Rede pública e particular têm bons exemplos de inclusão de alunos com deficiência
Mães relatam melhora do desempenho dos filhos após suporte pedagógico em escolas regulares
Educação|Caroline Apple, do R7

Muitas mães de crianças com deficiência ficam em dúvida na hora de falar se existe alguma escola regular que consiga aplicar a educação inclusiva com excelência. Em uma publicação feita na página "Lagarta Vira Pupa" (página criada pela mãe de uma criança autista), dezenas de mães contavam suas experiências e a saga que foi encontrar uma escola que, enfim, oferecesse o tratamento pedagógico correto para cada tipo de déficit.
O que todas as mães que conseguiram uma boa escola têm em comum é o caminho de luta até encontrar a instituição que aceitasse o aluno e, mesmo que sem querer, ainda acolhesse e acalmasse o coração de uma mãe preocupada com o futuro do filho e de toda a família.
A discussão ganhou destaque nas últimas semanas, quando o Confenen (sindicato nacional das escolas particulares), entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) contra os artigos do Estatuto do Deficiente que obriga escolas públicas e particulares a matricularem e oferecerem educação de qualidade para crianças com deficiência sem nenhum custo a mais.
Apesar da resistência de muitas escolas, existem instituições que conseguem atender a expectativa dos pais tanto nos cuidados quanto na educação pedagógica.
Confira algumas histórias.
Escola particular
Eliane Bellangero Antunes, de 53 anos, da Mooca, é mãe da adolescente Lara Bellangero Antunes, de 16 anos. Lara tem dislexia e foi diagnosticada aos sete anos, na fase de alfabetização. Para agravar o quadro comum de estresse e dificuldade de aceitação da família diante de um diagnóstico como esse, a busca por uma escola se transformou em uma verdadeira peregrinação pelos colégios do bairro.
— O processo para encontrar uma escola foi penoso. Em uma delas fomos bem acolhidos, mas havia muitos alunos por sala e ela precisava de mais atenção. Na segunda escola correu tudo bem até trocarem uma das responsáveis pelo projeto inclusivo e a experiência se tornou lamentável. Troquei novamente ela de escola e foi um desastre.

Foi quando ficou sabendo que a responsável pelo projeto inclusivo que dava certo em uma das escolas decidiu abrir o Espaço São José, também na Mooca, que a esperança por um apoio completo veio.
— Hoje, a Lara tem todo o suporte pedagógico que precisa. É uma adolescente confiante e este ano será trainee do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A escola não faz nada além de ter professores com a mínima formação em educação inclusiva.
Shayene Signoretti é neuropsicopedagoga e coordenadora do curso livre para alunos com deficiência do Espaço São José. Chayene explica como conseguiu fazer da escola uma referência na Mooca quando o assunto é inclusão.
— Temos poucos alunos por sala e desenvolvemos materiais exclusivos para atender às necessidades de cada aluno. Hoje atendemos alunos com Asperger, Síndrome Down, cegueira, autismo e outras deficiências. Todos os nossos professores são docentes com algum tipo de especialização. Conseguimos uma parceria para que nossos docentes tenham desconto na pós-graduação em neuropsicopedagogia. Nossa escola ficou reconhecida por indicação de outras mães que encontram muita dificuldade em encontrar uma instituição que atenda aos seus filhos. Temos 270 alunos, sendo 46 com deficiência, matriculados em cursos regulares e livres, para aqueles que não se adaptam às aulas convencionais.
Rede pública

Mas não é só na rede particular que há bons exemplos de inclusão. Nas conversas entre mães de crianças com deficiênciaé mais comum ouvir mais reclamações de instituições privadas do que das públicas. Além disso, muitas vezes, uma escola particular nem é uma opção, por causa do investimento que muitas famílias não têm condições de fazer.
É o caso de Adriana Gouveia da Silva Santos, de 33 anos, mãe da pequena Nycolle Gouveia dos Santos, de 5 anos, que nasceu com mielomeningocele, uma má formação na coluna, e, que aos quatro meses, desenvolveu uma hidrocefalia. Todos os problemas de saúde que teve depois, como meningite, coágulos e outras complicações faz com que Nycolle não ande e tenha atraso cognitivo.
Diante do quadro da filha e a impossibilidade de pagar uma escola privada, Adriana não pensou duas vezes em seguir a indicação de uma amiga e matricular Nycolle na Emei Professora Irene Manke Marques, que fica no CEU Água Azul, na Cidade Tiradentes.
— Minha filha precisa de muitos cuidados. Não tem noção do perigo, não pode bater a cabeça por causa de uma válvula que teve que ser colocada, precisa trocar fraldas, ajuda para comer. É muita coisa. A escola tem um cuidado muito especial com ela, são muito dedicados, atenciosos. Toda a terça e sexta ela faz atividades em uma sala especial, onde ela desenvolve individualmente a parte pedagógica. Ela não mostra interesse em atividades como brincar de casinha ou desenhar com giz. Por isso, esse olhar individualizado me deixa muito contente.
De acordo com Renata Alencar Lopes Garcia, responsável pela equipe do Núcleo da Educação Especial, na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, desde 2004, a cidade assumiu a política pública de matricular todos os alunos que buscam a rede e que, apesar das filas nas creches, crianças com deficiência são priorizadas.
— Os alunos ficam todos juntos. Não há limite de aluno com deficiência por sala. A impressão que se tem é que um aluno com deficiência dá mais trabalho que os outros, mas isso não é uma regra. A escola organiza a demanda e todos são educados para à diversidade. Uma equipe visita as escolas periodicamente para garantir o atendimento individualizado para cada um dos 16 mil alunos nessa condição matriculados na rede pública.
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