Educação Jovem com doença rara supera dificuldades e se forma em Direito

Jovem com doença rara supera dificuldades e se forma em Direito

Condição conhecida como Síndrome de Morquio causa alterações ósseas como baixa estrutura desproporcionada e problemas articulares

  • Educação | Sofia Pilagallo, do R7*

Jaqueline Aguiar pretende se especializar em Direito de Saúde

Jaqueline Aguiar pretende se especializar em Direito de Saúde

Arquivo pessoal

Com apenas 6 anos de idade, a mineira Jaqueline Aguiar, influenciada pelas novelas televisivas da época, já dizia aos amigos e familiares que um dia seria advogada. Hoje, aos 25, ela é recém-formada em Direito pela Uniube (Universidade de Uberaba) e está prestes a realizar o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

O feito é fruto de muito esforço e dedicação. Além de ter uma condição rara conhecida como Síndrome de Morquio, que causa alterações ósseas como baixa estrutura desproporcionada e alterações articulares, a jovem, residente em Sacramento, em Minas Gerais, tinha que encarar 150km de estrada todos os dias para chegar à faculdade, sempre acompanhada pela mãe.

"Eu consigo andar, mas com uma certa dificuldade, às vezes, sinto muitas dores, então minha mãe tinha de estar sempre comigo, carregando meus livros e me ajudando no que fosse preciso", conta.

Para Jaqueline, a universidade nunca foi um ambiente hostil – ela, inclusive, sempre recebeu o incentivo de todos os seus colegas e professores. O bullying e o preconceito, no entanto, sempre a acompanharam ao longo da vida.

"Quando cheguei no terceiro médio e decidi que iria prestar vestibular para Direito, muita gente me falou: 'mas você é deficiente, vai dar trabalho. Por que você vai mexer com isso?'". "No começo, eu ficava chateada, mas depois isso me motivou: Eu pensava: 'se eles estão me desestimulando, é porque eu sou capaz'."

Lutar contra o preconceito é certamente um dos objetivos profissionais da jovem – mas não é o único. Segundo ela, a vontade de cursar Direito surgiu mais fortemente quando, ao longo do tratamento da síndrome, realizado em um hospital de Sacramento, percebeu que muitas pessoas com deficiência não tinham seus direitos assegurados.

"Eu via muitas mães com muita dificuldade para conseguir medicamentos de alto custo para seus filhos deficientes, e pensava que havia de ter um jeito de ajudar essas pessoas. A partir dessa reflexão, veio o estalo", relata.

Passado o exame da OAB, Jaqueline pretende dar o próximo passo e fazer uma pós-graduação em Direito de Saúde. "Foram cinco anos de muita luta e ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas sei que vou conseguir. E, como eu, todos são capazes de alcançar seus objetivos. Basta querer, acreditar e correr atrás."

*Estagiária do R7 sob supervisão de Karla Dunder

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