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Camila Busnello celebra 20 anos de RECORD com desafio no Domingo Espetacular: ‘Maior presente que poderia receber’

Jornalista revisita carreira e fala sobre a marca que pretende imprimir em um dos programas de maior audiência da emissora

Entrevista|Juliana Lambert, do R7

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Camila Busnello revisita trajetória na RECORD e fala sobre o novo desafio no Domingo Espetacular Antonio Chahestian/ RECORD

É com aquele brilho no olhar de quem está começando e cheia planos para o futuro que a jornalista Camila Busnello celebra 20 anos na tela da RECORD e abraça com emoção a missão de comandar o Domingo Espetacular ao lado de Roberto Cabrini.

Quem acompanha a trajetória de Camila no jornalismo não ficou surpreso. Ela já esteve na bancada dos principais jornais da emissora, foi correspondente durante dois anos em Nova York, nos Estados Unidos, e conhece como poucos a revista eletrônica semanal da RECORD, na qual foi repórter por nove anos.


“O DE continua muito fiel ao que ele era no começo, mas, hoje em dia, a gente tem um programa ágil, cheio de notícias, tem factual, reportagens que vão a fundo, as entrevistas do Cabrini, todo material é exclusivo. É uma recompensa ganhar um presente como esse, de poder fazer este jornal que o Domingo Espetacular faz”, comenta a nova titular do jornalístico.

Ao R7 Entrevista, Camila relembrou reportagens que fizeram história, compartilhou os desafios de uma cobertura internacional, contou o que gosta de fazer longe dos holofotes e também qual marca quer deixar como titular do programa.


“Quero aproveitar o espaço precioso que o Domingo Espetacular concede aos jornalistas, que é poder levar informação com credibilidade e fazer muitas reportagens como já faço, mas com o lado social, direitos humanos, comportamento, e também entrevistar personalidades. É uma Camila mais madura! Depois de 20 anos, assumir uma tarefa como essa é o maior presente que eu poderia receber como profissional”.

R7 Entrevista: Você completou 20 anos de RECORD em janeiro deste ano e agora assume como titular do Domingo Espetacular. Para quem conhece a sua trajetória no jornalismo não foi surpresa. Como recebeu esse convite?


Camila Busnello — Eu cobri a Carolina [Ferraz] no domingo (5) e fui pega de surpresa com essa proposta. É uma oportunidade incrível assumir como titular do Domingo Espetacular, programa em que fui repórter por nove anos e tenho muito carinho. Recebi com emoção e gratidão no coração, porque é um dos principais programas da casa.

A ideia é trazer uma linha mais jornalística, com reportagens, entrevistas, e usar esse espaço para fazer esse jornalismo, que é o DNA do programa. É com uma imensa gratidão e emoção que sigo agora à frente do DE como titular.


R7 Entrevista: Comandar o Domingo Espetacular ao lado de Roberto Cabrini não é algo desconhecido para você. É uma dupla que já mostrou que funciona muito bem, mas o que podemos esperar da Camila como titular?

Camila Busnello — O fato de apresentar o Domingo Espetacular ao lado do Cabrini, que é um dos melhores e mais premiados repórteres investigativos do país, é uma honra enorme. Eu sempre falo isso para ele, porque aprendo muito, conversamos sobre as reportagens do próprio programa e as pautas que podemos fazer.

O Cabrini é uma inspiração, acho que para todo jornalista. Tenho muito a aprender e nessa altura da vida é um privilégio gigante aprender com ele.

Camila Busnello diz que Roberto Cabrini é uma inspiração Divulgação/RECORD

Além de dividir a apresentação de um programa semanal, a gente vai poder entrar juntos todo domingo na casa das pessoas. E o Domingo Espetacular é uma família e tem como DNA matérias especiais, investigativas e profundas. É o que eu quero continuar fazendo ao longo da minha estada como apresentadora titular do DE. É esse DNA que a gente quer mostrar no programa e vem para reforçar um perfil muito bem construído, que completou 20 anos em 2024. Então, em mais de duas décadas de programa, metade desses anos eu acompanhei o crescimento e fiz parte de várias fases do programa.

“O Domingo Espetacular é uma família e tem como DNA matérias especiais, investigativas e profundas. É o que eu quero continuar fazendo ao longo da minha estada como apresentadora titular do DE"

(Camila Busnello sobre o desafino no Domingo Espetacular)

Eu acredito que o DE continua muito fiel ao que ele era no começo, mas, hoje em dia, a gente tem um programa ágil, cheio de notícias, tem factual, reportagens que vão a fundo, as entrevistas do Cabrini, todo material é exclusivo. É uma recompensa ganhar um presente como esse, de poder fazer este jornal que o Domingo Espetacular faz.

R7 Entrevista: Ao longo de dois anos, você foi correspondente da emissora em Nova York, nos Estados Unidos. Como é a vida de uma repórter especial fora do país?

Camila Busnello — A rotina de um correspondente é não ter rotina. Você nunca sabe o que vai acontecer no dia seguinte, ou até mesmo na própria madrugada. Eu fui cobrir o casamento do Príncipe William e da Kate Middleton (2011) e lembro que estava no aeroporto em Londres, na Inglaterra, esperando o voo para os Estados Unidos, quando de repente vejo um breaking news (plantão de notícias), e todos os canais internacionais dando a operação dos Estados Unidos que acabou com a morte do [Osama] Bin Laden.

“A rotina de um correspondente é não ter rotina. Você nunca sabe o que vai acontecer no dia seguinte, ou até mesmo na própria madrugada"

(Camila Busnelo sobre experiência nos Estados Unidos)

Então, eu saí de uma cobertura gigante e fui para outra, daquelas que você não sabe quanto tempo vai durar. São assuntos muito relevantes e você ganha uma experiência enorme.

Morando em Nova York, a pauta do dia a dia, por exemplo, era cobrir uma assembleia da ONU ou uma nevasca. Na época em que estive lá, aconteceu a maior nevasca dos últimos cem anos. Eu acho que esse olhar do jornalista que vai morar fora, esse olhar cru que leva, é muito bacana, porque é um olhar que não está viciado, tudo é muito novo.

Sem falar, a relevância dos assuntos. Eu cobri dez anos de Marco Zero (onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center, destruídas nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001) que também foi muito emocionante. Na época, o presidente era o Barack Obama visitou o Marco Zero e nós fizemos a cobertura em toda a programação da RECORD.

Camila Busnello em entrada ao vivo direto de Nova York, nos Estados Unidos Reprodução/Arquivo Pessoal

R7 Entrevista: A equipe também costuma ser muito enxuta fora do país. Deve ser um desafio e tanto!

Camila Busnello — É uma equipe bem reduzida. Você tem que dar conta do trabalho de dez, sabe? Todo mundo acha que o trabalho de correspondente é glamouroso. Glamour é a última coisa que tem. É só perrengue atrás de perrengue. Mas é uma experiência que eu vou levar para o resto da vida e recomendo para quem tem esse sonho de ser correspondente internacional como repórter. Você tem um crescimento profissional e pessoal enormes.

Camila completou 20 anos de emissora em janeiro de 2026 Reprodução/Instagram @camilabusnello

R7 Entrevista: Na tragédia do litoral norte de São Paulo em 2023, você estava de folga, mas o lado jornalista falou mais alto. Quais foram os desafios da cobertura?

Camila Busnello — Estava de folga no Carnaval e viajei no sábado. Lembro que peguei uma chuva torrencial na estrada. Choveu a noite inteira sem parar. Quando acordei pela manhã, ouvi que estava alagado, mas ninguém sabia a dimensão do que tinha acontecido. Foram chegando as notícias de que tinha muita gente desabrigada. Eu coloquei a minha capa de chuva e meu chinelo, nem tênis eu tinha levado, porque tinha ido viajar para passar dois dias, e fui dar uma olhada no que estava acontecendo. Não consegui ficar parada e comecei pela praia, depois na cidade, quando vejo tudo alagado.

Eu vi as pessoas ilhadas e comecei a ter mais ou menos a dimensão do que estava acontecendo. Relatei tudo e mandei. A internet estava ruim, mas consegui enviar o material para o Domingo Espetacular. Na segunda-feira, foi o dia que deu para sair, porque o sol já tinha voltado a brilhar. Foi então que deu para ver o que tinha acontecido. Era um cenário de guerra, nunca tinha visto aqueles helicópteros do exército chegando a todo momento.

“Eu vi as pessoas ilhadas e comecei a ter mais ou menos a dimensão do que estava acontecendo. A internet estava ruim, mas consegui enviar o material para o Domingo Espetacular"

(Camila Busnello sobre a cobertura da tragédia no Litoral Norte)

Tinha que selecionar o material que fazia meio a toque de caixa, de tantas notícias. Aí, ficamos sabendo das mortes, do desmoronamento. Foi quando eu tive a ideia de pegar o barco e tentar chegar ao local onde estavam as pessoas ilhadas, na Barra do Saí. Presenciei as pessoas recebendo a notícia de que um parente tinha falecido. Sem dúvida, uma das coberturas mais marcantes que fiz.

R7 Entrevista: Também teve outro momento muito forte, o documentário À Margem: Infância Perdida na Amazônia, com crianças que trabalhavam em comunidades ribeirinhas.

Camila Busnello — A RECORD voltou para lá depois de 15 anos. Foi uma pauta do Núcleo Investigativo e foi muito difícil, porque hoje a Amazônia esconde muitos perigos. Desde a navegação pelo rio até você ser aceito para mostrar um problema da comunidade, que é um problema social, mas que também é um meio de sobrevivência dos ribeirinhos daquela região. Tem que ter muita delicadeza para tratar do assunto.

Camila Busnello nos bastidores do Jornal da Record Reprodução/Instagram @camilabusnello

R7 Entrevista: De todas as reportagens, dá para escolher a que mais te marcou?

Camila Busnello —É difícil, são todas muito fortes e intensas. Cada uma mexe com você de uma maneira. E sabe o que eu acho que é o mais curioso? Quando você sai para fazer uma reportagem ou está em uma cobertura em busca da verdade, você é sempre imparcial. Isso é uma questão que tento levar muito a sério. Não consigo definir uma cobertura que mais me marcou, porque todas me marcaram de alguma forma.

Também teve uma série de reportagens para o Jornal da Record na Polônia, que fizemos um R7 Estúdio. Foi muito emocionante, entrevistei os sobreviventes que moram no Brasil, e lá eu pude ir a todos os locais, os campos de extermínio, ouvi muito da história. Os últimos sobreviventes já estão com mais de 80 anos e eram crianças na época.

Eu fiz um recorte feminino de vítimas e vilãs mulheres dentro do holocausto. Foi um trabalho que me emocionou e, para o DE, achei uma história de um brasileiro que namorou a filha de um nazista sem saber. Anos depois, quando tinha terminado o relacionamento, ele descobriu que o sogro era um comandante de um campo de extermínio importante, que implementou técnicas para que aquela matança fosse mais eficiente. Me marcou muito e foi importante trazer essa história.

“Fiz um recorte feminino de vítimas e vilãs mulheres dentro do holocausto. Foi um trabalho que me emocionou"

(Camila Busnello sobre série de reportagens realizadas na Polônia)

Depois, esse sobrevivente até fez um livro contando a própria história. As pessoas confiarem a mim o direito de contar a história delas. Todo esse material está lá no RecordPlus para quem quiser assistir.

R7 Entrevista: Você também tem um blog no R7, o Por Dentro da Notícia, em parceria com a também jornalista da RECORD, Mariana Soares. Como é esse lado da Camila no digital?

Camila Busnello —Sempre aprendendo! Porque é uma velocidade enorme, mas eu acho que é uma outra maneira de comunicar, o que é muito interessante. Porque tudo na TV você precisa aprofundar demais, ter imagem para fazer aquela reportagem. Eu acho incrível, sou muito apaixonada pelo digital, em poucos minutinhos já está no ar e a repercussão é gigante.

R7 Entrevista: Como você vê o papel das redes sociais para manter o público atualizado, trazer a informação correta e prestar serviço?

Camila Busnello — É essencial, muita gente hoje consegue se informar no dia a dia com as redes sociais e quando chega em casa assiste ao jornal para ver o que está sendo dito. O que o Jornal da Record vai falar hoje? Quais são as principais notícias? Qual é o resumo? O que tem mais relevância de tudo isso que eu vi na internet? Então, é muito complementar. Tem que ser multiplataforma e é preciso estar em tudo.

R7 Entrevista: Tem um quadro que você fazia no Fala Brasil, o ‘Qual é a Boa?’. Sente saudades?

Camila Busnello — Eu amava! Entrevistei o Jô Soares, acredita? Ele estava fazendo um espetáculo, que se não me engano foi a última peça de teatro que ele fez. Era uma coletiva, depois ele deu uma entrevista para o Qual é a Boa? do Fala Brasil.

Depois, fui na estreia da peça e era exatamente o que ele falou, porque eram memórias dele. Era o jeito dele contar histórias de irreverência do Jô, aquele poço de cultura maravilhoso. O que mais eu posso dizer? Zerei a vida [risos].

Camila Busnello ao longo de sua trajetória na emissora Arquivo pessoal

R7 Entrevista: Quem é a Camila longe dos holofotes?

Camila Busnello — Sou animada! Eu gosto de ir à exposição, peças. Adoro um programa cultural. Também gosto de passear com meus cachorros e viajar quando sobra tempo livre, porque a nossa vida de jornalista é bem corrida, com plantão de final de semana. Mas quando eu posso, fujo para o meio do mato ou para a praia. Meio do mato com uma cachoeira ou uma praia no inverno também. Sabe quando você faz aquelas fogueiras e fica ali com um fiozinho? Só escutando o barulho do mar? Eu amo, é isso que eu faço para relaxar.

Longe dos holofotes, Camila gosta de viajar, passear e curtir os pets Reprodução/Instagram @camilabusnello

R7 Entrevista: O que o público pode esperar do novo ciclo da Camila?

Camila Busnello — Quero aproveitar o espaço precioso que o Domingo Espetacular concede aos jornalistas, que é poder levar informação com credibilidade e fazer muitas reportagens como já faço, mas com o lado social, direitos humanos, comportamento, e também entrevistar personalidades. É uma Camila mais madura! Depois de 20 anos, assumir uma tarefa como essa é o maior presente que eu poderia receber como profissional.

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