Jovens criam plataforma para combate da violência doméstica
Estudantes e profissionais de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, ficaram em segundo lugar no Global Legal Hackathon
Educação|Karla Dunder, do R7

Pamela Carlet é estudante do primeiro semestre do curso de Direito e em conjunto com outros calouros, universitários e profissionais da área desenvolveu o projeto Eva Bot, uma solução baseada em inteligência artificial para auxiliar mulheres vítimas de violência doméstica a fazer denúncias de forma rápida e online.
A iniciativa inovadora ganhou o segundo lugar no Global Legal Hackathon (GLH), evento organizado pela OAB de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, por intermédio da Comissão de Direito Digital e Startups. A premiação internacional tem como objetivo estimular o desenvolvimento de soluções criativas voltadas ao universo jurídico.
“A ideia era trazer soluções para problemas da sociedade”, conta Pamela. “Durante o evento, surgiu a ideia de criarmos uma plataforma que as mulheres que sofrem abusos pudessem fazer uma denúncia anônima, fomos a campo e descobrimos que a maioria não tinha informações sobre o assunto, não sabiam para onde ligar e denunciar, nem mesmo como identificar um abuso”.
Uma experiência que mudou o olhar da estudante. “Percebi o quanto o Direito é amplo e como impacta a vida das pessoas”, diz. A ideia foi contemplada com R$ 3 mil e os estudantes terão direito a um ano de assistência de uma incubadora de projetos. "Passamos 54 horas trabalhando no projeto sem parar neste ano e agora vamos aprimorar o Eva".
Entre os participantes estão três estudantes do primeiro ano do curso de Direito da Anhanguera: Pamela Carlet, Patrícia Aparecida Carlet e Ordilei Nogueira Dias. Também fazem parte do grupo profissionais e universitários do meio jurídico e outras áreas de conhecimento: Bruna Martins, Vinicius Guilherme Dal Magro, Frederico Carlos Barni Hulbert, Sabrina Porfúrio de Andrade e Rafaela Bueno.
“A intenção era encontrar um meio de comunicação rápido e de fácil acesso, independentemente do nível de instrução da pessoa”, explica Hulbert, um dos advogados do grupo. “A plataforma é uma fonte de informação, aconselhamento e uma forma de acesso aos canais das autoridades competentes”.
Plataforma
O protótipo Eva Bot funcionará como atendimento online para receber denúncias e atender vítimas de violência doméstica 24 horas por dia. As usuárias poderão se comunicar por meio de troca de mensagens com um robô (chatbot), que fará parte de sua lista de contatos como se fosse uma amiga real.
A conversa acontecerá por meio de um aplicativo de mensagem já instalado, sem a necessidade de fazer download de um app específico para esse atendimento, como acontece com outras soluções disponíveis. Isso visa proteger as mulheres, que muitas vezes têm seus celulares e computadores controlados pelo agressor.
Depois desse primeiro passo, as informações colhidas pelo chatbot serão analisadas e supervisionadas por uma plataforma colaborativa de profissionais especializados nesse tipo de atendimento, entre eles advogados e psicólogos. Por sua vez, os profissionais prestarão suporte à vítima.
O nome do projeto é uma referência à jovem brasileira Eva Luana da Silva que, no início desse ano, denunciou nas redes sociais o histórico de violência praticada pelo próprio padrasto. “Talvez esse nome venha a ser mudado para que o agressor não identifique a plataforma”, diz Pamela.
Atualmente, o projeto encontra-se em fase de captação de recursos para viabilizar o lançamento da plataforma online e do chatbot. Os interessados em apoiar a iniciativa, podem acessar o link: catarse.me/evabot.













