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Anotações de Flávio: seis meses depois, veja quais articulações vingaram e quais mudaram

Documento esquecido na sede do partido após uma reunião revelava avaliações sobre candidatos e possíveis alianças

2026|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Flávio Bolsonaro fez anotações em fevereiro sobre articulações políticas do PL para as eleições, algumas confirmadas, outras alteradas.
  • Em Minas Gerais, Flávio Roscoe foi oficializado como candidato ao governo, enquanto Mateus Simões manteve sua candidatura à reeleição, mostrando dificuldades de composição com o grupo de Zema.
  • No Distrito Federal, a desistência de Ibaneis Rocha ao Senado permitiu a oficialização da candidatura de Celina Leão ao governo, com apoio a Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para o Senado.
  • Em Alagoas, JHC saiu do PL e se candidatou pelo PSDB, mas manteve apoio de Alfredo Gaspar, que se tornou vice na chapa de Flávio Bolsonaro; no Pará, Daniel Santos se consolidou como oposição a Helder Barbalho.

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Estratégias de Flávio para Minas Gerais, Distrito Federal e Alagoas passaram por mudanças Vittor Sales/Flickr - 01.08.2026

Anotações feitas em fevereiro pelo candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, anteciparam parte das articulações que o partido dele faria nos estados para as eleições deste ano. Passados seis meses, alguns dos cenários registrados no papel se confirmaram, enquanto outros foram modificados durante a montagem das chapas.

O documento, intitulado “Situação nos Estados”, reunia nomes para governos e Senado, além de observações sobre alianças e impasses regionais. O material foi produzido durante uma reunião na sede do PL, em Brasília.


Minas Gerais, Distrito Federal, Pará e Alagoas são exemplos de estados em que as negociações avançaram de formas diferentes das inicialmente projetadas. Veja a seguir.

Minas Gerais

Em Minas Gerais, o documento trazia o nome do empresário Flávio Roscoe, acompanhado da anotação “Conversa c/ Nikolas”. Ao lado do nome de Mateus Simões, vice-governador de Minas e escolhido por Romeu Zema (Novo) para sucedê-lo, Flávio escreveu: “Me puxa para baixo se for candidato”.


A anotação indicava uma preocupação do grupo com o impacto da candidatura de Simões sobre o projeto nacional de Flávio Bolsonaro.

Naquele momento, Simões estava ligado ao grupo de Zema e contava com o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), enquanto Roscoe aparecia como uma alternativa mais consolidada por Flávio.


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Neste mês, o PL oficializou Roscoe como candidato ao governo de Minas, com participação de Nikolas Ferreira na articulação. Simões, por sua vez, manteve a candidatura à reeleição ao governo.

A movimentação também expôs a dificuldade de uma composição entre o PL e o grupo de Simões. Além da ligação do vice-governador com Zema, que também disputa espaço no cenário presidencial, o PSD, partido de Simões, é a sigla pela qual Ronaldo Caiado disputa a Presidência.


Distrito Federal

No Distrito Federal, o documento indicava uma chapa formada por Celina Leão (PP) para o governo e Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) para as duas vagas ao Senado.

Havia, porém, uma condição anotada à mão: “Se Ibaneis for candidato ao Senado, não dá para oficializar com Celina”. A preocupação era que uma eventual candidatura do então governador Ibaneis Rocha (MDB) ao Senado dificultasse a composição pretendida pelo PL.

O cenário mudou com a desistência de Ibaneis de disputar o Senado. Com isso, o obstáculo anotado por Flávio deixou de existir e a articulação em torno de Celina avançou.

Celina agora é oficialmente candidata à reeleição e passou a defender publicamente a presença de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis na disputa pelo Senado.

O PL, por sua vez, confirmou apoio à candidatura de Celina ao governo do DF, enquanto Michelle e Bia foram oficializadas para a disputa das duas vagas ao Senado.

Alagoas

Alagoas é o cenário que mais mudou. JHC aparecia como opção para o governo, com a anotação “conversar até dia 15/março”.

Marina Candia, mulher de JHC, era citada para o Senado, enquanto Alfredo Gaspar aparecia como “único que pedirá voto p/ mim”. Ao lado do nome de Arthur Lira havia ainda a anotação “Arthur? (JB)”.

JHC deixou o PL e passou a construir sua candidatura ao governo pelo PSDB. A saída ocorreu em meio a divergências sobre a composição da chapa e sobre os nomes que disputariam o Senado.

Mesmo fora do PL, JHC acabou mantendo uma aproximação com o grupo bolsonarista em Alagoas. Alfredo Gaspar, presidente estadual do PL, declarou apoio à candidatura de JHC ao governo e passou a comandar o palanque de Flávio Bolsonaro no estado.

Alfredo Gaspar, que nas anotações aparecia como nome para o Senado e como um dos principais aliados de Flávio em Alagoas, foi escolhido para ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio.

Pará

No Pará, a anotação apontava o nome de Daniel Santos (Podemos), ex-prefeito de Ananindeua, como uma opção de oposição ao grupo do governador Helder Barbalho (MDB). O nome aparecia associado a Mário Couto em uma possível composição.

Ao longo da disputa, Daniel Santos se consolidou como nome de oposição ao grupo de Helder e Hana Ghassan. Nas convenções de agosto, o PL confirmou apoio à candidatura de Daniel ao governo estadual e indicou o deputado federal Éder Mauro para a disputa ao Senado.

Assim, a estratégia anotada em fevereiro foi preservada para construir um palanque de oposição ao grupo de Helder, mas mudou a composição inicialmente imaginada porque Mário Couto acabou fora da disputa.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.

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