Kelly Godoy celebra reconhecimento no jornalismo: ‘Estou no caminho certo’
Âncora da RECORD NEWS revisita carreira e fala sobre a retirada de um câncer na tireoide no início deste ano
Entrevista|Filipe Pereira e Vicente Andrade, do R7*
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

À frente do Agro Record News, Record News Rural e Conexão Record News, o trabalho de Kelly Godoy é reconhecido não apenas por colegas de redação, mas também pelo público e por veículos especializados.
Esse reconhecimento garantiu prêmios nos últimos anos, como o de Jornalista Mais Admirada do Agro por dois anos consecutivos (2024 e 2025), além de integrar a lista dos Dez Jornalistas de Vídeo Mais Admirados do Brasil em 2025, em premiação organizada pelo portal Jornalistas & Cia.
Em entrevista exclusiva ao R7, a apresentadora da RECORD NEWS afirma que o reconhecimento fortalece sua confiança e reforça a certeza de que está cumprindo sua missão na profissão.
“Eu acho que esses prêmios vêm como um, sabe aquele bálsamo, uma injeção de ânimo, e você fala: ‘Poxa, então estou no caminho certo’. Porque, quando a gente trabalha com comunicação, se não consegue tocar quem nos ouve, será que nosso papel foi cumprido?”, reflete.
E, apesar de parecer clichê, ouvir a admiração dos colegas é algo que ela valoriza — sentimento confirmado por seus pares, como Matheus Teixeira, apresentador do Elas com a Bola. Ele ressalta que, apesar de não ser da região onde a apresentadora atuou, reconhece a força da trajetória de Kelly no interior paulista por meio de parentes e amigos.
“Todo mundo conhece a Kelly aqui na região, principalmente. Mas ela também é uma referência em relação aos entrevistados em geral. Esse é um dos termômetros que posso trazer, não só da redação. Quando a Kelly entra de férias, os entrevistados sempre perguntam por ela. Então, é um desses termômetros mesmo”, afirma.
Mesmo com toda a experiência, ela não se vê se aposentando: “Tem gente que fala assim: ‘Ah, eu quero parar’. Eu não. Claro, em algum momento a gente precisa se aposentar [...], mas eu não quero parar de trabalhar. Acho tão bom estar ativa, com a cabeça funcionando, criando”.
Além do setor jornalístico, a profissional também foi reconhecida por outras instituições, como a honraria de Fumaceira Honorária, concedida pela Força Aérea Brasileira pelos mais de dez anos de cobertura da Esquadrilha da Fumaça — sendo a segunda mulher a receber a medalha.

Fora das telas, Kelly se dedica ao filho Pedro, de 12 anos, a um MBA na área do agro, além de palestras e participações em eventos do setor. Para conciliar tudo isso, ela investe em autocuidado e saúde mental — algo que também busca transmitir ao público nos programas e nas redes sociais.
Apesar de um susto no início do ano com a retirada de um câncer na tireoide, a apresentadora celebra o processo de recuperação e o fato de não ter sido necessário realizar tratamentos como radioterapia ou quimioterapia.
O contato próximo com o público e a transparência fizeram com que Kelly se sentisse confortável para falar sobre a doença durante o Conexão Record News, em 5 de fevereiro deste ano.
“São situações pelas quais todo mundo passa. E, quando tenho oportunidade, acho que isso aproxima, mas também não pode ser algo forçado. Por isso, quando falei sobre a tireoide no Conexão, foi algo que veio na hora. Eu senti e pensei: ‘Cabe. Estou firme para falar, não vou chorar’. Porque, se você fala e começa a chorar, que mensagem passa para quem está do outro lado? Então, eu estava firme”, conclui.
Confira a entrevista na íntegra:
R7 Entrevista — Como é ser, por duas vezes, a jornalista mais admirada do agro e também estar entre os dez jornalistas de vídeo mais admirados do país?
Kelly Godoy — Estou há seis anos nessa editoria e tive a oportunidade de conhecer muita gente bacana, além de quebrar alguns tabus sobre o agro. Muita gente ainda tem uma visão equivocada do setor, mas, na prática, ele é muito mais sustentável do que se imagina — e a gente precisa se orgulhar disso.
Esses prêmios vêm como uma injeção de ânimo. Você pensa: “Então estou no caminho certo”. Porque, na comunicação, se a gente não consegue tocar quem nos acompanha, será que está cumprindo o nosso papel?
Fiquei muito emocionada, principalmente porque não esperava ganhar duas vezes. Tem muita gente boa, e eu até tenho vergonha de pedir voto. Quando veio o resultado, foi uma surpresa enorme.
Mas eu não estou sozinha nisso. Quando estou ali, não sou só eu — é a RECORD NEWS inteira. É o trabalho de todo mundo.
R7 Entrevista — Você se sente uma inspiração? Como lida com isso?
Kelly Godoy — Acho que a missão é ser o melhor que você pode dentro do espaço em que está, para as pessoas. A gente é energia, então passa isso também. Talvez, por eu estar há muito tempo na profissão, algumas pessoas lembrem de mim de outros trabalhos.
Mas dizer “sou uma referência” é algo que ainda não sei se consigo. Acho que soa estranho. Eu continuo aprendendo todos os dias, e referência é algo muito relativo. Às vezes, a gente também olha para outras pessoas e pensa: “Nossa, essa é uma referência para mim”.
O que eu busco é justamente isso: ter referências. Porque é assim que a gente se inspira para evoluir, encontrar caminhos e construir o próprio estilo. Cada um tem o seu jeito, mas ter em quem se espelhar é importante.
R7 Entrevista — Você faz questão de enfatizar a presença das mulheres no agro. Qual a importância desse espaço?
Kelly Godoy — É fundamental. Cada vez mais mulheres assumem a liderança de propriedades e deixam de ser “a mulher do João” para se tornarem produtoras rurais, com identidade e protagonismo.
Mas ainda há muitos desafios. Em alguns casos, por exemplo, para ter acesso a determinados direitos ou representações em sindicatos, a propriedade precisa estar no nome delas — e muitas vezes não está.
As mulheres têm demandas específicas e precisam ser ouvidas. E eu acredito que elas trazem um olhar diferenciado — não melhor nem pior que o dos homens, mas diferente. Valorizar isso dentro do agronegócio é estratégico.
As mulheres sempre estiveram no agro, mas agora ocupam cada vez mais espaços de liderança. Ainda assim, é um setor majoritariamente masculino. Basta observar as mesas de decisão: a maioria ainda é formada por homens. Isso mostra o tamanho do desafio.
Por isso, sempre que posso, faço questão de dar visibilidade, valorizar e ouvir essas mulheres. É um espaço que elas já ocupam, mas que ainda precisa de mais apoio.
R7 Entrevista — Como você consegue abranger tantos conteúdos?
Kelly Godoy — A RECORD NEWS ampliou muito o meu leque e me exigiu mais jogo de cintura e improviso. Os temas são mais amplos, então eu vejo isso como um presente.
A gente trabalha muito, mas aprende na mesma medida. Estou há quatro anos cobrindo a guerra entre Rússia e Ucrânia, por exemplo. Antes, eu tinha uma noção mínima, hoje é completamente diferente. O mesmo aconteceu com outros temas, como o ataque do Hamas. A gente estuda, se aprofunda e aprende muito com os entrevistados. Costumo dizer que é como fazer um curso de relações internacionais sendo paga para isso.
Sou muito grata a esse período, não só pelos prêmios, mas pela ampliação de repertório. Isso também me levou a olhar mais para a minha carreira: faço palestras, atuo como mestre de cerimônias e comecei um MBA em gestão do agro na FEA-USP.
Estou em uma fase muito feliz, de muita gratidão. Acredito que, quando a gente agradece mais e reclama menos — o que é um exercício —, a gente cresce muito.

R7 Entrevista — Você foi diagnosticada com câncer de tireoide recentemente. Como foi esse processo?
Kelly Godoy — A gente vai deixando a saúde de lado na correria do dia a dia. Eu mesma fiquei anos sem fazer check-up, sempre adiando. Até que, em julho, resolvi fazer exames mais completos. Durante um exame de carótidas, a médica identificou uma alteração na tireoide e pediu investigação.
Fui fazer a punção, e o resultado indicou 99% de chance de câncer. Descobri que existiam diferentes tipos de nódulo e, felizmente, o meu era o mais tranquilo, com baixa chance de evolução. Mesmo assim, o médico recomendou a retirada.
Fiz a cirurgia no dia 5 de janeiro, em meio aos plantões de fim de ano, e fiquei cinco semanas afastada da TV. No retorno ao médico, na véspera de voltar ao trabalho, veio a melhor notícia: eu estava curada e não precisaria de outros tratamentos.
Agora, sigo apenas com acompanhamento e uso de medicação diária. Essa experiência me trouxe dois aprendizados importantes: a importância de cuidar da saúde e não adiar exames, e também de não somatizar tanto as coisas. Quando recebi o diagnóstico de cura, foi um alívio enorme — uma gratidão que não dá nem para explicar.
R7 Entrevista — Como você vê a importância do comunicador trazer esse lado humano no ar?
Kelly Godoy — Acho que o jornalismo vem passando por uma transformação. Quando comecei, havia um formato muito mais engessado — até a aparência era padronizada. Com a internet e a multiplicidade de conteúdos, a comunicação precisou se flexibilizar, e isso foi natural.
No Conexão, que é um programa mais conversado e analítico, esse lado humano é fundamental. É quando você mostra: “Eu também estou aqui, sou uma pessoa como você”. Todos temos nossas dificuldades, nossos perrengues, e compartilhar isso aproxima.
Mas é preciso equilíbrio — não pode ser algo forçado. Quando falei sobre a minha tireoide no programa, foi algo que senti no momento. Eu estava firme para falar, sem me emocionar demais, porque também é importante passar segurança para quem está do outro lado.
Claro que já me emocionei em outras situações, principalmente em pautas mais sensíveis, como guerras ou histórias envolvendo crianças. Mas, naquele momento, eu quis estar mais forte, justamente para comunicar de forma clara e acolhedora.
LEIA MAIS
R7 Entrevista — Quais são seus planos futuros?
Kelly Godoy — Quero continuar fazendo cada vez mais aqui na RECORD NEWS. Sou muito grata por tudo o que vivi e aprendi. Se tivesse que resumir em uma palavra, seria gratidão. Eu sei de onde vim, tudo o que aprendi aqui e o quanto evoluí.
Mas também quero ir além. Não sou uma pessoa acomodada. Penso em explorar mais projetos multimídia, como conteúdos cross mídia e até podcasts, além de intensificar meu trabalho com palestras e como mestre de cerimônias — eu gosto de gente, de trocar, de aprender.
Ao mesmo tempo, acredito na importância do equilíbrio, de cuidar da família e da qualidade de vida. Mas não dá para perder a vontade de fazer, de criar. Quando isso se perde, a gente perde um pouco de si também.
No jornalismo, a gente tem esse ideal de contribuir, de levar informação de qualidade. E é isso que me move: continuar fazendo, com gratidão, aproveitando cada oportunidade e sempre respeitando o caminho e as pessoas ao redor.
*Estagiários do R7, sob supervisão de Renata Garofano.














