Mesmo após criticar ataques, campanha de Marina vai partir pra cima de rivais
Na reta final do primeiro turno, PSB "muda postura" para tentar garantir lugar no segundo turno
Eleições 2014|Diego Junqueira, do R7

Embora qualifique a atual campanha eleitoral como “baixo nível e sórdida”, devido aos ataques que Marina Silva vem recebendo dos adversários, o candidato à vice-presidente da República pelo PSB, Beto Albuquerque, inaugurou nesta terça-feira (30) a nova estratégia do partido para a reta final do primeiro turno: lançar ataques aos rivais, principalmente à presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT).
“Vamos pra cima da Dilma. Ela é cheia de contradições”, disse Albuquerque ao final de ato de campanha ontem em São Paulo.
O deputado gaúcho confirmou a “mudança de postura”, explicando como a campanha será “mais agressiva” com a petista.
— Vamos perguntar mais e responder menos.
A mudança de rota se deve à queda da candidata nas pesquisas eleitorais, embora o partido continue afirmando, oficialmente, que as “qualitativas internas” colocam Marina Silva no segundo turno, como declarou ontem o coordenador geral da campanha, Walter Feldman.
A situação da candidata, no entanto, é cada vez mais arriscada. Ela ainda é apontada como a principal rival da presidente nessa eleição, mas a distância para a presidente não para de crescer, chegando a 14 pontos, no Ibope (39% a 25%), e 15 no Datafolha (40% a 25%). O candidato do PSDB, Aécio Neves, também está cada vez mais perto, com diferença de 6 pontos, no Ibope, e 5 no Datafolha.
Marina já colocou a estratégia em prática na terça, quando subiu o tom das críticas e acusou a presidente de mentir sobre os "roubos" na Petrobras.
— Não venha me chamar de mentirosa. Mentira é quem diz que não sabe que tinha roubo na Petrobras. Mentira é quem diz que não sabe quem está cometendo a corrupção nesse País.
Contradições dilmistas
O objetivo do PSB agora é fazer o mesmo que a presidente fez com Marina no debate da TV Record e do R7 do último domingo. Na ocasião, Dilma questionou os votos da ex-senadora sobre a CPMF (antigo imposto sobre movimentações financeiras), durante a tramitação do projeto no Congresso na década de 1990.
Para isso, Albuquerque buscou declarações de Dilma sobre a autonomia do Banco Central e os leilões da faixa pré-sal do petróleo, feitas em 2010, para compará-las com o discurso atual da presidente.
“Dilma, na campanha de 2010, disse a [José] Serra [candidato do PSDB]: 'A melhor solução para a economia é a autonomia do Banco Central'. Agora Dilma diz: 'Não, Marina, a autonomia do Banco Central não é a melhor coisa'. Afinal, qual é a Dilma? A de 2010 ou a de 2014?”, ironizou o deputado gaúcho ontem, durante discurso para cerca de cem simpatizantes e correligionários de sua coligação.
A autonomia do Banco Central foi um dos temas mais comentados na atual eleição, já que Marina Silva defende a independência da instituição por meio de uma lei. Dilma aproveitou a proposta para, em propagandas no rádio e na TV, acusar a rival de querer entregar aos banqueiros as decisões econômicas do País, “um poder que é do presidente e do Congresso, eleitos pelo povo”.
Em 2010, no entanto, a presidente defendeu que a “autonomia operacional” do BC era “importantíssima”, durante entrevista à CBN. Neste ano, Dilma afirmou que o banco já “tem autonomia operacional” e não precisa de “independência”.
Albuquerque também criticou o leilão da maior bacia petrolífera do Brasil, o campo de Libra.
— Em 2010, Dilma disse: 'Não privatizarei o pré-sal'. Pois venderam o maior poço de petróleo do mundo por R$ 15 bilhões. (…) Ela disse que não faria, e fez. Quem está em contradição?
Na campanha presidencial anterior, Dilma afirmou, em sua propaganda na TV, que “ é um crime privatizar a Petrobras ou o pré-sal”.
No ano passado, o campo de Libra foi arrematado por um consórcio formado pela Petrobras, pelas estatais chinesas CNPC e CNOOC, pela anglo-holandesa Shell e pela francesa Total por R$ 15 bilhões, mais 41,65% do petróleo produzido após descontados os custos de produção (o chamado lucro-óleo).
A ideia é manter a agressividade dos ataques nos últimos quatro dias de primeiro turno, incluindo o debate de quinta-feira (2) da TV Globo, o último antes das eleições de 5 de outubro.




