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Mariana Pozatto, dubladora de Özge Özpirinçci, revela bastidores de Coração de Mãe e destaca cena que a levou às lágrimas

Profissional se tornou referência no Brasil ao dar voz para Bahar em Força de Mulher (2025) e Karsu, de Coração de Mãe (2026), produções exibidas pela RECORD

Entrevista|Bianca Godoi, do R7

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Mariana Pozatto dubla Özge Özpirinçci nas produções turcas da RECORD Arquivo Pessoal e Reprodução/Instagram @sandikkokusudizisi

Mariana Pozatto se tornou referência no Brasil quando o assunto é dublagem de novelas turcas. Ao dar voz a duas protagonistas vividas por Özge Özpirinçci, a sensível Bahar de Força de Mulher (2025), e a intensa Karsu de Coração de Mãe (2026), a dubladora consolidou seu trabalho na RECORD e criou uma relação de identificação com o público.

Apesar de dar voz a duas personagens da mesma atriz, Mariana traduz com precisão a interpretação de Özge e evidencia as diferenças entre os papéis. Enquanto Bahar exigia sensibilidade e fragilidade, Karsu se impõe de forma mais explosiva e firme, um contraste que a dubladora constrói com segurança e nuances na voz.


“É surpreendente pensar que pessoas de outros estados acompanham a minha dublagem na tela da RECORD. Considero um sinal de que tenho feito um bom trabalho. E quando reconhecem a minha voz como a da Bahar ou a da Karsu, é excelente, esse é o objetivo”, conta.

Formada em Artes Cênicas desde 2014, Mariana acumula mais de uma década de experiência como atriz, dubladora e diretora de dublagem, o que enriquece ainda mais seus projetos. “A experiência como diretora de dublagem muda a forma como interpreto e dublo porque consigo ter uma visão global da obra”, explica.


Além das produções da Turquia, a profissional reúne um portfólio diverso, com trabalhos em séries, animações, desenhos famosos, filmes e doramas. “Cada projeto tem sua particularidade, mas a técnica é a mesma para todos. A parte rica e divertida é encontrar o tempero de cada linguagem”, revela.

No bate-papo com o R7 Entrevista, Mariana relembra sua trajetória profissional, explica detalhes do processo de dublagem e destaca os trabalhos nas produções turcas exibidas pela RECORD.


Confira a entrevista!

R7 Entrevista: Você tem mais de uma década de experiência na dublagem como atriz e diretora. Como começou sua carreira? Ser dubladora sempre foi um desejo seu?


Mariana Pozatto — Na verdade, eu sempre quis ser atriz, desde criança. Comecei a fazer teatro amador aos 12 anos e, com 18, fui aprovada em Artes Cênicas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. Quando estava na faculdade, surgiu um curso de dublagem na mesma cidade, que é onde eu morava. Duas colegas me indicaram e realmente decidi investir na área. Então, a dublagem não começou como um sonho, mas acabou se tornando um.

“A dublagem não começou como um sonho, mas acabou se tornando um”

(Mariana Pozatto)

R7 Entrevista: Você dublou a Özge Özpirinçci como Bahar em Força de Mulher e agora volta a dublar a mesma atriz como Karsu em Coração de Mãe. Acredita que esses dois trabalhos te ajudaram a criar uma relação de identificação com o público?

Mariana Pozatto — Acredito que sim. Recebo muitas mensagens no Instagram dos fãs da novela e da atriz. Quando ainda não tinha o trailer de Coração de Mãe, muitos me disseram que gostariam que eu a dublasse novamente. A maior parte das vezes em que alguém vem falar comigo nas redes sociais é por causa da Özge Özpirinçci, e fico muito feliz com isso.

O trabalho de Mariana passou a ser reconhecido pelos fãs de Özge Özpirinçci Arquivo Pessoal

R7 Entrevista: Como funciona o processo de dublagem? Você recebe o roteiro até o final da novela ou se surpreende junto com o público a cada reviravolta?

Mariana Pozatto — Nunca recebemos a produção inteira e, mesmo quando estamos com o capítulo em mãos, não dá tempo de ler tudo porque temos um mapa que mostra onde o nosso personagem aparece. Então vamos direto naqueles trechos e assistimos pequenas partes apenas para entender a situação, o ritmo de fala e decorar as pausas. Eu, por exemplo, não consigo dublar uma cena de dois minutos direto, vou picotando em pedaços menores, então, às vezes, sei menos do que o público.

Bahar e Karsu são interpretadas pela mesma atriz, mas são opostas Reprodução/Instagram @ozpirincci e @sandikkokusudizisi

R7 Entrevista: A Bahar, de Força de Mulher, era mais frágil e sensível. Já a Karsu, de Coração de Mãe, tem um temperamento explosivo e firme. Apesar de ser a mesma atriz, a interpretação muda bastante. O mesmo acontece com a voz?

Mariana Pozatto — Sim, mas de uma maneira muito natural. Quando a Bahar ou a Karsu agem com doçura, por exemplo, a voz acaba ficando um pouco mais aguda e aerada. Em cenas de raiva, alta. De cansaço, rouca. Nunca penso em mudar o timbre para a Özge Özpirinçci propositalmente, porque é a minha voz natural. Só que o tom varia de acordo com a intenção e o estado físico e emocional do personagem.

R7 Entrevista: Quais são os cuidados com a voz que um dublador deve ter? Existe alguma preparação vocal para os dias de gravação?

Mariana Pozatto — Um corpo bem cuidado tem maiores chances de manter a voz saudável. Beber muita água e ter um sono de qualidade é sempre importante, mas principalmente quando se tem muitas horas de gravação pela frente. É superinteressante fazer um aquecimento vocal, de fonoaudiólogo mesmo. Exercícios de respiração, de musculatura de bochecha, língua, vibração de lábios e outros.

Mariana explica detalhes do processo de dublagem Arquivo Pessoal

R7 Entrevista: Costuma dublar a Karsu sozinha no estúdio? O fato de não ter os outros dubladores presentes torna o trabalho desafiador de alguma forma?

Mariana Pozatto — Exceto quando é vozerio [conjunto de vozes de fundo], que não existem personagens fixos, sempre dublamos sozinhos. A troca do dublador acontece com a obra e com o ator que está dublando, então temos que nos espelhar no que foi feito, não criamos nada, apenas recriamos no nosso idioma.

R7 Entrevista: Em Coração de Mãe, Karsu tem cenas de forte carga dramática, assim como a Bahar também tinha em Força de Mulher. Há algum tipo de cuidado para essas sequências?

Mariana Pozatto — Não, é mais saber separar as coisas. É difícil, eu acabo me envolvendo. Mas, quando termina a sequência, é bom dar uma respirada, tomar uma água, ficar um pouco quieta e depois seguir a vida.

R7 Entrevista: Qual o principal desafio de dublar o idioma turco? E especificamente Özge Özpirinçci?

Mariana Pozatto — No idioma turco, assim como no latim, o verbo fica no final da frase, então o tradutor e o adaptador de texto têm que fazer um trabalho bem detalhista para pegar principalmente os “biquinhos” deles, eles terminam quase toda palavra com um “biquinho”, como se fosse um “O”. Então, se dá pra encaixar as letras “U” ou “O”, a ilusão de sincronia labial fica bem melhor.

E a Özge, em específico, tem uma mania que talvez eu, Mariana, também tenha, é o que chamamos na dublagem de “boca falsa”: você mexe a boca, puxa o ar, mas não emite nenhum som. Então, quando dá para preencher com algum som, fica legal. Mas nem sempre dá, pode ficar poluído. Então é uma dificuldade a mais saber escolher quando e o que colocar.

Relembre:

R7 Entrevista: Na sua visão, por que as novelas turcas conquistaram tanto o público brasileiro?

Mariana Pozatto — Primeiro porque são bem feitas. São roteiros interessantes, atuações ótimas, trilhas sonoras lindas, além da poesia intrínseca. Também tenho percebido algumas similaridades entre as culturas turca e brasileira: de família, de receber as pessoas com comida, de confraternizar à mesa, desse calor mesmo que as pessoas têm, é um jeito muito brasileiro que causa identificação.

“As novelas turcas têm roteiros interessantes, atuações ótimas, trilhas sonoras lindas, além da poesia intrínseca”

(Mariana Pozatto)

R7 Entrevista: Qual cena de Karsu mais te marcou até o momento? E de Bahar?

Mariana Pozatto — Em Coração de Mãe, quando o Deniz (Sarp Kaan Altınçapa) chama a Karsu de mãe pela primeira vez, me trouxe lágrimas aos olhos. Já em Força de Mulher, quando a Bahar está acampando com o Enver (Şerif Erol) e as crianças, depois da morte da Hatice (Bennu Yıldırımlar), ela sonha que tem terra caindo no rosto dela, e na verdade é o Doruk (Ali Semi Sefil) jogando flores. Achei tão lindo e forte.

Confira:

R7 Entrevista: O que a Karsu e a Bahar te ensinaram? Você se identifica com elas em algum aspecto da sua vida?

Mariana Pozatto — A Bahar com certeza a resiliência, mesmo sofrendo absurdamente, ela seguiu em frente, e sempre com doçura e amor. Já a Karsu tem um instinto de autoproteção e sobrevivência. Ela reage e não fica engolindo sapos, é uma mulher firme.

“A Bahar me ensinou a ter resiliência e a Karsu a ser uma mulher firme”

(Mariana Pozatto)

R7 Entrevista: Já vivenciou alguma situação engraçada/inusitada nos estúdios de dublagem? Alguma curiosidade de bastidores?

Mariana Pozatto — Uma curiosidade engraçada e bem inusitada de Coração de Mãe é que, quando um dos capangas do Atilla (Metin Akdülger) está disfarçado de dono de livraria, o guarda-roupas dele é idêntico ao do meu marido. Quando vi, reconheci na hora e me diverti muito.

Dubladora de Bahar e Karsu tem uma carreira versátil Arquivo Pessoal

R7 Entrevista: Além de atuar, você também trabalha como diretora de dublagem. Essa experiência muda a forma como você interpreta suas personagens?

Mariana Pozatto — Muda sim, porque quando a gente dirige, temos uma visão mais global da obra. E percebemos, inclusive, que o personagem também vive muita coisa quando não fala. Então, tem um respeito maior pelos apontamentos que a direção dá e um cuidado com as palavras. O texto não somos nós, dubladores, que traduzimos. Mas, às vezes, precisamos fazer uma alteração ou adaptação. Saber o que você pode colocar ou qual palavra não dá para tirar porque vai ser um gancho lá para frente é legal e importante, deixa o trabalho mais rico.

O diretor também sabe identificar até onde se pode invadir os offs [qualquer voz gravada que não é sincronizada com o movimento labial de um personagem na tela]. Tudo bem passar um pouco, mas nem sempre isso deve ser feito, pois o silêncio tem seu valor na dublagem, assim como a trilha sonora não pode ser sobreposta em alguns casos.

Veja:

R7 Entrevista: Além das novelas turcas, você também dubla séries, animações, desenhos famosos, filmes, live-action, ou seja, tem uma carreira bem versátil. Qual a principal diferença entre esses trabalhos e como costuma conciliar?

Mariana Pozatto — Cada trabalho tem sua particularidade, mas a técnica é a mesma para todos. Você assiste, pega a intenção, o tempo da pausa, o ritmo e reproduz. Mas a parte rica e divertida é encontrar o tempero de cada linguagem. Essa diversidade até nos ajuda a não ficar monótonos. Às vezes a novela está passando por capítulos pesados de sofrimento e como é bom dublar um reality show de relacionamento no meio disso para dar uma aliviada.

R7 Entrevista: Como é para você ver seu trabalho sendo exibido e reconhecido em rede nacional? A RECORD trouxe mais visibilidade à sua dublagem nas novelas turcas, por ser na TV aberta?

Mariana Pozatto — Sim, com certeza. É surpreendente pensar que pessoas de outros estados acompanham a minha dublagem na tela da RECORD. Considero um sinal de que tenho feito um bom trabalho. Quando reconhecem a minha voz como a da Bahar ou da Karsu, e não necessariamente como a da Mariana, é uma projeção invisível e isso para mim é muito bom. Então, não me sobressair e mesclar com as personagens é excelente, é o objetivo.

“É surpreendente pensar que pessoas de outros estados acompanham a minha dublagem na tela da RECORD”

(Mariana Pozatto)

R7 Entrevista: O que o público pode esperar de Karsu em Coração de Mãe daqui para frente?

Mariana Pozatto — Podemos esperar que a Karsu tenha a consciência de que ela é mãe, mas não é só isso. E que para ser mãe ela precisa ser uma uma mulher feliz. Posso adiantar que a Karsu vai atrás da felicidade com muita coragem.

A novela Coração de Mãe é exibida de segunda a sexta-feira, a partir das 21h, na tela da RECORD. Acesse o RecordPlus para rever os capítulos.

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