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Dilma ataca propostas de Marina para a economia: "Papel aceita tudo. Tem que mostrar como vai fazer"

Para presidente, é "temerário e inacreditável propor reduzir o papel dos bancos públicos"

Minas Gerais|Do R7, em Belo Horizonte (MG)*

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Dilma esteve com alunos na 8ª Olimpíada do Conhecimento, em Belo Horizonte; presidente sugeriu que ideias de Marina para a área econômica provocariam volta do desemprego
Dilma esteve com alunos na 8ª Olimpíada do Conhecimento, em Belo Horizonte; presidente sugeriu que ideias de Marina para a área econômica provocariam volta do desemprego

Sem citar o nome de Marina Silva (PSB), a presidente Dilma Rousseff (PT) abriu fogo contra propostas da socialista durante caminhada em Belo Horizonte nesta quarta-feira (3). Marina disparou nas intenções de voto nos últimos 15 dias e, segundo as principais pesquisas, venceria a petista no 2º turno.

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Indiretamente, Dilma apontou que Marina não saberia negociar com o Congresso, não fala de onde sairão os recursos para bancar o prometido no programa de governo e classificou como "temerário" e "inacreditável" reduzir o papel dos bancos públicos na economia.

— É absolutamente temerário e inacreditável que alguém proponha reduzir o papel dos bancos públicos. Para vocês terem uma ideia, em 2009 a crise internacional começou com o choque de crédito. Sumiu crédito em todos os mercados. Nos EUA quebrou o Lehman Brothers, como nós aguentamos e reagimos naquele momento? Porque tínhamos três bancos públicos que seguraram e garantiram crédito para empresas brasileiras, que não conseguiam obter uma vírgula do crédito no mercado internacional. No caso do desemprego, não estou atribuindo que a pessoa A, B ou C vai fazer isso. Mas quando você escreve que vai reduzir papel dos bancos públicos, tem uma consequência.

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Marina sinalizou ao mercado que defende a autonomia do Banco Central, o que em tese permitira uma elevação dos juros para conter a inflação e, de quebra, provocaria o aumento do desemprego. Dilma se disse surpresa com a proposta e voltou a cobrar Marina sobre a fonte das receitas para cumprir promessas.

— Quando você diz: 'vou antecipar R$ 10% do PIB para a educação, 10% da receita bruta para a saúde, vou antecipar impostos para municípios', qual é o problema? Tem que dizer de onde vai sair. Não sai. Quando você dirige um país você tem que ter responsabilidade com o dia seguinte. Não basta dizer, porque você sabe que o papel aceita tudo, a hora da verdade é a hora que tem de mostrar o que vai fazer, como vai fazer, com que dinheiro vai fazer.

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Para a presidente, negociar com o Congresso é obrigação. Na tentativa de conter o avanço da criadora da Rede Sustentabilidade, Dilma sinalizou que Marina não tem perfil conciliador.

— Na democracia, a gente perde e a gente ganha. Perdi algumas vezes, mas ganhei outras tantas no Congresso. Portanto, a necessidade de negociar é inexorável. É importante saber ao negociar, não ceder diante dos interesses do Brasil, do povo brasileiro.

A presidente ainda associou ideias de Marina ao aumento do desemprego: 

— Se você tomar essas medidas que estão sendo propostas, [os empregos] correm risco, sim.

Alvo preferencial dos ataques de Dilma e do PT nos últimos meses, o candidato Aécio Neves (PSDB) foi poupado nesta visita a Belo Horizonte. A campanha petista acena que a polarização com o tucano foi deixada de lado, por conta da queda de Aécio nas pesquisas, e que o crescimento de Marina, que venceria a presidente no segundo turno, é motivo de preocupação entre os dirigentes.

Subsídios

Com o País em recessão técnica, por ter registrado retração do PIB por dois trimestres seguidos, e com as contas públicas em deterioração, Dilma admitiu a "situação complexa" da economia brasileira, mas disse que poderia estar pior sem a política de subsídios. A petista defendeu o papel dos bancos públicos para auxiliar setores produtivos, como o agronegócio. Marina defende redução dos subsídios.

— Os bancos públicos dão prazos maiores e juros mais baixos. Os privados são bem-vindos a fazer o mesmo. Pelo Plano Safra, por exemplo, foram investidos R$ 24 bilhões na agricultura familiar e R$ 156 bilhões no agronegócio. Se pararem com esses investimentos, o agronegócio não consegue manter o saldo da balança comercial. É o subsídio que o sustenta, não temos vergonha desta política.

* Com colaboração de Laura Marques

Nova pesquisa mostra avanço de Marina nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Assista:

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