Anotações de Flávio: seis meses depois, veja quais articulações vingaram e quais mudaram
Documento esquecido na sede do partido após uma reunião revelava avaliações sobre candidatos e possíveis alianças
2026|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Anotações feitas em fevereiro pelo candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, anteciparam parte das articulações que o partido dele faria nos estados para as eleições deste ano. Passados seis meses, alguns dos cenários registrados no papel se confirmaram, enquanto outros foram modificados durante a montagem das chapas.
O documento, intitulado “Situação nos Estados”, reunia nomes para governos e Senado, além de observações sobre alianças e impasses regionais. O material foi produzido durante uma reunião na sede do PL, em Brasília.
Minas Gerais, Distrito Federal, Pará e Alagoas são exemplos de estados em que as negociações avançaram de formas diferentes das inicialmente projetadas. Veja a seguir.
Minas Gerais
Em Minas Gerais, o documento trazia o nome do empresário Flávio Roscoe, acompanhado da anotação “Conversa c/ Nikolas”. Ao lado do nome de Mateus Simões, vice-governador de Minas e escolhido por Romeu Zema (Novo) para sucedê-lo, Flávio escreveu: “Me puxa para baixo se for candidato”.
A anotação indicava uma preocupação do grupo com o impacto da candidatura de Simões sobre o projeto nacional de Flávio Bolsonaro.
Naquele momento, Simões estava ligado ao grupo de Zema e contava com o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), enquanto Roscoe aparecia como uma alternativa mais consolidada por Flávio.
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Neste mês, o PL oficializou Roscoe como candidato ao governo de Minas, com participação de Nikolas Ferreira na articulação. Simões, por sua vez, manteve a candidatura à reeleição ao governo.
A movimentação também expôs a dificuldade de uma composição entre o PL e o grupo de Simões. Além da ligação do vice-governador com Zema, que também disputa espaço no cenário presidencial, o PSD, partido de Simões, é a sigla pela qual Ronaldo Caiado disputa a Presidência.
Distrito Federal
No Distrito Federal, o documento indicava uma chapa formada por Celina Leão (PP) para o governo e Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) para as duas vagas ao Senado.
Havia, porém, uma condição anotada à mão: “Se Ibaneis for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina”. A preocupação era que uma eventual candidatura do então governador Ibaneis Rocha (MDB) ao Senado dificultasse a composição pretendida pelo PL.
O cenário mudou com a desistência de Ibaneis de disputar o Senado. Com isso, o obstáculo anotado por Flávio deixou de existir e a articulação em torno de Celina avançou.
Celina agora é oficialmente candidata à reeleição e passou a defender publicamente a presença de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis na disputa pelo Senado.
O PL, por sua vez, confirmou apoio à candidatura de Celina ao governo do DF, enquanto Michelle e Bia foram oficializadas para a disputa das duas vagas ao Senado.
Alagoas
Alagoas é o cenário que mais mudou. JHC aparecia como opção para o governo, com a anotação “conversar até dia 15/março”.
Marina Candia, mulher de JHC, era citada para o Senado, enquanto Alfredo Gaspar aparecia como “único que pedirá voto p/ mim”. Ao lado do nome de Arthur Lira havia ainda a anotação “Arthur? (JB)”.
JHC deixou o PL e passou a construir sua candidatura ao governo pelo PSDB. A saída ocorreu em meio a divergências sobre a composição da chapa e sobre os nomes que disputariam o Senado.
Mesmo fora do PL, JHC acabou mantendo uma aproximação com o grupo bolsonarista em Alagoas. Alfredo Gaspar, presidente estadual do PL, declarou apoio à candidatura de JHC ao governo e passou a comandar o palanque de Flávio Bolsonaro no estado.
Alfredo Gaspar, que nas anotações aparecia como nome para o Senado e como um dos principais aliados de Flávio em Alagoas, foi escolhido para ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio.
Pará
No Pará, a anotação apontava o nome de Daniel Santos (Podemos), ex-prefeito de Ananindeua, como uma opção de oposição ao grupo do governador Helder Barbalho (MDB). O nome aparecia associado a Mário Couto em uma possível composição.
Ao longo da disputa, Daniel Santos se consolidou como nome de oposição ao grupo de Helder e Hana Ghassan. Nas convenções de agosto, o PL confirmou apoio à candidatura de Daniel ao governo estadual e indicou o deputado federal Éder Mauro para a disputa ao Senado.
Assim, a estratégia anotada em fevereiro foi preservada para construir um palanque de oposição ao grupo de Helder, mas mudou a composição inicialmente imaginada porque Mário Couto acabou fora da disputa.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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