição — forma como os participantes chamam a atividade — marcou presença no primeiro dia de matrícula.
— O estande é justamente para apresentar a instituição para os calouros e passar um pouco da nossa programação para eles. [...] As mudanças vêm sendo discutidas há algum tempo. Os relatos mais antigos fazem a gente pensar em muitas coisas, mas não temos nada de concreto, porque são muitos membros e todos têm que dar opinião, inclusive as meninas.
Pecorino afirma ainda que os cerca de 110 integrantes da organização do evento não pretendem por fim à tradição teatral.
— Mudanças [na estrutura do evento] vêm sendo discutidas há algum tempo. Os relatos mais antigos fazem a gente pensar em muitas coisas, mas não temos nada de concreto, porque são muitos membros e todos têm que dar opinião, inclusive as meninas.













