Quase dois mil funcionários da USP ganham mais de R$ 20,7 mil; maior salário chega a R$ 60 mil, diz jornal
Em outubro, o STF decidiu cortar a remuneração de quem recebe acima de R$ 20,6 mil em SP
Educação|Do R7

A USP (Universidade de São Paulo) terá de cortar o salário de 1.972 de seus funcionários (entre professores e servidores técnico-administrativos) para cumprir determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) que prevê que servidores públicos não recebam acima do teto do funcionário público equivalente a R$ 29.462 no âmbito federal, e ao salário do governador nos estados. Nesse sentido, em São Paulo os servidores podem ganhar no máximo até R$ 20.662 — na USP, quase 2 mil funcionários ganham mais de R$ 20,7 mil mensais.
Atualmente, o salário mais alto da universidade chega a R$ 60.248 brutos. O valor é recebido pelo professor aposentado do Instituto de Psicologia, Arrigo Leonardo Angeline, de 90 anos. Há ainda casos de servidores técnicos que ganham mais de R$ 30 mil ou salários muito superiores aos da maioria dos docentes da instituição. As informações foram publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo deste domingo (14).
Segundo a publicação, para o reitor da USP, Marco Antônio Zago, que aparece na 70ª colocação entre os mais bem pagos da instituição, ainda não está claro se a determinação do STF valerá para a universidade.
Segundo Zago, é possível que quando a USP atender à determinação do Supremo de restringir os salários de seus servidores a R$ 20 mil, docentes da instituição irão preferir migrar para universidades federais. Nestas instituições, o teto salarial passa de R$ 29 mil.
A partir desta segunda-feira (17), a USP passa a divulgar, em seu Portal da Transparência, informações relacionadas aos salários dos professores e funcionários técnico-administrativos, ativos e aposentados.
Crise e folha
Os altos salários dos servidores da USP chamam a atenção em meio à crise financeira pela qual a universidade passa neste. O aperto divulgado em meados de maio se dá em decorrência do alto grau de comprometimento do orçamento da universidade com a folha de pagamento.
No primeiro semestre, 105% do orçamento mensal da instituição foram comprometidos com a folha de pagamento. De janeiro a junho deste ano, a USP gastou R$ 2,27 bilhões com salários, benefícios e provisão de 13º e férias a seus servidores. Os recursos repassados pelo Estado à universidade no mesmo período atingiram apenas R$ 2,15 bilhões.
Como a conta não fecha, ações para diminuir os gastos estão foram anunciadas. Entre elas, a criação de um PDV (Plano de Demissão Voluntária), que prevê a aposentadoria antecipada de cerca de 1.800 e teve resolução publicada na última sexta-feira (14) no Diário Oficial do Estado. As rescisões devem começar a acontecer entre fevereiro e abril de 2015.
Após uma greve de mais de 110 dias, em setembro, o Conselho Universitário da USP — órgão máximo da instituição — aprovou o reajuste salarial de 5,2% para professores e funcionários.















