Dobradinha Caiado-Kassab reacende debate sobre chapas ‘puro-sangue’ em 2026
Escolha entre vice do mesmo partido ou de outra sigla pode influenciar competitividade, governabilidade e alcance eleitoral
2026|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A definição da chapa presidencial costuma ser uma das decisões mais estratégicas de uma campanha eleitoral. Entre apostar em uma composição “puro-sangue” — com candidato a presidente e vice do mesmo partido, como sinalizou o PSD ao anunciar a dobradinha entre Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab — ou buscar alianças com outras siglas para ampliar palanques e tempo de TV, partidos avaliam qual formato pode oferecer maior competitividade na corrida ao Palácio do Planalto.
Para cientistas políticos ouvidos pelo R7, a escolha entre unidade partidária e amplitude de alianças depende do cenário eleitoral, da força regional da candidatura e da capacidade de construção de coalizões. Especialistas avaliam que uma chapa puro-sangue pode limitar o potencial competitivo por abrir mão da soma de forças entre legendas distintas, embora também ofereça vantagens estratégicas, como maior coesão interna e clareza política.
O cientista político Marcio Coimbra avalia que uma chapa puro-sangue tende, em geral, a limitar o potencial competitivo da candidatura, embora também ofereça blindagens estratégicas. “A limitação ocorre porque o presidencialismo de coalizão exige uma soma de forças estruturais — tempo de propaganda, capilaridade regional e fundos eleitorais — que dificilmente uma única legenda consegue maximizar sozinha. Por outro lado, o modelo pode fortalecer o projeto ao eliminar dissidências internas na escolha do vice e projetar uma imagem de coerência programática”.
Segundo ele, em cenários de forte fragmentação, a ausência de aliados formais pode restringir o alcance da candidatura junto a setores moderados do eleitorado.
Para o cientista político Gabriel Amaral, uma chapa puro-sangue não representa, por si só, uma vantagem ou uma limitação. Seu principal efeito, segundo ele, é tornar a candidatura mais nítida. “Ao reunir presidente e vice do mesmo partido, a campanha transmite identidade, coerência e unidade estratégica, reduzindo ambiguidades sobre o projeto político apresentado ao eleitor. Em um ambiente de crescente polarização e forte personalização das disputas, essa clareza pode ser um ativo relevante”.
Ao mesmo tempo, Amaral destaca que esse modelo exige outros mecanismos para ampliar a competitividade. “No presidencialismo brasileiro, a escolha do vice frequentemente funciona como instrumento de construção de coalizões antes mesmo da eleição. Uma chapa puro-sangue abre mão desse movimento inicial em favor da coesão interna”.
Leia Mais
Vantagens de uma chapa multipartidária
Para Marcio Coimbra, as principais vantagens de uma chapa composta por partidos diferentes estão na diluição de rejeições e na ampliação da base de apoio.
“Politicamente, a união de siglas distintas permite construir pontes com diferentes setores da sociedade e regiões do país, trazendo para a campanha o apoio de governadores e prefeitos de outras legendas. Além disso, antecipa a lógica da governabilidade, sinalizando ao mercado e ao Congresso capacidade de articulação política”.
Na avaliação de Coimbra, a composição puro-sangue do PSD com Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab reflete mais um movimento pragmático diante da dificuldade de consolidar alianças de peso. “Diante da dificuldade de Caiado em atrair legendas de relevância nacional, a escolha de Kassab como vice funcionou como um recuo tático. Isso assegura ao PSD um palanque presidencial próprio e, ao mesmo tempo, preserva a autonomia dos diretórios estaduais”.
Para Gabriel Amaral, chapas formadas por partidos diferentes costumam ampliar a capacidade de diálogo da candidatura. “Elas permitem reunir diferentes lideranças, regiões e segmentos do eleitorado em torno de um mesmo projeto, além de sinalizar disposição para construir maioria política. Em um sistema multipartidário como o brasileiro, essa mensagem tem peso porque a eleição presidencial não termina nas urnas”.
Segundo ele, o vice deixa de ser apenas um substituto constitucional e passa a representar uma ponte entre diferentes campos políticos. “Quando a composição é bem construída, ela comunica capacidade de negociação, amplia a interlocução institucional e reduz resistências entre partidos aliados”.
Sobre a eventual chapa do PSD, Amaral avalia que o modelo sinaliza mais fortalecimento interno do que ausência de alianças. “A leitura mais imediata é a de fortalecimento da unidade interna. Ao escolher Kassab como vice, o PSD não apenas preserva sua identidade partidária, mas também coloca na chapa o principal articulador político da legenda”.
Para ele, a presença de Kassab também ajuda a manter coesão em um partido marcado por alianças regionais heterogêneas.
O que pesa mais historicamente?
Para Marcio Coimbra, historicamente, a amplitude de alianças tem peso maior do que a afinidade ideológica nas eleições presidenciais brasileiras. “Embora o alinhamento ideológico seja importante para consolidar um núcleo duro de militância, as eleições majoritárias no país costumam ser decididas pelo eleitorado de centro e pela capacidade de capilarização das campanhas”.
Segundo ele, desde a redemocratização, arranjos vitoriosos costumam estar ligados a frentes amplas, capazes de acomodar setores divergentes em torno de um projeto eleitoral competitivo.
Gabriel Amaral pondera, porém, que a candidatura mais competitiva nem sempre é a que reúne o maior número de partidos. “Muitas vezes, o objetivo não é construir a maior coalizão possível, mas a menor coalizão capaz de tornar a vitória viável”.
Para ele, alianças ampliam tempo de campanha, capilaridade e mobilização, mas também elevam os custos políticos da coordenação e da futura governabilidade. “Em política, a questão raramente é ter o maior número de aliados, mas reunir os aliados indispensáveis para conquistar e exercer o poder”.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp












